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sábado, 17 de agosto de 2013

Burka Avenger: super-heroína que luta pela educação

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Protagonista de série de animação é uma professora primária que com livros e canetas luta pela educação das jovens do seu país. Mas nem todos gostam da "burka".



Uma série de animação paquistanesa tem estado nas bocas do mundo. Só no Youtube, o primeiro episódio foi visto por mais de 48 mil utilizadores em apenas uma semana e a página de facebook já conta com mais de 40 mil “gostos”.

Tudo por causa de uma super-heroína pouco convencional: “Burka Avenger” conta a história de Jiya, uma professora primária cujo alter-ego usa "burka" e luta pela paz, pela justiça e pela educação para todos, armada apenas com livros e canetas e ajudada por três crianças e uma cabra. Um malfadado mágico e um político corrupto que pretendem acabar com as escolas são os vilões da história, sempre ajudados pelos fundamentalistas.

"Burka Avenger" tocou na ferida de um país onde a percentagem de mulheres com mais de 15 anos que conseguem ler e escrever é apenas de 40.3% da população (em Portugal, a percentagem situa-se nos 93.6% e a média mundial nos 79.7%). E convém salientar que a história tem semelhanças com a de Malala Yousafzai, uma paquistanesa adolescente, activista pela educação das raparigas do seu país, e que sobreviveu, miraculosamente, a um atentado dos talibans, em Outubro de 2012, quando foi baleada na cabeça. Malala Yousafzai, transformada num ícone do activismo, discursou no mês passado na sede da ONU. 

Em declarações à AFP, Haroon Rashid, o criador da série, um cantor e compositor anglo-paquistanês, afirma haver planos para a tradução do programa (que estreou no Paquistão num canal privado a 28 de Julho) em 18 outras línguas.


O exemplo o estereótipo?
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Um programa infantil, num país onde a programação para crianças quase não existe, ainda para mais protagonizado por uma mulher - também elas sem voz voz na sociedade -, tem desencadeado reacções à escala mundial.

No primeiro episódio, a protagonista diz mesmo: "Se queres ser bem-sucedido, torna as canetas e os livros os teus melhores amigos". "Este é o meu tipo de super-herói", pode ler-se em múltiplas crónicas. "A reacção das pessoas tem sido absolutamente fenomenal, muito para além das nossas expectativas", disse também o cantor à AFP .

O disfarce através da "burka" tem sido, no entanto, uma escolha muito criticada. Muitos se perguntam o quão apropriado é o seu uso, geralmente considerado um símbolo de opressão, como ferramenta de promoção do fortalecimento do poder das mulheres. Rashid afasta as críticas: "Ela não usa a "burka" porque é oprimida. Ela usa-a, ela escolhe usá-la, para esconder a sua identidade, da mesma maneira que os outros super-heróis usam outros fatos para o fazer. Como a "Catwoman" ou o "Batman"", conta à CNN. O cantor também chama a atenção para o facto da protagonista não a usar sem ser em acção e acrescenta ainda que a "burka" faz parte da cultura do país, quer se queira, quer não.

A escritora paquistanesa Bina Shah tem sido uma das vozes que mais se tem insurgido, nomeadamente através do seu blog: "As jovens paquistanesas precisam de perceber que não é natural terem que viver escondidas para sentirem que têm uma presença na sociedade aceitável, segura… Ficarei horrificada se perceber que meninas pequenas começaram a usar a "burca" em imitação da sua heroína." Para a indiana NDTV, adianta: "A mensagem que gostaria que os criadores passassem era a de que, para fazer a diferença na sociedade, as mulheres não podem permanecer invisíveis enquanto se dedicam a uma luta, seja ela qual for."

Quanto à coincidência entre a história de Malala e a da série, Haroon Rashid afirma que já se encontrava a desenvolver o projecto quando a tragédia ocorreu, e que ficaram chocados, pois “parecia que a vida real estava a imitar a nossa ideia”, contou também ao Washington Post.


FONTE: P3.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Florbela (filme)

Sinopse: «Num Portugal atordoado pelo fim da I República, Florbela (Dalila Carmo) separa-se de forma violenta de António (José Neves). Apaixonada por Mário Lage (Albano Jerónimo), refugia-se num novo casamento para encontrar estabilidade e escrever, mas a vida de esposa na província não é conciliável com sua alma inquieta. Não consegue escrever nem amar. Ao receber uma carta do irmão Apeles (Ivo Canelas), oficial da Aviação Naval e de licença em Lisboa, Florbela corre em busca de inspiração perto da elite literária que fervilha na capital.

Na cumplicidade do irmão aviador, Florbela procura um sopro em cada esquina: amantes, revoltas populares, festas de foxtrot e o Tejo que em breve verá o irmão partir num hidroavião. O marido tenta resgatá-la para a normalidade, mas como dar norte a quem tem sede de infinito?

Entre a realidade e o sonho, os poemas surgem quando o tempo pára. Nesse imaginário febril de Florbela, neva dentro de casa, esvoaçam folhas na sala, panteras ganham vida e apenas os seus poemas a mantém sã. Por isso, Florbela tem que escrever!

Este filme é o retrato íntimo de Florbela Espanca: não de toda a sua vida cheia de sofrimento, mas de um momento no tempo, em busca de inspiração, uma mulher que viveu de forma intensa e não conseguiu amar docemente.»


FONTE: site oficial do filme


TRAILER





Vejam também

Reportagem RTP: Chegou ao cinema a primeira longa-metragem sobre Florbela Espanca
Reportagem SIC: Adaptação para cinema da vida de Florbela Espanca estreia quinta-feira






Vicente traz as mulheres para a linha da frente de combate; heroínas “com tomates”, como Florbela, que quase um século depois continua a desassossegar os titulares das calças. “Não gostei do filme. Ela é igualzinha à minha mulher”, justificou um espectador à saída da antestreia em Lisboa. “É a melhor crítica negativa que me podiam fazer”, responde o realizador.

Porquê Florbela?
Primeiro que tudo, gosto muito de mulheres e de personagens femininas. Acho que têm sido negligenciadas no cinema português como heroínas. Já no meu primeiro filme a personagem principal era uma anti-heroína, algo já mais arriscado. Com a Florbela, também por ser uma figura da história portuguesa muito esquecida.

Pouco conhecida, até?
Pouco conhecida, maltratada mesmo pelos intelectuais das literaturas. Ainda numa década do grande modernismo ela refugiava-se numa composição em soneto, que naquela altura já estaria datada, hoje ainda mais. Acho que isso sempre foi olhado de lado. Curiosamente, acho que no caso da Florbela, reabilitada anos mais tarde pelo José Régio, ela utiliza certa forma, mas há que olhar lá para dentro, o que nos dá a expressão de uma mulher que acho que nunca houve em Portugal.

Em especial atendendo à época, ou ainda hoje seria revolucionária?

A época por um lado era propícia, por outro não. Nos anos 20, com a liberdade da Primeira República, as mulheres podem divorciar-se, como ela fez duas vezes, podem sair, cortam o cabelo, usam calças. Ela chegou a ser apedrejada em Évora por usar calças. De repente há um mundo novo e ela é filha disso. Há uma entrega muito emocional e sensorial, quase sexual, arriscaria, na poesia dela. Acho extraordinário. Era de uma modernidade enorme.

[...]

O tal espectador dizia-lhe que não gostava porque via ali a mulher...
Sim. Sou muito português e acho que o meu cinema vai ser sempre muito português. Continuamos a viver numa sociedade machista, e daí querer trazer mais as mulheres para o cinema. As mulheres no cinema português só são uma de duas coisas: mães ou putas. E os homens têm um medo terrível de uma mulher com tomates, como a Florbela. Como sou alentejano e venho de uma sociedade muito matriarcal, sei que os homens vêm à frente, mas quem manda são elas.


FONTE: i online.

Sobre Florbela Espanca:

«Florbela Espanca é uma figura incontornável da literatura portuguesa do séc. XX. Alentejana de berço, em conflito com o seu tempo, a jovem poetisa escandalizou a sociedade da época, com sucessivos casamentos e divórcios, uma maneira audaz de vestir, e uma personalidade emancipada. Mulher forte e determinada, escreveu o que sentiu, o que amou, o que sofreu. [...]

Os seus versos revelam um erotismo feminino transcendente, pondo a nu a intimidade da mulher, o que abalou a consciência literária da época. A sua escrita aproximava-se do neo-romantismo de fim de século, pelo seu carácter confessional e sentimentalista, e por recuperar o soneto, afastando-se do modernismo tão em voga, levando-a, por isso, a ser menosprezada pelos seus pares que invocavam o constante “feminino” presente nos seus versos.

Apenas décadas mais tarde, a sua importância foi restabelecida na história da literatura portuguesa. Nas palavras da académica Rosilene Rodrigues Coelho, o preconceito em relação à sua obra é fácil de entender: uma “mulher avançada para o seu tempo, fumadora, divorciada, provinciana, filha ilegítima e declarada inimiga do Estado Novo”.

Conta-se que morreu de uma tristeza sem fim, com apenas 36 anos, três anos após a morte do irmão num desastre de aviação. Viveu três casamentos, escreveu poesia e contos, sobreviveu entre traduções e explicações, morou em Évora, Redondo, Matosinhos e Lisboa, numa vertigem altamente invulgar para uma mulher do seu tempo.»


FONTE: site oficial do filme.

terça-feira, 27 de março de 2012

Há uma mensagem feminista em Lady Gaga?


«Bad Romance: Women's Suffrage is a parody music video paying homage to Alice Paul and the generations of brave women who joined together in the fight to pass the 19th Amendment, giving women the right to vote in 1920.»



FONTE: youtube


Esta foi uma produção da Soomo Publishing, empresa que pratica uma forma de educação (sobretudo sobre temas histórico) diferente e inovadora. Com o director Tim Alden Grant, foi produzido por Lisa Corum e escrito por Emília Fuentes Grant.

Este é o site oficial do Bad Romance Women's Suffrage.

E a letra adaptada pode ser vista aqui.

Aqui fica também o vídeo original (e oficial) da música Bad Romance de Lady Gaga:




Actriz iraniana condenada a 90 chibatadas


Participação num filme sobre a censura exercida pelas autoridades islâmicas aos artistas iranianos levou a atriz Marzieh Vafamehr a tribunal. Um ano de prisão e 90 chibatadas foi a sentença.




Um ano de prisão e 90 chibatadas foi a sentença decretada à actriz iraniana Marzieh Vafamehr , por ter participado num filme cujo enredo focava os limites impostos aos artistas do seu país. A decisão do tribunal foi hoje revelada por um site da oposição , avança o jornal "The Telegraph". O advogado de defesa já pediu recurso da sentença.

Marzieh Vafamehr foi presa em julho, após ter participado no filme "My Tehran for Sale ", cujo lançamento gerou polémica entre os grupos islâmicos mais conservadores. A longa-metragem foi proibida no Irão, mas acabou por ser distribuída ilegalmente noutros países.

O filme, que foi produzido e realizado em parceria com a indústria cinematográfica australiana, conta a história de uma actriz iraniana que enfrenta sérias dificuldades em poder fazer carreira nos teatros de Teerão devido à pressão e censura das autoridades do país.


FONTE: Expresso.
SUGESTÃO DE: Regina Machado e Afonso


Trailer do filme:




File:My Tehran for Sale movie.jpgO filme foi realizado por Granaz Moussavi e produzido por Cyanfilms. Contou com os actores Marzieh Vafamehr, Amir Chegini e Asha Mehrabi. Foi destacado oficialmente para os festivais de Toronto, Rotterdam, Pusan, entre outros. Venceu o Independent Spirit Inside Film Awards 2009 e o prémio do juri para best feature Film at the TriMedia Film Festival in 2010.

My Tehran for Sale has a poetic language to address critical issues such as double life of young people, oppression of women, HIV, secret abortions, underground art, massive emigration, crisis of identity, people smuggling and also asylum seeker detention centers.

The borders between documentary and fiction are seemingly dissolved in many scenes using a poetic language with a non-linear narrative and an open ending.

The alternative movie has dared to break away from the norms of Iranian mainstream cinema to depict a reality of urban, artistic young people prohibited from expression, forced underground, partaking in drugs — this is a portrayal of a reality never before shown in Iranian cinema.


Marzieh Vafamehr viu depois a sua pena reduzida a meio ano de prisão e foi libertada em Outubro de 2011.


FONTE: Wikipedia

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Porno e masturbação "no escurinho" (ou não) em Lisboa


Ciclo organizado pela UMAR realiza-se a 2 e 3 de Dezembro, em Alcântara.

É "no escurinho", mas nem tanto. Querem-se, sim, conversas abertas sem preconceitos ou tabus.

Iniciativa da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), o ciclo "No escurinho do cinema: porno e masturbação" realiza-se a 2 e 3 de Dezembro, no Centro de Cultura e Intervenção Feminista, em Alcântara.

A abrir, às 20h de sexta-feira, o "workshop" "Como encontrar o Ponto G (e o encanto dos enquantos)?" Prometem-se algumas respostas com o "treino do pavimento pélvico e prazer vaginal", sugestões de estimulantes, brinquedos e explicação de técnicas de masturbação. Haverá ainda tempo para uma contextualização do movimento feminista.

Às 22h15, começa o cinema, e continuam as conversas, com "A Pornógrafa - Parte I". Em cartaz está o documentário de 2008 "Barcelona Sex Project" da sueca, sediada em Barcelona, Erika Lust. "Porno de bom gosto, cinema explícito para adultos, moderno, feminino e feministas" são termos a que a realizadora recorre para descrever o seu trabalho. No dia seguinte, sábado, às 14h, são exibidos "Cinco Historias Para Ellas" (2007), "Life Love Lust" (2010), "Love Me Like You Hate Me" (2010) e "Handcuffs" (2010).

O ciclo termina com uma actividade que promete: a escrita colectiva de um guião de filme porno. Existirá por aí um novo talento português? »


Fonte: Público On-Line | P3

sexta-feira, 25 de março de 2011

O Corão e o problema da interpretação (ou estupidificação)

"O Corão é como uma grande loja, um grande supermercado. Dele podemos retirar várias respostas. A partir do Corão podemos fazer paz; de acordo com o Corão podemos declarar guerra. O Corão tem muitas vozes. Os moderados apoiam a sua ideologia em alguns versículos do Corão, os radicais fazem o mesmo com outros versívulos do Corão."



















domingo, 20 de março de 2011

Sugestão de Filme - Monólogos da Vagina


Sinopse: Criado e interpretado por Eve Ensler, que debutou no off Broadway em 1996. Este controverso trabalho iniciou rapidamente uma onda nacional de boas críticas e continuou a percorrer a América do Norte e todo o mundo. Os Monólogos da Vagina captura a performance única de Eve Ensler e viaja para além dos palcos à medida que ela explora o ímpeto criativo por trás dos monólogos, e conduz uma série de novas e reveladoras entrevistas tão inspiradoras como aquelas que motivaram o trabalho original.

Gênero: Comédia, Documentário / Duração: 1:16m / Produção: EUA / Direção: Eve Ensler / Elenco: Eve Ensler



Fonte: Elas e Elas Filmes

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

E viva a violência doméstica contra as mulheres!



Homem que é homem, bate na mulher. Homem que não bate na mulher, não significa que a respeita, significa que é "mariquinhas". Por isso, meus senhores, aprumem-se e tratem de bater nas vossas mulheres para assumirem a vossa masculinidade, não vão vocês passar por "mariquinhas" e dar seca às mulheres que gostam de ver violência doméstica contra... as mulheres.

(Nota: isto é apenas um comentário sobre as opiniões contidas no vídeo. Considero a violência doméstica contra o homem tão intolerável como a violência doméstica contra a mulher.)