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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Thor: o super-herói que agora é uma mulher

Marvel anuncia a mudança de sexo de uma das suas personagens mais mediáticas.

Thor, um dos mais conhecidos super-heróis da Marvel, vai sofrer uma mudança inesperada e surpreendente. A gigante dos comics anunciou nesta terça-feira que na nova série de banda-desenhada, que sairá em Outubro, Thor vai ser uma mulher.

Segundo a Marvel, esta personagem vai mudar de sexo numa tentativa de chegar a mais leitores, nomeadamente, a mais mulheres. “Thor será o oitavo título a ter uma protagonista feminina e tem como objectivo falar directamente a uma audiência que durante muito tempo não foi o target dos livros de banda-desenhada na América”, lê-se no comunicado da empresa, que divulga ainda imagens da nova heroína.

E uma coisa é certa, o Thor, deus do trovão, filho de Odin, que conhecemos já não vai voltar. “Não é She-Thor. Não é uma Lady Thor. Não é Thorita. É THOR. É o THOR do universo da Marvel”, diz Jason Aaron, que será responsável pela escrita da história, garantindo na nota da Marvel que esta nova personagem será um Thor “diferente de qualquer Thor que já tenhamos visto”. A ilustração ficará a cargo de Russel Dauterman.

Por responder ficam ainda algumas perguntas. Quem é afinal esta nova heroína que segura o poderoso martelo? De onde é que ela vem e como é que aparece na história? Qual é afinal a sua ligação ao longínquo reino de Asgard e ao universo Marvel?

Outros dos mistérios é a imagem que a Marvel divulgou do "antigo Deus do Trovão", sugerindo que este continuará na história mas de outra forma. Chamam-lhe "Unworthy Thor" (Thor não digno, numa tradução livre) e, em vez do martelo, a personagem tem um machado. 

Será preciso esperar até Outubro para descobrir. Mas o editor da Marvel, Will Moss deixa uma pista: “A inscrição no martelo de Thor diz o seguinte: ‘Quem quer que tenha este martelo, se Ele for digno, possuirá o poder de Thor’. Pois bem, está na altura de actualizar esta inscrição”. Para Will Mossa, esta será "uma das mudanças mais chocantes e emocionates" do universo da Marvel. 

No entanto, o norte-americano escreve ainda que esta mudança continua a tradição da Marvel em criar personagens femininas fortes como Tempestade ou Viúva Negra.

[...]

FONTE: Público.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Imprensa cubana noticiou pela primeira vez em 50 anos uma violação

"Durante décadas, a imprensa cubana absteve-se de publicar informações sobre a criminalidade.

Fonta de Imagem: A Bola.



Pela primeira vez em meio século, a imprensa cubana noticiou uma detenção, de um presumível violador, quando os assuntos de segurança e criminalidade eram habitualmente omitidos pelos meios de comunicação, todos controlados pelo Estado.


O semanário 'Trabajadores', o sítio oficial na internet Cubadebate e a rádio cubana anunciaram a detenção de um jovem cubano, com 23 anos, empregado de restaurante, acusado de três agressões sexuais contra mulheres, em Santa Clara, a 250 quilómetros a leste de Havana. O jovem "aproveitou-se da vulnerabilidade das suas vítimas, mulheres que iam para o seu trabalho ou dele regressavam, para, sob a ameaça de uma faca, as violar", indicou o delegado do Ministério do Interior no local à imprensa."

85% das Notícias Discriminam as Mulheres

Fonte da Imagem: Global Voices.
"Projecto analisou igualdade de género em 221 notícias e 85% são problemáticas O estudo foi levado a cabo pela Unidade Local de Análise à Imprensa. 

O projecto Media + Igual, de Coimbra, analisou 221 notícias entre setembro e junho, em torno da questão do género na imprensa, concluindo a existência de 85% de conteúdo problemático ou discriminatório. Ao todo, foram sinalizados 645 artigos de nove títulos de imprensa, tendo sido analisados 221 artigos, entre setembro de 2013 e junho de 2014, por uma Unidade Local de Análise de Imprensa (ULAI), em Coimbra, constituída por diferentes entidades ligadas à questão do género. 

Marisa Figueiredo, facilitadora da ULAI, disse à agência Lusa que os artigos que contribuem de forma positiva para uma maior igualdade de género na sociedade são uma "parte muito residual" da totalidade dos artigos sinalizados, sublinhando que ainda "há vários problemas ao nível do discurso" mediático. "As mulheres surgem como vítimas ou como casos de exceção", referiu Marisa Figueiredo, sublinhando que, em casos de violência doméstica, surgem "narrativas romantizadas", em que as mulheres são "agentes passivos", não havendo um discurso na primeira pessoa das vítimas. 

Carla Duarte, do Centro de Iniciativas Empresariais e Sociais, entidade que promove a iniciativa, salientou que "há um conjunto de estereótipos sobre a mulher que continuam a ser muito reproduzidos". Os nove títulos de imprensa analisados foram os jornais As Beiras, Diário de Coimbra, Correio da Manhã, Diário de Notícias, Público e as revistas Maria, Caras, Happy Woman e Men's Health, de forma a abranger "diferentes critérios" e a encontrar "uma maior diversidade".

Fonte: Correio da Manhã

sábado, 17 de agosto de 2013

Atletas russas beijam-se no pódio, no meio da polémica da lei "anti gay"

Após conquistarem o ouro no revezamento 4 x 400 no Mundial de atletismo de Moscou, as russas Kseniya Ryzhova e Tatyana Firova se beijaram na boca em cima do pódio.

O gesto das atletas ocorreu em meio à polêmica com a lei antigay na Rússia. Aprovada pelo presidente russo Vladimir Putin em junho, a lei proíbe a apologia a manifestações homossexuais.

Vários países reprovaram o decreto e cogitaram boicotar os Jogos de Inverno de Sochi, em 2014.

Kseniya Ryzhova e Tatyana Firo se beijam na boca em cima do pódio
Kseniya Ryzhova e Tatyana Firo se beijam na boca em cima do pódio. Fonte: Folha de S. Paulo.

A discussão ganhou mais força quando Ielena Isinbaieva, maior nome do salto com vara na atualidade, mostrou-se favorável à lei. Depois, ela disse que foi mal interpretada.

A saltadora sueca Emma Green Tregaro chegou a usar esmaltes nas cores do arco-íris para protestar contra a lei antigay, mas depois pintou as unhas de vermelho com medo de seu país sofrer uma retaliação.

"Estou surpresa com a imensa reação a isso [unhas pintadas], mas estou feliz porque é muito positivo. Os dirigentes estão intercedendo por mim, mas não quero que a federação de meu país sofra por isso", afirmou a atleta.

Manifestações de cunho político, religioso ou comercial, por exemplo, podem levar até a desclassificação em campeonatos como Mundiais e Olimpíadas.

Fonte: Folha de S. Paulo.

Burka Avenger: super-heroína que luta pela educação

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Protagonista de série de animação é uma professora primária que com livros e canetas luta pela educação das jovens do seu país. Mas nem todos gostam da "burka".



Uma série de animação paquistanesa tem estado nas bocas do mundo. Só no Youtube, o primeiro episódio foi visto por mais de 48 mil utilizadores em apenas uma semana e a página de facebook já conta com mais de 40 mil “gostos”.

Tudo por causa de uma super-heroína pouco convencional: “Burka Avenger” conta a história de Jiya, uma professora primária cujo alter-ego usa "burka" e luta pela paz, pela justiça e pela educação para todos, armada apenas com livros e canetas e ajudada por três crianças e uma cabra. Um malfadado mágico e um político corrupto que pretendem acabar com as escolas são os vilões da história, sempre ajudados pelos fundamentalistas.

"Burka Avenger" tocou na ferida de um país onde a percentagem de mulheres com mais de 15 anos que conseguem ler e escrever é apenas de 40.3% da população (em Portugal, a percentagem situa-se nos 93.6% e a média mundial nos 79.7%). E convém salientar que a história tem semelhanças com a de Malala Yousafzai, uma paquistanesa adolescente, activista pela educação das raparigas do seu país, e que sobreviveu, miraculosamente, a um atentado dos talibans, em Outubro de 2012, quando foi baleada na cabeça. Malala Yousafzai, transformada num ícone do activismo, discursou no mês passado na sede da ONU. 

Em declarações à AFP, Haroon Rashid, o criador da série, um cantor e compositor anglo-paquistanês, afirma haver planos para a tradução do programa (que estreou no Paquistão num canal privado a 28 de Julho) em 18 outras línguas.


O exemplo o estereótipo?
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Um programa infantil, num país onde a programação para crianças quase não existe, ainda para mais protagonizado por uma mulher - também elas sem voz voz na sociedade -, tem desencadeado reacções à escala mundial.

No primeiro episódio, a protagonista diz mesmo: "Se queres ser bem-sucedido, torna as canetas e os livros os teus melhores amigos". "Este é o meu tipo de super-herói", pode ler-se em múltiplas crónicas. "A reacção das pessoas tem sido absolutamente fenomenal, muito para além das nossas expectativas", disse também o cantor à AFP .

O disfarce através da "burka" tem sido, no entanto, uma escolha muito criticada. Muitos se perguntam o quão apropriado é o seu uso, geralmente considerado um símbolo de opressão, como ferramenta de promoção do fortalecimento do poder das mulheres. Rashid afasta as críticas: "Ela não usa a "burka" porque é oprimida. Ela usa-a, ela escolhe usá-la, para esconder a sua identidade, da mesma maneira que os outros super-heróis usam outros fatos para o fazer. Como a "Catwoman" ou o "Batman"", conta à CNN. O cantor também chama a atenção para o facto da protagonista não a usar sem ser em acção e acrescenta ainda que a "burka" faz parte da cultura do país, quer se queira, quer não.

A escritora paquistanesa Bina Shah tem sido uma das vozes que mais se tem insurgido, nomeadamente através do seu blog: "As jovens paquistanesas precisam de perceber que não é natural terem que viver escondidas para sentirem que têm uma presença na sociedade aceitável, segura… Ficarei horrificada se perceber que meninas pequenas começaram a usar a "burca" em imitação da sua heroína." Para a indiana NDTV, adianta: "A mensagem que gostaria que os criadores passassem era a de que, para fazer a diferença na sociedade, as mulheres não podem permanecer invisíveis enquanto se dedicam a uma luta, seja ela qual for."

Quanto à coincidência entre a história de Malala e a da série, Haroon Rashid afirma que já se encontrava a desenvolver o projecto quando a tragédia ocorreu, e que ficaram chocados, pois “parecia que a vida real estava a imitar a nossa ideia”, contou também ao Washington Post.


FONTE: P3.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Facebook promete tomar medidas contra violência de género

"Depois de um boicote publicitário promovido por grupos feministas, rede social admitiu falta de supervisão sobre conteúdos que promovem a violência contra a mulher e promete soluções.

O Facebook reconheceu, esta terça-feira, a sua falta de supervisão sobre conteúdos que promovem a violência contra a mulher na sua rede social e prometeu soluções em resposta a um boicote publicitário promovido por grupos feministas. Num texto publicado na sua página Facebook Safety, a empresa admite que os seus “sistemas para identificar e eliminar discursos de ódio não têm funcionado” como deveriam, em particular, “no que se refere à violência de género”.

“Em alguns casos, o conteúdo não é apagado tão rápido como gostaríamos. Em outros, o conteúdo que deveria ser eliminado não foi ou foi avaliado com critérios desfasados”, segundo indicou a vice-presidente da Política Pública Global do Facebook, Marne Levine. O Facebook reiterou a sua vontade de continuar a fomentar a liberdade de expressão na sua rede social, apesar de reconhecer que deve prestar mais atenção ao que publicam os seus mais de 1.000 milhões de utilizadores. “Precisamos de melhorar e iremos fazê-lo”, disse Levine.

A decisão do Facebook ocorre depois de, no passado dia 21, diversas associações terem enviado à direcção da rede social uma carta aberta em que pediam que deixasse de tolerar as mensagens que aplaudem comportamentos agressivos contra a mulher. Nessa missiva, anunciava-se uma campanha para dar a conhecer aos anunciantes para que deixassem de publicitar-se no Facebook até que a equipa de Mark Zuckerberg reagisse.

“Os participantes enviaram mais de 60.000 'tweets' e 5.000 mensagens de correio eletrónico e a nossa coligação [subscritores da carta] cresceu até superar a centena de grupos a favor da mulher e organizações de justiça social”, assegurou a Women, Action & the Media, em comunicado.

Contra o "discurso do ódio"

No total, 15 empresas aliaram-se ao boicote do Facebook, algumas de grande dimensão como a Nissan no Reino Unido. As organizações queixavam-se de o Facebook alojar páginas como “violar com violência a tua amiga só para te rires”, “Violar a tua noiva e muitas, muitas mais”, permitindo ainda fotografias de mulheres a serem atacadas, feridas, maniatadas, drogadas e a sangrar.


“Proibimos conteúdo considerado danoso de forma directa, mas permitimos conteúdo que é ofensivo ou controverso”, clarificou Levine, apontando que o Facebook também condena o “discurso do ódio” no qual se inclui a violência do género.

O Facebook elencou uma série de medidas de aplicação imediata para “assegurar que tal não volte a suceder na comunidade” de utilizadores, as quais passam nomeadamente por rever as directrizes para avaliar os conteúdos, actualizar a formação das suas equipas que filtram conteúdos nocivos e expor a identidade real de quem utiliza o Facebook para incitar ao ódio."


FONTE: P3.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Maioria dos jovens acha normal a violência no namoro

Maioria dos jovens acha normal a violência no namoro
Imagem retidada do Diário de Notícia. Todos os direitos reservados.

885 alunos, com idades dos 11 aos 18 anos, consideram legítimos comportamentos abusivos com as namoradas ou namorados, segundo inquérito feito pela UMAR.
Mais de metade dos rapazes e das raparigas acham que é normal proibir a namorada/o de vestir certas roupas e de sair com determinados amigos/as.

Entre os rapazes, 5% considera que agredir a namorada ao ponto de deixar marcas não é ser violento. 25% dos rapazes e 13,3% das raparigas entendem que humilhar a namorada/o é legítimo e que ameaçar a namorada ou o namorado é normal (15,65% dos rapazes acha que sim e 5% das raparigas também).

Estas respostas foram obtida nas respostas a um questionário feito a uma amostra de 885 alunos de escolas de Porto e de Braga no âmbito do Projeto Mudanças com Arte da UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta)."


FONTE: Diário de Notícias.



Digam-me uma vez mais que o feminismo já não é necessário.



sexta-feira, 15 de março de 2013

"Pessoas feministas são mais felizes no amor"

Imagem retirada do Google. Todos os direitos reservados.

«Psicólogos da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, conversaram com mais de 500 pessoas (homens e mulheres) para descobrir a relação entre feminismo e felicidade no amor. Entre eles, 242 ainda faziam faculdade, enquanto outros 289 eram um pouco mais velhos – média de 26 anos –, e namoravam há mais de 4 anos. Os pesquisadores perguntaram a eles se simpatizavam com algumas ideias feministas, aprovavam mulheres que se dedicam à carreira e se o atual parceiro era machista ou não. Também contaram sobre a qualidade e estabilidade do namoro e satisfação sexual.

E os feministas levaram a melhor em vários pontos. A vida sexual deles era muito mais saudável: eles se diziam mais felizes com sexo do que os casais com um pézinho no machismo. Além disso, os relacionamentos se mostravam muito mais estáveis. E isso valia para homens e mulheres feministas. De forma geral, pessoas favoráveis à igualdade entre os gêneros constroem namoros mais felizes do que os casais machistas.

Os pesquisadores ainda não descobriram por que o feminismo pode melhorar os relacionamentos. Mas desconfiam de alguns motivos. Por exemplo, homens feministas apoiam e entendem melhor suas namoradas. E quando se juntam a mulheres também feministas se livram da pressão de bancar todas as despesas do casal. Bem melhor assim.»


FONTE: Ciência Maluca.

E continua o festival de argumentos da tal petição para a prepetuação do machismo em Portugal

Abel Matos Santos: “Lei permite que uma pessoa mude de sexo as vezes que quiser. Na Primavera pode ser Maria, no Outono pode ser José”

No programa das manhãs da TVI apresentado por Manuel Luís Goucha estão a ser realizados uma série de debates semanais sobre as consideradas "leis fracturantes", alvo de uma petição já entregue na Assembleia da Repúblicacom vista à sua alteração ou revogação.

Depois da análise da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo, na passada quinta-feira, esta semana foi a vez do tema escolhido ser a lei de identidade de género.

De um lado do painel, a favor da alteração da lei, esteve o médico Abel Matos Santos e Isilda Pegado. Do lado oposto três deputados: Helena Pinto (BE), Sónia Fertuzinhos (PS) e João Oliveira (PCP).

Abel Matos Santos do Hospital Santa Maria teve o discurso mais radical ao afirmar que a lei actual "não serve" e permite inclusive uma pessoa mudar de sexo mais do que uma vez. Os três deputados convidados refutaram peremptoriamente os argumentos apresentados por Abel Matos Santos e Isilda Pegado.




FONTE: Dezanove.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Isilda Pegado - Uma Mulher Atrás do Seu Tempo


"É preciso fazer uma reforma da sociedade. Esta crise em que estamos a viver não é uma crise económica. É, acima de tudo, uma crise de valores".



A afirmação é de Isilda Pegado que participou no programa Você na TV!, a propósito do abaixo-assinado, de que é uma das primeiras signatárias, que defende a suspensão contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a interrupção voluntária da gravidez e a lei que permite a mudança de sexo às pessoas transgéneras. Manuel Luís Goucha, apresentador do programa contrapôs: "É então necessário voltarmos ao Portugal do século XIX".

No debate, que contava com a participação dos deputados Sónia Fertuzinhos (PS), Helena Pinto (BE) e João Oliveira (PCP), o apresentador referiu que vários deputados do CDS e PSD estão a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, relembrando ainda a Isilda Pegado que "não há conflitualidade social" sobre este tema. A deputada socialista sublinhou que "a sociedade hoje não reflecte esse discurso" dos signatários da petição.

Bagão Félix, o economista João César das Neves, Isilda Pegado e o médico Gentil Martins estão entre os primeiros signatários da petição, que ultrapassou as cinco mil assinaturas, que quer obrigar o Parlamento a revogar as referidas leis. »



FONTE: Dezanove.

Porquê o Dia Internacional da Mulher?


Dia Internacional da Mulher: 
Conheça a origem desta celebração


Dia Internacional da Mulher assinala-se hoje, dia 8 de março, como homenagem às mulheres em todo o mundo. A efeméride assinala também diversos factos históricos: o protesto de operárias têxteis nova-iorquinas por melhores condições de trabalho e as manifestações das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho, na I Guerra Mundial.

Neste dia 8 de março, em 1857, um enorme grupo de operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque deu início a uma greve, acompanhada de uma ocupação da fábrica. O objetivo desta luta era a reivindicação de uma redução do horário laboral (cerca de 16 horas por dia).
As mulheres defendiam 10 horas laborais de trabalho, bem como uma avaliação do seu salário, que representava um terço do salário pago aos homens. As operárias, cerca de 130, foram encerradas na fábrica e morreram queimadas.
Esta é a génese do Dia Internacional da Mulher, que foi instituído em 1910, aquando de uma conferência internacional de mulheres, que ocorreu na Dinamarca. No entanto, só mais tarde o dia foi celebrado. O dia 8 de março serviu então para homenagear as mulheres, com a comemoração deste dia internacional que persiste com muitas metas por cumprir.

Há mais de um século que as mulheres lutam pela igualdade de direitos laborais, o que ainda permanece por cumprir. Aliás, esta diferença entre homens e mulher é assinalada no Dia Europeu da Igualdade Salarial, comemorado a 2 de março, para chamar à atenção para um facto: as mulheres ganham menos do que os homens, que conseguem ordenados médios 16,4 por cento superiores.

Segundo números da Comissão Europeia, as mulheres portuguesas só conseguem atingir o salário dos homens com mais 65 dias de trabalho. Em Portugal, as mulheres ganham menos 18 por cento do que os homens.
A luta das operárias nova-iorquinas permanece, por isso, atual e assim faz todo o sentido celebrar o Dia Internacional da Mulher. E as mulheres são o centro de diversos factos históricos que se assinalam neste dia. Em 1702, de forma inesperada, Ana Stuart, a irmã de Maria II, torna-se Rainha da Inglaterra, Escócia e Irlanda, após a morte de Guilherme III.

Já em 1884, perante os membros do Comité de Justiça da Câmara dos Representantes dos EUA, Susan Anthony solicita que seja feita uma emenda à Constituição, que garanta às mulheres o direito ao voto.

A 8 de março de 1910 – precisamente no dia em que foi instituído o Dia Internacional da Mulher –, Raymonde de Laroche torna-se a primeira mulher a fazer um voo sozinha. Em 1911, dá-se o primeiro protesto em defesa do voto feminino. Já em 1971, durante a Revolução Russa, diversos protestos e greves são desencadeados por mulheres, em São Petersburgo, a marcar o início da Revolução de fevereiro.

No ano de 1975, a 8 de março, assinala-se pela primeira vez o Dia Internacional da Mulher. E neste mesmo dia, em 2000, os Correios do Brasil lançam um selo que presta uma homenagem a três mulheres pioneiras da aviação do país: Anésia Pinheiro Machado, Tereza de Marzo, Ada Rogato.


FONTE: Pt-Jornal.

No dia Internacional da Mulher, a ONU escolheu o tema: "Violência Contra as Mulheres"


Vejam o que a APAV tem a dizer sobre os fenómenos de violência doméstica. É sempre bom lembrar e desmistificar:




Dia Internacional da Mulher assinalado de norte a sul do país



O Dia Internacional da Mulher assinala-se hoje, com iniciativas nacionais e locais em defesa dos direitos das mulheres, lembrando que as portuguesas ganham em média menos 18% do que os homens, e estão pouco representadas nos conselhos de administração.
Logo pelas 09:00, o sino toca na Bolsa de Lisboa e dá o arranque à conferência "E2E: inspirar, apoiar, arriscar", organizada pela NYSE Euronext Lisbon, com abertura a cargo da secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais.

Pelas 10:00, o gabinete do Parlamento Europeu em Portugal organiza um debate sobre "O impacto da crise na vida das mulheres. Que respostas?", ao mesmo tempo que a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) e a representação da Organização Internacional do Trabalho promovem a sessão "Empreendedorismo Feminino".

Também durante a manhã, logo a partir das 10:00, a sessão plenária no Parlamento vai discutir e votar vários projetos de resolução do PCP, Bloco de Esquerda, PS e Partido Ecologista "Os Verdes" em prol dos direitos das mulheres.

O Partido Comunista vai pedir o combate ao empobrecimento das mulheres e às discriminações salariais, além de ir pedir a valorização efetiva dos direitos das mulheres no mundo do trabalho, enquanto "Os Verdes" pedem a não-discriminação laboral das mulheres.

O Partido Socialista vai pedir que seja aprovado o regime jurídico das organizações não-governamentais para a Igualdade de Género, enquanto o Bloco de Esquerda quer a não discriminação laboral das mulheres, a majoração do subsídio de desemprego e do subsídio social de desemprego para as famílias monoparentais, para lá de recomendar ao Governo que alargue a proteção da parentalidade.

Também de manhã, a Confederação geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP-In) assinala o Dia Internacional da Mulher com ações nos locais de trabalho e nas ruas, estando previsto que o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) promova plenários e realize uma tribuna pública, na qual vai denunciar casos de discriminação laboral de mulheres.

Mais à tarde, pelas 15:00, a secretária de Estado Teresa Morais promove um colóquio para assinalar o Dia Internacional da Mulher, sob o tema "Decidir em igualdade: paridade na tomada de decisão económica".

As iniciativas multiplicam-se um pouco por todo o país, como, por exemplo, em Braga, com uma tertúlia sobre "Género, minorias e multiculturalismos", organizada pela associação cabo-verdiana, em Coimbra, com uma concentração organizada pela União de Mulheres Alternativa e Resposta, ou no Porto, com um jantar tertúlia do "Ciclo Feminino", com a presença das escritoras Isabel Alçada e Luísa Castel-Branco, entre outras iniciativas.

Neste dia, será lembrada a presença residual de mulheres nos conselhos de administração das maiores empresas portuguesas, representando apenas 6% do total, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), que refere existirem 162 mil empresárias, em Portugal.

Apesar de estarem em clara minoria nos conselhos de administração, em 2011, havia 162 mil mulheres que eram empregadoras (35% do total nacional). Com uma idade média de 43,1 anos, uma em cada quatro empresárias possui um curso superior.

Dados da Comissão Europeia revelam que as mulheres portuguesas têm de trabalhar mais 65 dias do que os homens, para terem o mesmo ordenado, já que ganham em média menos 18%.

FONTE: SIC Notícias On-Line.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

França aboliu proibição de uso de calças por mulheres


Lei que proibia mulheres de usarem calças em França, em vigor há dois séculos, foi abolida. Ministra francesa dos Direitos da Mulher, Najat Vallaud-Belkacem, disse que legislação não era compatível com valores atuais do país.

Dois séculos depois, as francesas conquistaram esta semana o direito a usar calças compridas, sem quaisquer restrições. Foi abolida na passada segunda-feira a lei instaurada em 1800, logo após a Revolução Francesa, que exigia a mulheres que se quisessem vestir como homens que pedissem autorização à polícia.

Para a ministra francesa dos Direitos da Mulher, Najat Vallaud-Belkacem, essa legislação não era compatível com os valores atuais do país.
Polémica

As parisienses lutavam pelo direito de usarem calças desde a Revolução Francesa, quando os trabalhadores passaram a vestir calças compridas de algodão, ao invés das tradicionais culottes, largas na parte de cima e justas a partir do joelho, como fazia a aristocracia.

Na viragem do séc.XX, a arcaica norma sofreu uma emenda, permitindo que as mulheres pudessem, finalmente, usar calças. Mas com uma condição: "Se estiverem a segurar o guiador de uma bicicleta ou as rédeas de um cavalo".

Recorde-se que em maio do ano passado, a ministra da Habitação, Cécile Duflot, foi criticada por usar calças de ganga durante a primeira reunião do gabinete do Presidente François Hollande.

Meses depois, antes de iniciar um discurso na Assembleia Nacional, Duflot foi alvo de assobios e 'bocas' por parte de políticos, por estar a trazer um vestido floral. Na ocasião, comentou: "Já trabalhei em estaleiros de obras, mas nunca vi nada parecido. Isso diz muito sobre alguns dos parlamentares. Fico a pensar nas mulheres deles..."


FONTE: Expresso On-Line.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Assunção Cristas confirma. Cegonha chegou ao Governo


Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território planeia ficar a trabalhar até ao final da gravidez.

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É a primeira vez em Portugal que há uma ministra grávida em exercício. A confirmação foi feita pela própria Assunção Cristas, esta quarta-feira.

"É uma grande alegria para mim e para toda a família, um grande entusiasmo, agora é viver com tranquilidade, com a expectativa de que corra tudo bem e continuar a trabalhar, como sempre, com empenho, com dedicação, até chegar a altura da criança nascer que será no Verão", disse a ministra, acrescentando que planeia ficar a trabalhar até ao final da gravidez.

À margem da visita à exposição "Idade do Mar", na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, a ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território revelou que os secretários de Estado a vão poder substituir durante o período de licença de maternidade.

"Os vários senhores secretários de Estado são sempre competentes para assegurar qualquer substituição, portanto não há sequer um problema em relação a essa matéria", afirmou Assunção Cristas, na primeira vez que falou publicamente sobre a sua gravidez.


vídeo em: Rádio Renascença on-line.
FONTE: Rádio Renascença on-line.

Itália: Esquerda tem 40% de mulheres nas suas listas, Monti tem uma campeã de esgrima


Primeiro-ministro demissionário e líder de uma coligação de partidos centristas chamou para as suas listas a tripla campeã olímpica

O Partido Democrata, principal partido de esquerda em Itália, apresentou na noite de terça-feira as suas listas para as eleições legislativas de 24 e 25 de Fevereiro, onde figuram 40% de mulheres, uma novidade absoluta em Itália. Ao centro, Mario Monti arranjou como aliada uma "diva" da esgrima mundial.

"As nossas listas contam com 40% de mulheres. É uma revolução cívica a valorizar", disse o líder do PD, Pier Luigi Bersani, acrescentando que, em 35 círculos eleitorais, 18 mulheres são cabeças de lista. Estas listas renovadas contam também com muitos jovens e são o resultado de uma arbitragem entre os resultados das primárias realizadas no final de Dezembro, e em que participou um milhão de italianos, e as personalidades cuja candidatura foi imposta pelo partido. 

Ao lado de "históricos", como Bersani e o seu "número dois", Enrico Letta, ou os actuais líderes do PD na câmara e no senado, aparecem vários representantes da sociedade civil. Entre eles, o ex-procurador antimafia Piero Grasso, um antigo dirigente do patronato italiano, sindicalistas, uma das fundadoras do movimento feminista Se Non Ora Quando (Se não for agora quando será), Valeria Fideli, e jornalistas, como o director da RaiNews24, Corradino Mineo.

Nas listas do PD também está Ernesto Preziosi, ex-presidente da Acção Católica. "A partir desta noite, estamos em campanha eleitoral. Mais do que favoritos, sentimo-nos como vencedores", proclamou Bersani, que se disse "pronto para governar o país".


A "diva" Valentina

Mario Monti, primeiro-ministro demissionário e líder de uma coligação de partidos centristas que tentam fazer frente ao favoritismo da esquerda e à direita de Berlusconi, chamou para as suas listas uma "diva" da esgrima mundial, Valentina Vezzali, tripla campeã olímpica.

"Decidi fazer parte da equipa, porque Mario Monti é uma pessoa séria, que acredita na família, na ética e na moral. Ele fala de coisas concretas e nós, os atletas, estamos habituados a falar com factos", disse Vezzali, citada pela AFP.

Aos 39 anos, Valentina Vezzali, tripla campeã olímpica de florete (ouro em Sydney, Atenas e Pequim), disse que a sua candidatura em nada vai interferir com o seu objectivo de participar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016. "Mas agora a minha prioridade é estudar, preparar-me e merecer a estima" de Mario Monti, disse Valentina, que é polícia de profissão.

Segundo uma sondagem de 2 de Janeiro, realizada pelo instituto Tecnè para a Sky Italia, a coligação de centro-esquerda liderada pelo PD comanda as intenções de voto, com 40,3%. Segue-se o bloco de direita do PDL (Povo da Liberdade), da Liga Norte, e outras formações, com 26,30%. E, por fim, a coligação centrista de Monti recebe 12% das intenções de voto.


FONTE: P3 - on-line

sábado, 29 de dezembro de 2012

Milhares manifestam-se na Índia em homenagem a jovem violada num autocarro

imagem retirada do tumblr ed0ro.

« Milhares de pessoas manifestaram-se hoje de forma pacífica nas ruas das principais cidades da Índia para prestar homenagem à jovem violada por seis homens num autocarro em Nova Deli que faleceu esta madrugada [29 de Dezembro] em Singapura.

As manifestações estão a ter lugar em cidades como Hyderabad (centro), Bangalore (sul), Bombaim (oeste), Patna (norte) ou Calcutá (este), onde é pedido justiça e são reclamadas medidas de segurança para as mulheres, segundo diversos meios de comunicação indianos citados pela EFE.

Em Nova Deli, a maior concentração foi em Jantar Mantar, depois de a polícia ter cortado os acessos ao monumento da Porta da Índia, onde se registaram até agora os maiores protestos.

Os manifestantes começaram a chegar a Jantar Mantar logo pela manhã e o número de pessoas no local cerca das 20:30 (15:00 em Lisboa), sobretudo jovens que levavam velas e placas reivindicativas, superava as várias centenas.

Numa outra manifestação de indignação na capital indiana, um grupo de jovens estudantes da universidade JNU realizou uma marcha pacífica no sul de Nova Deli até à paragem de autocarro onde a jovem e um amigo apanharam aquele transporte e se encontraram com os violadores.

"Estamos tristes, mas também zangados. Quando acabarão este tipo de atrocidades? Por acaso as mulheres não são humanas?", questionou Nidhi, uma universitária, em declarações à agência local IANS.

As principais autoridades da Índia sublinharam hoje, em vários comunicados, que a morte da jovem "não será em vão" e referiram-se à vítima de violação como "uma verdadeira heroína que simboliza o melhor da Índia".

O corpo da universitária, que foi violada no passado dia 16 de dezembro durante 40 minutos por seis homens num autocarro e provocou uma onda de protestos na Índia, será transferido hoje de Singapura para Nova Deli num avião fretado pelo Governo indiano.

Os autores da violação foram detidos e a jovem, que tinha sido transferida na passada quarta-feira para o hospital de Singapura, morreu esta madrugada devido a "uma infeção nos pulmões e no abdómen e a uma ferida cerebral grave", segundo o relatório médico.

Um diplomata indiano que acompanhou a família da jovem em Singapura revelou que os pais "desejam que a morte da sua filha sirva para brindar um melhor futuro para as mulheres tanto em Nova Deli como de toda a Índia".
O departamento de registos criminais na Índia revelou em 2011 que em cada 20 minutos uma mulher é violada no país, mas que em apenas um em cada quatro casos o violador é devidamente condenado.

Segundo os analistas, a situação deve-se à "imensa corrupção" que existe no corpo policial indiano.»


FONTE: i on-line.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

deputado anti-aborto poderá ficar com pasta da saúde na UE


O anti-gays que pode ficar com a pasta da saúde na UE

O governo de Malta propôs Tonio Borg para o lugar de comissário da Saúde e Defesa do Consumidor da União Europeia. Caberá ao Parlamento Europeu dar o aval ao seu nome. O certo é que Tonio Borg ficou conhecido há três anos por ter defendido a exclusão de casais de pessoas do mesmo sexo da norma europeia da livre circulação de pessoas, com o argumento de que tinha de defender o interesse nacional de Malta.

Enquanto ministro da Justiça da pequena ilha do Mediterrâneo, defendeu também que a Constituição do país devia incluir um artigo que estabelecesse que a vida começa no momento da concepção. Borg chegou a definir o aborto como um assassinato.


No Parlamento Europeu, os 270 eurodeputados do grupo popular deverão votar a favor da nomeação. Segundo o El País, os 144 eurodeputados liberais e ecologistas estarão contra. Os socialistas estão divididos, fazendo com que a votação seja renhida.

O cargo de comissário da Saúde e Defesa do Consumidor era ocupado pelo maltês John Dalli, obrigado a demitir-se após acusações de que estaria disposto a receber 60 milhões de euros de um lobista de uma empresa de tabaco sueca, para mudar a legislação a favor da mesma.


FONTE: Dezanove.

domingo, 7 de outubro de 2012

Ikea pediu desculpa por apagar mulheres de catálogo na Arábia Saudita


Photoshop eliminou as mulheres das imagens do catálogo da Ikea na Arábia Saudita. O grupo sueco já pediu desculpas



Era suposto os catálogos da Ikea serem iguais em todos os países. Mas o que está a ser distribuído na Arábia Saudita tem mais diferenças em relação aos outros para além de estar escrito em árabe e de ser folheado da esquerda para a direita: todas as mulheres foram apagadas das fotografias.

Quem percebeu estas diferenças foi a edição sueca do diário gratuito "Metro", que comparou as imagens do catálogo sueco, semelhante ao português, com as do catálogo saudita. Nalguns casos, percebe-se que as mulheres foram eliminadas das imagens com recurso a Photoshop, noutros as fotografias não existem sequer.

A notícia chocou a Suécia, a ponto de duas ministras terem reagido à notícia. A Ikea reconheceu que as mulheres da versão do seu catálogo distribuída na Arábia Saudita tinham sido de facto eliminadas. “Percebemos o problema e estamos em diálogo com o nosso franchisado saudita”, disse à AFP a porta-voz da Inter Ikea Systems, proprietária da marca Ikea.

Ulrika Englesson Sandman lembrou, porém, que quando o grupo entra num novo mercado tenta encontrar um equilíbrio entre os valores que defende e a cultura e a legislação locais.


“Francamente medieval”
Mas isso já não bastou para impedir as reacções vindas até do Governo sueco. “Francamente medieval!”, escreveu no Twitter a ministra dos Assuntos Europeus, Birgitta Ohlsson. A ministra do Comércio, Ewa Björling, emitiu mesmo um comunicado: “Suprimir ou apagar as mulheres da realidade é uma coisa que não se faz. Se a Arábia Saudita não autoriza que as mulheres sejam vistas, ouvidas ou que trabalhem, perde metade do seu capital intelectual.”

O grupo sueco viu-se então obrigado a pedir desculpas: “Deveríamos ter-nos dado conta de que excluir as mulheres da versão do catálogo da Arábia Saudita entra em conflito com os valores da Ikea”, disse, em declarações ao "Metro", Josefin Thorell, porta-voz do grupo. Na Ikea, 40% dos altos executivos são mulheres.

Na Arábia Saudita, onde a gigante sueca tem três lojas, as mulheres não se podem misturar com os homens, conduzir ou fazer coisas tão simples como uma reserva para um quarto de hotel se não estiverem acompanhadas de um homem da sua família.


FONTE: P3

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

«Sou vegetariana porque sou feminista»


«O feminismo ensinou-me a impor-me e a resistir a todas as formas de violência, crueldade, opressão, hierarquia, guerras, militarismos, sobre-exploração da natureza e discriminação. Ensinou-me a derrubar preconceitos, estereótipos e a reconhecer que à partida tudo, todos e todas somos merecedoras de consideração igual. Foi também o feminismo que me ensinou a posicionar-me perante a maior de todas as opressões: o especismo, e dentro dele a dupla opressão sobre animais fêmeas.

A exploração sobre animais fêmeas, em particular sobre vacas, galinhas ou porcas, implica actos de uma violência brutal como violações manuais ou mecânicas, exploração abusiva das suas glândulas mamárias (no caso dos mamíferos) e a separação imediata das suas crias após cada parto (depois da gravidez induzida através das técnicas de violação).A violação através de rape-rack, por exemplo, consiste em introduzir o braço do ou da inseminadora (violador/a) no recto até ao colo do útero para posiciona-lo e com a outra mão forçar a penetração do instrumento pela vagina.Durante a gravidez, passada em baterias minúsculas, as fêmeas pouco mais podem fazer para além de se baixarem ou levantarem. Após o parto, as suas crias são retiradas de imediato. Se forem machos, são fechados em caixas sem espaço para garantir que os seus músculos e articulações não se desenvolvem e que, então, partes dos seus corpos sejam vendidas como tenros vitelos ou leitões, se forem fêmeas, no caso das vacas, são preparadas para se tornarem vacas leiteiras e viverem uma vida de escravidão. Durante os 7 a 8 meses em que a vaca produz leite, as crias alimentar-se-iam de 5 a 7 vezes por dia. Uma fêmea explorada é obrigada a acumular e carregar cerca de 20 litros de leite todos os dias até que este lhe seja extraído, neste caso apenas uma ou duas vezes ao dia, provocando-lhe danos físicos e sofrimento intenso. Normalmente, e naturalmente, o tempo em que as as crias permanecem com as mães, e são amamentadas, pode ir até aos 9-12 meses de vida. No entanto, enquanto as pessoas consumirem produtos derivados do leite esse tempo é reduzido a minutos. As implicações psíquicas, emocionais e físicas impostas as esses animais durante todo o processo são imensuráveis.

O único período em que as fêmeas podem ter alguma paz e não verem os seus corpos constantemente explorados, acontece quando deixam de produzir leite mas o descanso dura pouco pois são de novo violadas para garantir que engravidam, voltando a ser mercadoria para a industria dos lacticínios. No caso das galinhas de aviário, que para si têm apenas espaço do tamanho de uma folha A4, o seu sistema reprodutor é manipulado através da luz e do alimento para que estejam constantemente a menstruar (pôr ovos).

O feminismo ensinou-me que não posso aceitar passivamente que retiremos o leite de uma mãe para seja mercantilizado ao mesmo tempo em que privamos uma cria do seu alimento devido, muito menos que consumamos e prolonguemos a existência de produtos resultantes de violações, maus-tratos, sofrimento, explorações e manipulações dos corpos e sistemas reprodutores.

Poderia eu ser feminista se ao mesmo tempo impedisse que animais fêmeas tivessem qualquer autonomia sobre os seus próprios corpos, indirectamente, explorando-as, oprimido-as, construindo hierarquias, e violentando-as física e emocionalmente?Ah! E a propósito do dia de hoje (4 de Outubro – Dia Internacional do Animal), o feminismo ensinou-me também que não se hierarquizam nem se invisibilizam lutas.»


Crónica da autoria de Cassilda Pascoal
FONTE: dezanove