Mostrar mensagens com a etiqueta trabalho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta trabalho. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Portugal volta a cair em ranking sobre igualdade de género

"A educação foi o único sector em que Portugal conseguiu melhorar o resultado Portugal é um país cada vez mais desigual para homens e mulheres e voltou a cair na avaliação feita pelo Fórum Económico Mundial, ocupando agora o 51.º lugar no ranking sobre igualdade de género – o que o coloca como o 11º país com um pior resultado dentro da União Europeia.

A educação foi o único sector em que Portugal conseguiu melhorar o resultado
Fonte: Público
O resultado português é o pior desde 2006, o primeiro ano em que o Fórum Económico Mundial publicou este documento e em que o país ficou em 33.º lugar. Em 2007 caiu para 37.º, em 2008 para 39.º e em 2009 para 46.º. Em 2010, Portugal conseguiu melhorar e subir para a 32.ª posição, mas em 2011 já voltou a perder em algumas categorias e voltou para 35.º e em 2012 desceu ainda mais, para a 47.ª posição. No período de apenas um ano a situação agravou-se e no relatório lê-se que o resultado pode ficar a dever-se à “quebra nos rendimentos” do trabalho a que se assiste no país.

Além da posição do ranking, o relatório atribui também um índice a cada país que varia entre zero e um (onde um representa a igualdade total) e no qual Portugal conseguiu um registo de 0.7056 nesta edição de 2013 que contou com dados de 136 países.

Para este valor contribui a avaliação feita pelo documento em várias áreas, nomeadamente oportunidades e participação económica, em que o país fica em 56.º lugar, piorando uma posição em relação ao ano passado. Em termos de educação subiu, contudo, da 57.ª para a 56.ª posição e no campo da sobrevivência e saúde manteve-se no lugar 83.º. A área da participação política é, ainda assim, aquela em que o país tem melhor posição, mas piorou do 43.º lugar para o 46.º.

A redução da desigualdade na Europa apresenta uma polarização, com um grande contraste entre a Europa ocidental e do Norte, por um lado, e a Europa do Sul e oriental, por outro lado, diz o Fórum Económico Mundial.

Olhando apenas para a União Europeia, a lista é encabeçada pela Finlândia (que é aliás a número dois a nível mundial), seguindo-se Suécia, Irlanda, Dinamarca, Bélgica, Letónia, Holanda, Alemanha, Reino Unido, Áustria, Luxemburgo, Lituânia, Espanha, Eslovénia, Bulgária, França e Croácia, que é o último país a ficar à frente de Portugal, em 49.º lugar. Pior que os portugueses estão dez países: Polónia, Estónia, Roménia, Itália, Eslováquia, Chipre, Grécia, República Checa, Malta e, por fim, Hungria, na 87.ª posição.

O resultado português vai em linha contrária à tendência mundial. A nível global, os países conseguiram reduzir as desigualdades entre homens e mulheres, com excepção do Médio Oriente e África do Norte, sendo o Iémen o país com um pior desempenho.



Da Islândia ao Iémen

Aliás, a lista dos países onde existem menores diferenças é encabeçada pela Islândia, seguida da Finlândia, Noruega e Suécia. Mas logo na quinta posição surgem as Filipinas, seguidas pela Irlanda, Nova Zelândia, Dinamarca, Suíça, Nicarágua, Bélgica, Letónia, Holanda, Alemanha, Cuba, Lesoto, África do Sul, Reino Unido, Áustria e Canadá.

Pela negativa, na cauda da lista, entre os últimos países estão antes do Iémen, o Paquistão, Chade, Síria, Mauritânia, Costa do Marfim, Irão, Marrocos, Mali e Arábia Saudita. Perto do fim da lista também se encontram países como a Turquia (120º lugar) ou a Hungria (87º).

Em comunicado, o Fórum Económico Mundial destaca que na América Latina e nas Caraíbas a desigualdade de género caiu 70% em 2013 – o melhor resultado a nível global. Também olhando para os números no seu todo, é possível perceber que os maiores progressos desde 2006 têm sido feitos na área da saúde e sobrevivência, seguindo-se a educação.

Mulheres na liderança: “um imperativo para hoje”

Já a igualdade económica e a participação política têm sido mais lentas a evoluir e são, aliás, responsáveis pelo atraso da maioria dos países, pelo que apesar de ter havido uma melhoria geral no segundo ponto de 2% ainda só se conseguiu reduzir as assimetrias em cerca de 20%. “Tanto nos países emergentes como nos desenvolvidos há poucas mulheres ocupando cargos de liderança económica, comparativamente com o número de mulheres no ensino superior e no mercado de trabalho em geral”, salienta o documento.

“É imprescindível que os países comecem a desenvolver uma visão diferente do capital humano – inclusive na maneira como impulsionam as mulheres para os cargos de liderança. Esta revolução mental e prática não é uma meta para o futuro, é um imperativo para hoje”, sublinha Klaus Schwab, fundador e presidente executivo do Fórum Económico Mundial, no mesmo comunicado."

Fonte: Público.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Não festejem o dia, assinalem-no, LUTEM!


«Ninguém me perguntou por que é que essas feministas chatas não gostam de ganhar parabéns no dia da mulher

“Parabéns pelo seu dia, continuem sempre assim, nós amamos vocês, mulheres”. Aí te dão uma rosinha murcha. Ou um bombom. Ou te oferecem um tratamento facial, um curso de maquiagem, uma massagem. E não entendem porque você não está imensamente agradecida por terem lembrado de você nessa data tão especial.

Eu gostaria de não ter que lembrá-los disso, mas o dia da mulher não é uma data pra glorificar essa imagem estereotípica de feminilidade que vocês têm. É uma data de luta.

É uma data pra se lembrar das trabalhadoras têxteis que se uniram e deram início a uma revolução. Para se lembrar de todas as outras mulheres que lutaram, foram presas, apanharam, morreram, para que tivéssemos direitos básicos que ninguém pensaria em passar sem, como voto, propriedade, educação.

É uma data para se lembrar de todas as mulheres que ainda seguem privadas de direitos, tendo suas vidas controladas por homens, apanhando, sofrendo abusos. Para lembrar que essa realidade não é distante, não é só uma moça sendo violentada e morta por um bando de escrotos na Índia, mas está aqui no nosso quintal.
É uma data para se lembrar que mesmo nós, mulheres bem nutridas de classe média, ainda fazemos a maior parte do trabalho doméstico, ganhamos menos que os homens, e se formos negras, só piora.
Guarde as rosas para os doentes e os mortos.
Nós continuaremos lutando.»

FONTE: Alguém Me Perguntou.


Porquê o Dia Internacional da Mulher?


Dia Internacional da Mulher: 
Conheça a origem desta celebração


Dia Internacional da Mulher assinala-se hoje, dia 8 de março, como homenagem às mulheres em todo o mundo. A efeméride assinala também diversos factos históricos: o protesto de operárias têxteis nova-iorquinas por melhores condições de trabalho e as manifestações das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho, na I Guerra Mundial.

Neste dia 8 de março, em 1857, um enorme grupo de operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque deu início a uma greve, acompanhada de uma ocupação da fábrica. O objetivo desta luta era a reivindicação de uma redução do horário laboral (cerca de 16 horas por dia).
As mulheres defendiam 10 horas laborais de trabalho, bem como uma avaliação do seu salário, que representava um terço do salário pago aos homens. As operárias, cerca de 130, foram encerradas na fábrica e morreram queimadas.
Esta é a génese do Dia Internacional da Mulher, que foi instituído em 1910, aquando de uma conferência internacional de mulheres, que ocorreu na Dinamarca. No entanto, só mais tarde o dia foi celebrado. O dia 8 de março serviu então para homenagear as mulheres, com a comemoração deste dia internacional que persiste com muitas metas por cumprir.

Há mais de um século que as mulheres lutam pela igualdade de direitos laborais, o que ainda permanece por cumprir. Aliás, esta diferença entre homens e mulher é assinalada no Dia Europeu da Igualdade Salarial, comemorado a 2 de março, para chamar à atenção para um facto: as mulheres ganham menos do que os homens, que conseguem ordenados médios 16,4 por cento superiores.

Segundo números da Comissão Europeia, as mulheres portuguesas só conseguem atingir o salário dos homens com mais 65 dias de trabalho. Em Portugal, as mulheres ganham menos 18 por cento do que os homens.
A luta das operárias nova-iorquinas permanece, por isso, atual e assim faz todo o sentido celebrar o Dia Internacional da Mulher. E as mulheres são o centro de diversos factos históricos que se assinalam neste dia. Em 1702, de forma inesperada, Ana Stuart, a irmã de Maria II, torna-se Rainha da Inglaterra, Escócia e Irlanda, após a morte de Guilherme III.

Já em 1884, perante os membros do Comité de Justiça da Câmara dos Representantes dos EUA, Susan Anthony solicita que seja feita uma emenda à Constituição, que garanta às mulheres o direito ao voto.

A 8 de março de 1910 – precisamente no dia em que foi instituído o Dia Internacional da Mulher –, Raymonde de Laroche torna-se a primeira mulher a fazer um voo sozinha. Em 1911, dá-se o primeiro protesto em defesa do voto feminino. Já em 1971, durante a Revolução Russa, diversos protestos e greves são desencadeados por mulheres, em São Petersburgo, a marcar o início da Revolução de fevereiro.

No ano de 1975, a 8 de março, assinala-se pela primeira vez o Dia Internacional da Mulher. E neste mesmo dia, em 2000, os Correios do Brasil lançam um selo que presta uma homenagem a três mulheres pioneiras da aviação do país: Anésia Pinheiro Machado, Tereza de Marzo, Ada Rogato.


FONTE: Pt-Jornal.

Dia Internacional da Mulher assinalado de norte a sul do país



O Dia Internacional da Mulher assinala-se hoje, com iniciativas nacionais e locais em defesa dos direitos das mulheres, lembrando que as portuguesas ganham em média menos 18% do que os homens, e estão pouco representadas nos conselhos de administração.
Logo pelas 09:00, o sino toca na Bolsa de Lisboa e dá o arranque à conferência "E2E: inspirar, apoiar, arriscar", organizada pela NYSE Euronext Lisbon, com abertura a cargo da secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais.

Pelas 10:00, o gabinete do Parlamento Europeu em Portugal organiza um debate sobre "O impacto da crise na vida das mulheres. Que respostas?", ao mesmo tempo que a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) e a representação da Organização Internacional do Trabalho promovem a sessão "Empreendedorismo Feminino".

Também durante a manhã, logo a partir das 10:00, a sessão plenária no Parlamento vai discutir e votar vários projetos de resolução do PCP, Bloco de Esquerda, PS e Partido Ecologista "Os Verdes" em prol dos direitos das mulheres.

O Partido Comunista vai pedir o combate ao empobrecimento das mulheres e às discriminações salariais, além de ir pedir a valorização efetiva dos direitos das mulheres no mundo do trabalho, enquanto "Os Verdes" pedem a não-discriminação laboral das mulheres.

O Partido Socialista vai pedir que seja aprovado o regime jurídico das organizações não-governamentais para a Igualdade de Género, enquanto o Bloco de Esquerda quer a não discriminação laboral das mulheres, a majoração do subsídio de desemprego e do subsídio social de desemprego para as famílias monoparentais, para lá de recomendar ao Governo que alargue a proteção da parentalidade.

Também de manhã, a Confederação geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP-In) assinala o Dia Internacional da Mulher com ações nos locais de trabalho e nas ruas, estando previsto que o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) promova plenários e realize uma tribuna pública, na qual vai denunciar casos de discriminação laboral de mulheres.

Mais à tarde, pelas 15:00, a secretária de Estado Teresa Morais promove um colóquio para assinalar o Dia Internacional da Mulher, sob o tema "Decidir em igualdade: paridade na tomada de decisão económica".

As iniciativas multiplicam-se um pouco por todo o país, como, por exemplo, em Braga, com uma tertúlia sobre "Género, minorias e multiculturalismos", organizada pela associação cabo-verdiana, em Coimbra, com uma concentração organizada pela União de Mulheres Alternativa e Resposta, ou no Porto, com um jantar tertúlia do "Ciclo Feminino", com a presença das escritoras Isabel Alçada e Luísa Castel-Branco, entre outras iniciativas.

Neste dia, será lembrada a presença residual de mulheres nos conselhos de administração das maiores empresas portuguesas, representando apenas 6% do total, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), que refere existirem 162 mil empresárias, em Portugal.

Apesar de estarem em clara minoria nos conselhos de administração, em 2011, havia 162 mil mulheres que eram empregadoras (35% do total nacional). Com uma idade média de 43,1 anos, uma em cada quatro empresárias possui um curso superior.

Dados da Comissão Europeia revelam que as mulheres portuguesas têm de trabalhar mais 65 dias do que os homens, para terem o mesmo ordenado, já que ganham em média menos 18%.

FONTE: SIC Notícias On-Line.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Assunção Cristas confirma. Cegonha chegou ao Governo


Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território planeia ficar a trabalhar até ao final da gravidez.

assuncao cristas frame 09012012

É a primeira vez em Portugal que há uma ministra grávida em exercício. A confirmação foi feita pela própria Assunção Cristas, esta quarta-feira.

"É uma grande alegria para mim e para toda a família, um grande entusiasmo, agora é viver com tranquilidade, com a expectativa de que corra tudo bem e continuar a trabalhar, como sempre, com empenho, com dedicação, até chegar a altura da criança nascer que será no Verão", disse a ministra, acrescentando que planeia ficar a trabalhar até ao final da gravidez.

À margem da visita à exposição "Idade do Mar", na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, a ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território revelou que os secretários de Estado a vão poder substituir durante o período de licença de maternidade.

"Os vários senhores secretários de Estado são sempre competentes para assegurar qualquer substituição, portanto não há sequer um problema em relação a essa matéria", afirmou Assunção Cristas, na primeira vez que falou publicamente sobre a sua gravidez.


vídeo em: Rádio Renascença on-line.
FONTE: Rádio Renascença on-line.

Itália: Esquerda tem 40% de mulheres nas suas listas, Monti tem uma campeã de esgrima


Primeiro-ministro demissionário e líder de uma coligação de partidos centristas chamou para as suas listas a tripla campeã olímpica

O Partido Democrata, principal partido de esquerda em Itália, apresentou na noite de terça-feira as suas listas para as eleições legislativas de 24 e 25 de Fevereiro, onde figuram 40% de mulheres, uma novidade absoluta em Itália. Ao centro, Mario Monti arranjou como aliada uma "diva" da esgrima mundial.

"As nossas listas contam com 40% de mulheres. É uma revolução cívica a valorizar", disse o líder do PD, Pier Luigi Bersani, acrescentando que, em 35 círculos eleitorais, 18 mulheres são cabeças de lista. Estas listas renovadas contam também com muitos jovens e são o resultado de uma arbitragem entre os resultados das primárias realizadas no final de Dezembro, e em que participou um milhão de italianos, e as personalidades cuja candidatura foi imposta pelo partido. 

Ao lado de "históricos", como Bersani e o seu "número dois", Enrico Letta, ou os actuais líderes do PD na câmara e no senado, aparecem vários representantes da sociedade civil. Entre eles, o ex-procurador antimafia Piero Grasso, um antigo dirigente do patronato italiano, sindicalistas, uma das fundadoras do movimento feminista Se Non Ora Quando (Se não for agora quando será), Valeria Fideli, e jornalistas, como o director da RaiNews24, Corradino Mineo.

Nas listas do PD também está Ernesto Preziosi, ex-presidente da Acção Católica. "A partir desta noite, estamos em campanha eleitoral. Mais do que favoritos, sentimo-nos como vencedores", proclamou Bersani, que se disse "pronto para governar o país".


A "diva" Valentina

Mario Monti, primeiro-ministro demissionário e líder de uma coligação de partidos centristas que tentam fazer frente ao favoritismo da esquerda e à direita de Berlusconi, chamou para as suas listas uma "diva" da esgrima mundial, Valentina Vezzali, tripla campeã olímpica.

"Decidi fazer parte da equipa, porque Mario Monti é uma pessoa séria, que acredita na família, na ética e na moral. Ele fala de coisas concretas e nós, os atletas, estamos habituados a falar com factos", disse Vezzali, citada pela AFP.

Aos 39 anos, Valentina Vezzali, tripla campeã olímpica de florete (ouro em Sydney, Atenas e Pequim), disse que a sua candidatura em nada vai interferir com o seu objectivo de participar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016. "Mas agora a minha prioridade é estudar, preparar-me e merecer a estima" de Mario Monti, disse Valentina, que é polícia de profissão.

Segundo uma sondagem de 2 de Janeiro, realizada pelo instituto Tecnè para a Sky Italia, a coligação de centro-esquerda liderada pelo PD comanda as intenções de voto, com 40,3%. Segue-se o bloco de direita do PDL (Povo da Liberdade), da Liga Norte, e outras formações, com 26,30%. E, por fim, a coligação centrista de Monti recebe 12% das intenções de voto.


FONTE: P3 - on-line

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Governo alemão quer dar incentivos a pais que cuidem dos filhos em casa


A ideia da "mulher doméstica" não seria "bem aceite" em Portugal, segundo as conclusões dos estudos disponíveis, considera a socióloga Sofia Aboim.


As famílias alemãs que cuidem dos filhos em casa e não os coloquem em infantários ou outros locais, obterão um subsídio do Estado a partir de 2013: 100 euros por cada filho entre os 13 e os 24 meses. A partir de 2014, esse subsídio aumentará para 150 euros mensais por cada filho no seu segundo ou terceiro ano de vida. É o que estipula um projecto lei que o Conselho de Ministros enviou para o Parlamento alemão.

Em Portugal, os estudos disponíveis indicam que uma medida semelhante “não seria muito bem recebida”, diz a socióloga Sofia Aboim do Instituto de Ciências Sociais (ICS). Em declarações ao PÚBLICO, esta investigadora nota que “a ideia da mulher doméstica” já não é “bem aceite” pela mulher portuguesa. O trabalho pago “foi algo incorporado pelas mulheres portuguesas e revela-se extremamente importante como meio da sua autonomia”, diz.

Frisando a diferença comparativamente à realidade alemã em que “a tradição é o incentivo da permanência da mulher em casa em vez do aumento dos equipamentos”, os portugueses, à semelhança dos escandinavos, dão mais ênfase à igualdade do género na inserção do mercado de trabalho”, refere Sofia Aboim, salientando ainda que, no âmbito das políticas públicas, se têm registado “bastantes progressos” em Portugal, como a possibilidade dos homens também poderem gozar a licença de maternidade

Na Alemanha, o anúncio das medidas de incentivo à educação das crianças em casa nos primeiros anos, foi recebido com reservas por parte de alguns sectores. Uma das principais críticas aponta o gasto público decidido por um Governo defensor da austeridade. A administração federal pagará 300 milhões de euros em 2013 e 1 100 euros em 2014.

A este motivo junta-se ainda o incentivo às mães alemãs para ficar em casa em vez de ir trabalhar fora.

Prevê-se que o projecto lei enviado para o Parlamento, deverá contar com a resistência da oposição e eventualmente também de alguns deputados da União Democrata Cristão da chanceler Ângela Merkel.

Os sindicatos da oposição acusam Merkel de "compadrio" ao desviar atenção e dinheiro das necessidades reais nas escolas públicas.

O Partido Social Democrata quer suspender a nova lei. A ministra da Família, Kristina Schröder (CDU) considera que esta legislação não é incompatível com a promoção dos jardins de infância alemães.

De acordo com as estimativas dos municípios alemães, no país há um défice de cerca de 160 000 lugares públicos para as crianças mais pequenas. Para o líder parlamentar dos Verdes, Renate Künast, o governo "agiu de acordo com uma ideologia, independentemente dos problemas das pessoas."


FONTE: Público On-line

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Rita Lee - As Loucas (música e letra)


Eles amam as loucas
Mas se casam com outras
Eles amam as loucas
Mas se casam com outras

Loucas fatais, loucas de pedra
Loucas varridas, loucas fodidas
Loucas molhadas, loucas taradas
Loucas fetiche, loucas de haxixe

Eles amam as loucas
Mas se casam com outras
Eles amam as loucas
Mas se casam com outras

Para o jantar, as educadas
Para o noivado, as comportadas
Para um negócio, as poucas
Para uma sacanagem, as loucas
Eles amam as loucas
As loucas, eles amam as loucas

As loucas, eles amam as loucas
Mas se casam com outras
Eles amam as loucas
Mas se casam com outras



sábado, 31 de março de 2012

Querem rir-se? Muito? - O feminismo visto por um padre

Perante isto nem sei se rir ou se chorar... é verdadeiramente lamentável. Do início ao fim, cheio das ideias mais improváveis de serem expostas no século XXI. Senhor padre, século XXI. hum? sim?


47 - Parresía: Feminismo, o maior inimigo das mulheres




FONTE: Blogue A Funda São
sugestao de: anónimo.



No youtube este vídeo ainda se faz acompanhar do seguinte texto:

Carregado por padrepauloricardo em 03/02/2012

« A sociedade moderna está mergulhada no conceito de igualdade. Cada vez mais luta-se para equiparar o homem à mulher e vice-versa. Se a igualdade pretendida fosse em relação aos direitos civis, cuja necessidade é inegável, não seria, de fato, um problema. Porém, o que acontece é que esta sociedade moderna, eivada do relativismo cultural, quer é transformar a mulher no novo homem e o homem na nova mulher, invertendo e pervertendo os valores mais elementares.

Deus criou o homem e a mulher em igual dignidade, mas quis que houvesse uma diferença entre os dois gêneros.
Esta diferença em "ser homem" e "ser mulher" faz com que exista uma complementariedade entre eles. Foram criados por Deus para formarem um conjunto, não um se sobrepondo ao outro, mas em perfeita sintonia um com outro. Lutar contra esse projeto, fazendo com que a mulher tente, por todos os meios, ocupar o lugar do homem é lutar diretamente contra o projeto de Deus, contra a natureza humana.

A liberação sexual promovida pelos métodos anticoncepcionais, longe de trazer a sensação de igualdade entre o homem e mulher, transformou a mulher numa máquina de prazer
, pois agora ela sabe que pode ter uma vida sexual ativa sem a consequente gravidez. Não precisa ter compromisso com o parceiro, não precisa sentir-se segura ou amada. Ledo engano. O que se vê são cada vez mais mulheres frustradas, depressivas, olhando para trás e percebendo que estão vazias, correndo contra o tempo para manterem-se jovens, pois nada mais têm a oferecer que não o invólucro.

A liberdade da mulher, na verdade, transformou-se numa prisão. Hoje, elas se vêem presas a estereótipos ditados pela agenda feminista, cujo maior objetivo é destruir a essência da mulher, igualando-a ao homem. Transformando seus úteros em lugares estéreis e varrendo para debaixo do tapete o instinto natural da espécie: a maternidade.

Portanto, urge que cada mulher, criada à semelhança de Deus, recupere o seu lugar na Criação. Que a mulher seja mulher em toda sua plenitude!! »


O que dizer? a nossa prisão és tu
e aqueles que seguem o que ditas?

De que serve ser-se um homem de Deus na realidade? Apenas fazem uso da autoridade que lhes é dada para interpretarem o mundo à sua maneira. Isto é, reinterpretam o mundo, segundo a sua própria interpretação da bíblia (de uma forma tão egoista quanto possível) e influenciam os outros a interpretarem-na da mesma forma.

Há uma palavra para definir o seu comportamento:

MANIPULAÇÃO.



terça-feira, 27 de março de 2012

Há uma mensagem feminista em Lady Gaga?


«Bad Romance: Women's Suffrage is a parody music video paying homage to Alice Paul and the generations of brave women who joined together in the fight to pass the 19th Amendment, giving women the right to vote in 1920.»



FONTE: youtube


Esta foi uma produção da Soomo Publishing, empresa que pratica uma forma de educação (sobretudo sobre temas histórico) diferente e inovadora. Com o director Tim Alden Grant, foi produzido por Lisa Corum e escrito por Emília Fuentes Grant.

Este é o site oficial do Bad Romance Women's Suffrage.

E a letra adaptada pode ser vista aqui.

Aqui fica também o vídeo original (e oficial) da música Bad Romance de Lady Gaga:




Violência sexual quase impune na Europa, diz ONU

[tem meio ano, mas é capaz de ainda estar actual ;) ]


No relatório sobre igualdade entre homens e mulheres, elaborado pelas Nações Unidas, a Europa aparece entre as melhores zonas do globo, mas continua a ter problemas. Um deles é a dificuldade em provar em tribunal os casos de violação. Apenas 14% dos processos abertos por violação terminam em condenação.

Apesar de a igualdade entre sexos estar reconhecida em 139 dos 192 países membros da ONU, há ainda 603 milhões de mulheres em todo o mundo que não têm qualquer protecção legal relativamente à violência doméstica. Além disso, há ainda mais países onde a violação conjugal não é considerada explicitamente um crime, ou seja, "2600 milhões de mulheres em 52 países podem ser violadas pelos seus maridos sem que estes sofram qualquer castigo", descreve o El País.

Quanto à Europa, um dos problemas centrais é o processo em tribunal. Em 2009, em média, nos países sobre os quais havia dados, apenas 14% das queixas resultaram em condenações. Na Bélgica essa cifra não passou dos 5%. Em Portugal foi de 16%. "Isto, somado ao custo do processo, às dificuldades práticas, à debilidade dos sistemas judiciais e ao estigma social, leva a que o índice de abandono [do processo] seja elevado"; escreve o jornal espanhol. Percentagens que excluem o número elevado de agressões em que nem sequer é apresentada qualquer queixa.

Segundo o relatório da ONU Mulheres, o sexo feminino continua a ser vítima de "injustiças, violência e desigualdades no lar e no trabalho", muitas delas baseadas em costumes e religião, factores que se verificam também nos países desenvolvidos. Há países onde as mulheres ganham 30% menos que os homens quando exercem as mesmas funções. Metade das trabalhadoras do mundo não tem qualquer protecção das leis laborais e num terço dos países há profissões que as mulheres estão proibidas de exercer, por motivos "paternalistas". As Nações Unidas relacionam esta desigualdade com questões familiares: quando o homem assume uma maior proporção das tarefas domésticas, "a diferença salarial é inferior".

Na vida pública a desigualdade também se faz sentir. As mulheres ocupam apenas 19% dos lugares nos parlamentos. Há 28 países que passaram a barreira dos 30%, mas a maioria foi à custa das quotas.

SUGESTÃO DE: Fúser

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Filhas de Eva (crónica de João Teixeira Lopes no P3)

Da feminização da população activa aos direitos sexuais e reprodutivos; da entrada em força nas profissões de onde estavam excluídas (por uma suposta “natureza biológica” que determinava uma “vocação social”) à predominância quantitativa e qualitativa (em termos de sucesso escolar) nos vários níveis de ensino, tudo parece confluir para que consideremos a alteração dos lugares e das identidades femininas como uma das mais explosivas mudanças sociais das últimas décadas.

Mas, nas entranhas das rupturas, permanecem os paradoxos de um país onde se vive uma estranha mescla entre o rural e o urbano, o arcaico e o moderno, o preconceito e a emancipação. Portugal não segue, para desespero dos mais ortodoxos, modelos clássicos de evolução social.

Elas são melhores em termos de resultados escolares. Mas são também tendencialmente mais submissas à disciplina e à ordem escolar. Nas empresas, mesmo quando detêm uma certificação escolar e níveis de autonomia e até de autoridade homólogos aos dos seus colegas masculinos, continuam a auferir remunerações inferiores. Quando é necessário contratar contingentes de mão-de-obra flexíveis, intermitentes e polivalentes, elas são as preferidas, prolongando a velha crença de que, sendo mulheres, arrecadam o segundo salário, logo, o subalterno no seio dos rendimentos familiares.

As tarefas educativas das políticas públicas – escolas, departamentos educativos de museus, bibliotecas; etc. – são-lhes preferencialmente confiadas, numa aproximação, nada subliminar, à ideologia maternal (na sua dupla vertente: educar é feminino e educar deve ser mal pago, porque pode e deve conciliar-se com outras tarefas).

Mesmo nas famílias, onde o casamento é cada vez mais um projecto e o divórcio um ajustamento; em que as relações sexuais pré-conjugais separam sexualidade e procriação, em que a divisão sexual das tarefas surge retoricamente como inexorável – mesmo aí, ei-las a acumular tarefas, a conciliar trabalho e carreira (quando a há…), lides domésticas, educação dos filhos, cuidado dos mais velhos e lazeres.

Na esfera da apresentação de si, libertam-se um pouco das correntes da “boa aparência”. Mas a tirania do corpo perfeito; a obrigação de certas posturas e roupagens; o “trabalhar” da “máscara” e do “look” – é sobre si que apertam. Não por acaso, os casos de anorexia, em que a pressão social da perfeição corporal performativa atinge o paroxismo, são em larga parte femininos. Sexualmente hedonistas, representam ainda assim os afectos como uma certa legitimação da sua expressão erótica.

Até nos usos da Web 2.0, as diferenças irrompem: elas passam menos tempo na Net (porque as tarefas são múltiplas), gerem a sua identidade com precaução e privilegiam a comunicação aos negócios. Emancipação mitigada, dir-se-ia, e em tempos descontínuos. Paradoxo dos paradoxos, sabe-se agora que as jovens portuguesas, que vão preferindo a união de facto e casando tardiamente, são, a nível mundial, das que menos filhos têm.

Uma vez mais, misturam-se laivos de desenvolvimento (controle da natalidade; dissociação entre conjugalidade, casamento e reprodução) com entraves de atraso estrutural (não há dinheiro para ter filhos, habitar casa própria e construir um percurso de autonomia). Este país desafia os estereótipos sociológicos e é um laboratório fascinante de estudo. Mas cansa, na sua injustiça. Elas que o digam.


Texto de João Teixeira Lopes (sociólogo e docente na Universidade do Porto)
Fonte: P3

domingo, 18 de setembro de 2011

"Mulheres portuguesas ganham menos 18 por cento que os homens"


« As mulheres portuguesas ganham, em média, menos 18 por cento que os homens (181 euros), apesar de a sua participação no mercado de trabalho ter aumentado nos últimos anos, segundo um estudo da CGTP. Hoje decorre em Varsóvia o Congresso Europeu da Mulher.

De acordo com o estudo sobre a desigualdade entre homens e mulheres no trabalho, a taxa de actividade feminina é de 56 por cento, menos 11,9 pontos percentuais do que a taxa de actividade masculina, que é de 67,9 por cento.

O estudo, elaborado com base em dados do INE - Instituto Nacional de Estatística, refere que em Portugal as mulheres representam 47,3 por cento da população activa e 47 por cento do emprego total.

No entanto, a remuneração base média mensal dos homens (1.003,7 euros) era no ano passado superior em 18 por cento à das mulheres (822,7 euros). Se o referencial for o ganho médio mensal e não apenas o salário base, então a diferença ainda é maior, de 21,6 por cento.

O sector da saúde e do apoio social é aquele onde a diferença salarial é maior (33,5 por cento). Em média os homens ganham 1.202,05 euros e as mulheres 798,91 euros (menos 403,14 euros). A diferença é menor no sector do comércio. Os homens ganham em média 1.122,03 euros por mês, enquanto as mulheres ganham 910,29 euros, o que corresponde a menos 19 por cento (211,74 euros).

São também as mulheres que representam a maioria dos trabalhadores que auferem o Salário Mínimo Nacional - 12,3 por cento, enquanto para os homens essa percentagem é de 5,9 por cento.

Eurodeputada Edite Estrela quer legislação para acabar com diferenças

A eurodeputada Edite Estrela, vice-presidente da comissão dos Direitos da Mulher e da Igualdade de Género, defendeu hoje a necessidade de serem aplicadas na União Europeia medidas legislativas para acabar com a diferença salarial entre homens e mulheres.

Edite Estrela vai representar o Parlamento Europeu no Congresso Europeu da Mulher, que decorre hoje em Varsóvia, no âmbito da Presidência Polaca da UE. “Vou aproveitar este congresso para reafirmar a necessidade da Comissão Europeia apresentar medidas que garantam a igualdade salarial entre homens e mulheres e também a participação da mulher nos processos de decisão, a todos os níveis, incluindo das administrações das grandes empresas”, afirmou.

Segundo Edite Estrela, as mulheres ainda estão muito pouco representadas nas administrações das empresas da União Europeia, apesar de representarem 60 por cento dos licenciados que saem das universidades.

“Só um em cada 10 membros de administrações das maiores empresas europeias são mulheres e 97 por cento dos presidentes dessas empresas são homens”, salientou.

Para a eurodeputada socialista a solução para esta situação só será conseguida com a aplicação de leis para a paridade, que “as empresas vão ter de cumprir”.

O 3º Congresso Europeu é o maior evento internacional dedicado às questões sociais durante a Presidência semestral da Polónia e conta com a presença da Comissária Europeia para Justiça e Direitos Fundamentais, de vários ministros europeus responsáveis pela pasta, e de especialistas e representantes de organizações não-governamentais dos 27 Estados membros da EU. »


domingo, 21 de agosto de 2011

Senhora

- Senhora, o que te faz tão franzida
Tão refeita
Tão suspeita?
Quem escolhe a mansa vida
Verá bem o que rejeita.

- Vai e traz-me um cabelo
Dum dragão enamorado
Pois se me falas de amor
Quero vê-lo feito e provado.
à volta dar-te-ei guarida
Sentar-te-ei a meu lado.

- Senhora, o que te traz tão sujeita
Tão faltosa
Suspirosa?
Quem fia, borda, ajeita
Murcha cedo como a rosa
Não tem ciência nem prosa
Não sabe o nome que aceita.

- Vai roubar o setestrelo
A um deus mau e zangado
Pois se me dizes saber
Quero prová-lo, e habitado.
à volta dar-te-ei suspeita
De que não estás do meu lado.

- Senhora, o que te jaz tão famosa
Tão ausente
Tão pugente?

- Quem escolhe, parte e rejeita.
Quem parte, vai e não colhe.
Quem vai, faz e não ama.
Quem faz, fala e não sente.
São teus olhos os sujeitos
São de granito os meus peitos.
Quem fia, borda e ajeita,
Quem espera, fica e não escolhe,
Quem cala, quieta na cama,
Sou eu deitada a sentir
Tua roda de fugir
Tua cabela em meu ventre.

11/3/71

As Três Marias - Novas Cartas Portuguesas
( Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta, Maria Velho da Costa )

terça-feira, 21 de junho de 2011

A segunda figura do Estado português é uma mulher


Depois de Maria de Lourdes Pintasilgo ter ocupado o cargo de Primeiro-Ministro, em Portugal, de '79 a '80, Maria Assunção Esteves foi hoje nomeada para o cargo de Presidente da Assembleia da República, a segunda figura do Estado, o mais alto cargo alguma vez ocupado por uma mulher em Portugal.



"Assunção Esteves eleita Presidente da Assembleia por maioria confortável


Assunção Esteves foi eleita para a Presidência da Assembleia da República por 186 votos, ficando a 18 votos do resultado obtido em 2009 por Jaime Gama - que foi o presidente da AR mais votado desde o 25 de Abril - mas que mesmo assim é uma maioria confortável.

A candidata do PSD obteve ainda 41 votos brancos e dois nulos. Votaram 229 deputados, tendo faltado um.

Assunção Esteves torna-se assim na primeira mulher a assumir o cargo que representa a segunda figura do Estado.

Assunção Esteves, de 54 anos, foi a primeira mulher a desempenhar o cargo de juíza no Tribunal Constitucional, onde esteve entre 1989 e 1998, e também a única eurodeputada eleita para o Parlamento Europeu nas eleições de 2004, pela lista de coligação Força Portugal (PSD/CDS-PP).

Licenciada em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa, onde também fez um mestrado em Ciências Jurídico-Políticas, Assunção Esteves foi eleita deputada pelo círculo de Vila Real, em 1987, na primeira maioria absoluta liderada por Cavaco Silva, escreve a Lusa.

Entre 1989 e 1998, Maria Assunção Andrade Esteves, nascida em Valpaços a 15 de Outubro de 1956, foi juíza do Tribunal Constitucional, escolhida pela Assembleia da República. Em 2002, voltou ao Parlamento, durante a vigência do governo liderado por Durão Barroso, tendo assumido nessa legislatura a presidência da Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

Desde 1976, depois do socialista Henrique de Barros ter presidido à Assembleia Constitucional, a Assembleia da República teve 11 presidentes diferentes. Assunção Esteves é a décima segunda e a primeira mulher a ocupar o cargo. Os anteriores foram os seguintes : Vasco da Gama Fernandes (PS), Teófilo Carvalho dos Santos (PS), Leonardo Ribeiro de Almeida (PSD), Francisco Oliveira Dias (CDS), Tito de Morais (PS), Fernando Amaral (PSD), Vítor Crespo (PSD), Barbosa de Melo (PSD), Almeida Santos (PS), Mota Amaral (PSD), e Jaime Gama (PS)."


Fonte: Público



No seu discurso reservou uma nota de luta feminista: 

"Dedico este meu momento de alegria a todas as mulheres, às mulheres políticas, que trazem para o espaço público o calor da entrega e a matriz do amor, mas sobretudo, às mulheres anónimas e oprimidas. Farei de cada dia um esforço para a redenção histórica da sua circunstância".


segunda-feira, 20 de junho de 2011

Manifesto e Protesto SLUTWALK Lisboa


"SlutWalk* Lisboa – pela autodeterminação sexual em todas as circunstâncias


* SLUT, galdéria, desavergonhada, puta, descarada, vadia, badalhoca, fácil.


Em Janeiro de 2011 um polícia afirmou em Toronto que as mulheres devem evitar vestir-se de forma provocante se não quiserem ser violadas. A SLUTwalk Lisboa junta-se à vaga de indignação que esta afirmação causou um pouco por todo o mundo.

Recusamos totalmente a culpabilização das mulheres face a situações de violência sexual. Mude-se as leis, mude-se quem agride. Mude-se a cultura patriarcal que diz às mulheres para não serem violadas, em vez de dizer aos homens para não violarem. Mude-se a moral dominante, onde SLUTs são todas as mulheres que não se limitam à sexualidade heterossexual, monogâmica e reprodutora.

Se SLUT – galdéria, desavergonhada, puta, descarada, vadia, badalhoca, fácil – é uma mulher que decide sobre o seu corpo, sobre a sua sexualidade, e que procura prazer, então, somos SLUTs, sim!

Não queremos piropos sexistas, não queremos paternalismo, não queremos violência sexual. Dizemos não, por mais cidadania. Dizemos não, por mais democracia. Dizemos não, por mais liberdade.

Se ponho um decote… Não é Não!
Se pus aquelas calças de que tanto gostas… Não é Não!
Se uso burqa… Não é Não!
Se durmo com quem me apetece… Não é Não!
Se passo naquela rua… Não é Não!
Se vamos para os copos… Não é Não!
Se me sinto vulnerável… Não é Não!
Se sou deficiente… Não é Não!
Se saio com xs maiores galdérixs…Não é Não!
Se ontem dormi contigo… Não é Não!
Se sou trabalhadora sexual… Não é Não!
Se és meu chefe… Não é Não!
Se somos casadxs, companheirxs, namoradxs… Não é Não!
Se sou tua paciente… Não é Não!
Se sou tua parente… Não é Não!
Se tenho relações poliamorosas… Não é Não!
Se sou empregada de hotel… Não é Não!
Se tens dúvidas se aquilo foi um sim, então… Não é Não!
Se não entendes a língua que eu falo… Não é Não!
Se beijo outra mulher no meio da rua… Não é Não!
Se tenho mamas e pila… Não é Não!
Se disse sim e já não me apetece… Não é Não!
Se adoro ver pornografia… Não é Não!
Se ando à boleia… Não é Não!
Se estamos numa festa swing, numa sex party ou numa cena BDSM… Não é Não!
Se já abrimos o preservativo… Não é Não!

NÃO é sempre NÃO. Quando é SIM, não há ambiguidades ou dúvidas porque sabemos o que queremos e sabemos ser claras. "


Protesto no dia 25 Junho no Largo de Camões, Rossio, às 17.30h


Fonte: http://slutwalklisboa.wordpress.com/

sábado, 7 de maio de 2011

"Coco Chanel - A Revolucionária da Moda"



"Quando, em 1999, a revista americana Time elaborou uma lista das cem personalidades mais marcantes do século XX, constava dela uma mulher cuja vida foi dedicada à moda, ao estilo, à elegância feminina. Coisas demasiado fúteis para lhe valer tal estatuto, poderá pensar-se. Coco Chanel, porém, foi tudo menos fútil. E não se limitou a fazer moda. Através das suas criações inspiradas e arrojadas, «madmoiselle», como a tratavam os colaboradores, fez uma autêntica revolução de mentalidades.

Ao longo da primeira década de 1900, Freud publica A Interpretação dos Sonhos, Marconi faz a primeira radiotransmissão, Einstein formula a teoria da relatividade, o pioneiro da aviação Santos Dumont sobrevoa Paris e Chanel... abre o seu primeiro salão de costura, no nº 21 da Rue Cambon, em Paris. Ali, onde se situa ainda hoje a Casa Chanel, mudará para sempre a forma de vestir das mulheres, libertadas do constrangedor espartilho pouco tempo antes por Paul Poiret.

Um contributo à primeira vista pouco relevante para a Humanidade, argumentar-se-á. Mas inquestionavelmente mais importante do que muitas manifestações sufragistas, contrapomos.

A verdade é que o estilo de vida das mulheres independentes, ativas e trabalhadoras teria sido mais difícil sem esta pioneira que ousou tornar a elegância confortável, permitindo uma liberdade de movimentos antes impensável, e que se tornara tão necessária na hora de dançar o frenético charleston como no momento de entrar e sair dos recém-criados automóveis...

Chanel começou por introduzir no seu próprio guarda-roupa peças então exclusivamente masculinas - algumas do universo desportivo - como as calças, o blaser ou os cardigãs de lã, e a substituir os rígidos modelos cintados e de amplas e incómodas saias compridas que as senhoras da alta sociedade dos séculos anteriores vestiam por modelos fluidos, de cintura descaída e com a perna à mostra. E fez o mesmo com os chapéus, a primeira peça a que se dedicou, reduzindo-os para tamanhos ergonómicos e estilizando-lhes os enfeites. Dizia, aliás, com humor, que os modelos imensos, hiper-ornamentados e pesadíssimos que se usaram nos séculos XVIII e XIX só podiam afetar o cérebro das suas portadoras. Foi ela, também, a primeira a usar o cabelo curto à la garçonne que se tornou imagem de marca dos Loucos Anos 20.

Entre os "atrevimentos" de Chanel que fizeram história e se tornaram obrigatórios conta-se, por exemplo, o vestido preto básico, nascido em 1926 e pensado para ser usado tanto no dia-a-dia como em eventos mais formais, desde que conjugado com os acessórios certos. Num tempo em que para as mulheres o preto era a cor de luto, Coco transformou-o no oposto: na cor das festas!

Defensora de que a moda deve descer das casas de costura e não o contrário, Coco adotava sempre em primeira mão os seus modelos - privilegiando as cores que preferia, o preto, o bege e o branco -, sendo depois seguida pelas mundanas emancipadas e, só muito mais tarde, pelas massas. Não se pense, porém, que a criação visual Chanel dos primeiros anos, com um toque colegial algo andrógina, presidiu o desejo de masculinizar a mulher e retirar-lhe elegância. Pelo contrário, Coco Chanel, que apesar das suas origens humildes, se movimentou na alta sociedade e conviveu de perto com a nata das vanguardas artísticas do seu tempo - entre as amizades contavam-se nomes como Picasso, Cocteau, Stravinsky, Tulouse-Lautrec, Renoir, Mallarmé, Proust ou Colette -, tinha com a elegância, a beleza, a estética e o luxo numa relação privilegiada, intuitiva, feita de equilíbrio e descrição, pois abominava a vulgaridade, a ostentação e o excesso.

Filha de um feirante, Albert Chanel, e de uma costureira, Jeanne Devolle, Gabrielle Bonheur Chanel nasce a 19 de Agosto de 1983, em Saumur, no noroeste de França. A mãe morre e exaustão aos 33 anos, quando ela tem apenas 12 anos, e pouco depois o pai parte para a América, abandonando-a e aos 5 irmãos, aos cuidados de familiares, que rapidamente entregam as raparigas a um orfanato e mandam os rapazes trabalhar numa quinta. Aos 18 anos, Gabrielle é enviada para um convento para aprender costura e, 3 anos depois, entra numa casa de confeção de enxovais.

Pouco interessada em seguir os passos da mãe e ser apenas uma «costureirinha», Gabrielle anda nos 24 anos quando, de visita a um tio, em Vichy, começa a cantar num café-concerto frequentado pelos oficiais pelo regimento local. Pequena, magra e bonita - numa palavra, mignone -, conquista uma legião de admiradores que passa a tratá-la por Coco, em alusão a uma canção que interpreta muitas vezes, Qui qu'a vu Coco dans le Trocadero. Entre eles, Étiene Balsan, um nobre rico que se apaixona por ela e a leva para o seu castelo. O romance durará pouco, mas a amizade perdurará, e Étiene, que a introduz na alta sociedade, aprentá-la-á também ao grande amor da sua vida, o inglês Arthur Capel, conhecido por Boy, com quem Coco manterá uma ligação de 10 anos, que terminará dramaticamente com a morte do empresário e famoso jogador de polo num acidente de automóvel, na véspera de Natal de 1919.

Coco podia ter vivido à custa dos homens ricos e influentes com quem se envolveu, mas essa não era definitivamente a sua ideia de independência. Por isso, nunca se casou, e, mesmo não rejeitando o incentivo e apoio monetário de alguns desses homens, nomeadamente de Capel, que financiou a sua primeira loja de chapéus, nunca deixou de trabalhar arduamente. E com talento, dedicação e uma vontade férrea, a menina humilde de Saumur acabou por ser, de facto, muito mais do que uma «costureirinha».

«A moda tem que ver com ideias, com a forma como vivemos, com o que está a acontecer», disse Chanel um dia. Ela própria acabou por ter a noção de que, mais do que ornamentar os corpos femininos, estava a transformar a moda numa filosofia de vida. Porque teve a capacidade visionária de antecipar o que o mundo em vertiginosa evolução ia exigir às mulheres. Em troca, elas permitiram-lhe construir um verdadeiro império. Que seria temporariamente ameaçado pelos sonhos imperialistas de Hitler, pois em 1939, sem matérias-primas nem clientela, Chanel dispensa todo o pessoal e encerra o salão. Mas não deixa Paris. Instala-se numa suite do Hotel Ritz (passará aí os últimos anos de vida) e envolve-se com um oficial das SS, Hans von Dincklage, que a apoia na tentativa de aproveitar o anti-semitismo do momento para tentar recuperar a totalidade dos direitos do seu famoso e mundialmente vendido Chanel Nº 5 - o perfume que Marilyn Monroe «vestia» para dormir -, concebido em 21 pelo seu «nez», Ernst Beau, mas produzido e comercializado, desde 24, por dois irmãos judeus que tinham 80 por cento dos direitos, Pierre e Paul Wertheimer (sócios da empresa de cosméticos Bourjois e cujos descendentes possuem hoje a totalidade da casa Chanel).

No pós-guerra, valeu-lhe a intervenção do seu amigo Winston Churchill para não sofrer consequências mais pesadas, mas viu-se obrigada a exilar-se na Suíça até 54. De regresso a Paris, por pressão dos Wertheimer, que tinham recuperado todo o seu património, mostra, aos 71 anos, que a sua criatividade continua em forma, concebendo o famoso tailleur em tweed, com quatro bolsos de chapa e botões jóia, que deveria usar-se com um camiseiro de ceda e dois outros must Chanel: o scarpin de duas cores e a mala acolchoada com corrente dourada. A versão ultra feminina, elegantíssima, do fato de homem, ideal para o novo papel que as mulheres começavam a desempenhar: o de executivas.

Nos anos 60, porém, Madmoiselle será confrontada com um fenómeno que a horroriza: o visual flower power, que nasce nas ruas, pela mão dos hippies, e influencia o que se faz nas casas de costura. Chanel detesta tudo no visual dos jovens desta época, dos cabelos compridos dos hippies às minissaias criadas por Mary Quant, e recusa-se a aderir. Aos 87 anos, e já incapaz de acompanhar os ares do tempo, vai-se fechando em si própria e morre isolada a 10 de Janeiro de 1971.


Ana Paula Homem."

Fonte: Caras (07 de Maio de 2011)

sábado, 11 de dezembro de 2010

São estas pequenas coisas que me irritam

Há dias recebi este e-mail:


"AGRADEÇO...

À MINHA MULHER, por dizer que teremos ao jantar só pão com manteiga, porque ela está em casa comigo e não em algum outro lugar, não sei onde!


AO MEU MARIDO, ESPARRAMADO COMO UM PURÉ DE BATATA, A LER NO SOFÁ, porque ele está comigo e não a tomar uns copos em algum bar... 


À ADOLESCENTE CÁ DE CASA, QUE ESTÁ RECLAMANDO POR TER QUE LAVAR A LOUÇA, porque isso significa que está em casa, e não deambulando pelas ruas...


PELAS BRONCAS DO CHEFE, pois isto significa que estou empregado...


PELA BAGUNÇADA EM QUE FICOU A CASA DEPOIS DA FESTA, porque isso significa que estive rodeado de amigos...


PELAS ROUPAS QUE ME ESTÃO A FICAR "JUSTAS", porque estou de saúde e tenho o suficiente para comer…


PELA MINHA SOMBRA QUE ME ACOMPANHA, porque isso significa que ando fora e ao sol...


PELA RELVA QUE PRECISA SER CORTADA, PELAS JANELAS QUE PRECISAM SER LIMPAS, E PELAS PERSIANAS AVARIADAS, porque isso significa que tenho uma casa...



POR TODAS AS QUEIXAS QUE FAÇO CONTRA O GOVERNO, porque isso significa que temos liberdade de expressão...



PELO LUGAR QUE SÓ CONSEGUI NO FIM DO PARQUE DE ESTACIONAMENTO, porque tenho carro e posso caminhar...



PELA CONTA MONSTRUOSA DE ENERGIA QUE PAGO, porque isso significa que tenho conforto em casa...



PELA SENHORA DESAFINADA QUE CANTA ATRÁS DE MIM NA IGREJA, porque isso significa que tenho ouvido...



PELA PILHA DE ROUPAS PARA LAVAR E PASSAR porque isso significa que tenho família...



PELOS MÚSCULOS DORIDOS E A FADIGA AO FINAL DO DIA, porque isso significa que fui capaz de ter um dia preenchido...


PELO DESPERTADOR QUE DE MANHÃ ME ABORRECE, porque isso significa que continuo vivo...


ESTOU GRATO PELOS "PALERMAS" DOS MEUS COLEGAS DE TRABALHO,
porque tornam o dia mais divertido e interessante...


[e, finalmente, por receber montes de e-mails, pois isso significa que os amigos pensam em mim!!! manda isto para quem gostas, como eu fiz contigo!... ]"

Concordo que há pessoas que se queixam por tudo e por nada e que isso não é saudável, mas... Percebem o que nos é aqui proposto? Querem que nos conformemos com a mediocridade. Nesta optica, se uma miúdo reprovar todos os anos não importa, pelo menos anda na escola; se um norte-coreano vir a sua família toda ser morta não faz mal, pelo menos está vivo, ah, e tem boa visão.

Depois, claro, notem que quase tudo o que está ali escrito é em relação à mulher. É como quem diz: "trabalha e não reclames, anda, não me chateies porque por me teres a mim e à família que eu te dei já é motivo suficiente para estares agradecida".

Mas o que é isto? A natureza humana é exigir sempre mais. e esse é o motor da evolução. Se sentimos que estamos mal e agradecemos pelo lado positivo da coisa para nos, em certa forma, despreocuparmos com o lado negativo não haverá evolução nenhuma.


Por favor, exijam sempre mais! Não se conformem com o que têm.



sábado, 27 de novembro de 2010

Números Preocupantes ( mas não surpreendentes )


Venho apenas deixar uma notícia que contém dados que falam por si. São números divulgados a propósito do Dia Internacional da Mulher que se "celebra" a 8 de Março. Apesar de ser contra os dias internacionais, mundiais, nacionais ou o que seja, quero apenas referir que este dia não trata de celebrar a mulher. É, antes, um protesto, uma memória que deveriam ser mantidos todos os outros dias do ano. Não se trata de exaltar as qualidades da mulher. Trata-se do assumir de uma luta que não deveria deixar ninguém indiferente. Grite sempre, e não apenas hoje. Celebre só depois de terminar de gritar..




"Dia das Mulheres: as mesmas lutas há 100 anos


A violência contra as mulheres e a discriminação laboral continuam a ser as grandes lutas, cem anos após a Dia Internacional da Mulher, que hoje se comemora em todo o mundo.

Nos últimos dias, relatórios nacionais e internacionais voltaram a chamar a atenção para o facto de as mulheres continuarem a ter mais dificuldade em ascender a lugares de topo. Em Portugal, por exemplo, a participação da mulher no mercado de trabalho é das mais elevadas da União Europeia, mas apenas 16 por cento exerce cargos de chefia.

No ano passado, a maior parte dos 2,4 milhões de mulheres empregadas fazia parte do "pessoal dos serviços e vendedores" ou exercia profissões não qualificadas.

Num mundo laboral ainda dominado por homens, é mais fácil uma mulher chegar a cargos políticos, nomeadamente a Chefe de Estado, do que a presidente ou diretora executiva de empresas privadas multinacionais.

No entanto, existem apenas 10 mulheres no atual Governo - não chega a 19 por cento do total dos governantes - e no Parlamento, as portuguesas ocupam apenas 63 das 230 cadeiras do hemiciclo (27,4 por cento do total de deputados).

Mesmo quando desempenham funções iguais, existem fortes riscos de os salários serem diferenciados, com eles a ganharem mais do que elas. A disparidade salarial média entre homens e mulheres na União Europeia é atualmente de 18 por cento, sendo que em Portugal é de 9,2 por cento.

No entanto, dados da presidente da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), mostram uma realidade ainda mais preocupante: as diferenças salariais rondam os oito por cento nas profissões indiferenciadas, mas "nos cargos de topo e lugares decisórios verifica-se mais de 30 por cento de diferença salarial entre homens e mulheres".

Apenas em um terço das famílias portuguesas, a mulher tem um rendimento superior ao do marido.

E na hora de ver os índices de desemprego, as mulheres aparecem como as grandes vitimas. A nova presidente da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, Sara Falcão Casaca, lembrou que há uma "sobrefeminização" do desemprego e uma em cada quatro mulheres estão em situação de precariedade laboral.

Os números de queixas feitas à CITE mostram essa realidade: entre 2008 e 2009 quadruplicaram o número de denuncias, na maior parte das vezes relacionada com a não renovação de contratos de grávidas ou recém mães.

Em 2008, a CITE recebeu 36 queixas, um número que disparou no ano seguinte atingindo as 164 queixas.

Também os funcionários da Linha Verde da CITE viram duplicar o seu trabalho em 2009, ano em que atenderam quase duas mil chamadas relacionadas com problemas laborais de grávidas e recém mães ou pais em licença de paternidade.

No total, a procura de esclarecimentos telefónicos mas também por escrito junto da CITE duplicou: de pouco menos de dois mil em 2008 para mais de quatro mil em 2009.

E, quando termina o dia de trabalho, as mulheres ainda têm pela frente mais 16 horas de labuta semanal em relação aos homens, porque as lides domésticas ainda são uma tarefa "delas": "Quando olhamos para os gráficos de tempo de trabalho pago e não pago, as mulheres trabalham em média mais 16 horas por semana", contou à Lusa Natividade Coelho, presidente da CITE.

Para combater esta realidade, que é um problema mundial, a Comissão Europeia adotou na semana passada uma Carta da Mulher, onde se assume uma série de compromissos a cumprir até 2015, nomeadamente a promoção da igualdade no mercado de trabalho e igual independência económica para as mulheres e os homens. "


Fonte: Sapo / LUSA ( 08 de Março de 2010 )