Mostrar mensagens com a etiqueta vegetarianismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta vegetarianismo. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

«Sou vegetariana porque sou feminista»


«O feminismo ensinou-me a impor-me e a resistir a todas as formas de violência, crueldade, opressão, hierarquia, guerras, militarismos, sobre-exploração da natureza e discriminação. Ensinou-me a derrubar preconceitos, estereótipos e a reconhecer que à partida tudo, todos e todas somos merecedoras de consideração igual. Foi também o feminismo que me ensinou a posicionar-me perante a maior de todas as opressões: o especismo, e dentro dele a dupla opressão sobre animais fêmeas.

A exploração sobre animais fêmeas, em particular sobre vacas, galinhas ou porcas, implica actos de uma violência brutal como violações manuais ou mecânicas, exploração abusiva das suas glândulas mamárias (no caso dos mamíferos) e a separação imediata das suas crias após cada parto (depois da gravidez induzida através das técnicas de violação).A violação através de rape-rack, por exemplo, consiste em introduzir o braço do ou da inseminadora (violador/a) no recto até ao colo do útero para posiciona-lo e com a outra mão forçar a penetração do instrumento pela vagina.Durante a gravidez, passada em baterias minúsculas, as fêmeas pouco mais podem fazer para além de se baixarem ou levantarem. Após o parto, as suas crias são retiradas de imediato. Se forem machos, são fechados em caixas sem espaço para garantir que os seus músculos e articulações não se desenvolvem e que, então, partes dos seus corpos sejam vendidas como tenros vitelos ou leitões, se forem fêmeas, no caso das vacas, são preparadas para se tornarem vacas leiteiras e viverem uma vida de escravidão. Durante os 7 a 8 meses em que a vaca produz leite, as crias alimentar-se-iam de 5 a 7 vezes por dia. Uma fêmea explorada é obrigada a acumular e carregar cerca de 20 litros de leite todos os dias até que este lhe seja extraído, neste caso apenas uma ou duas vezes ao dia, provocando-lhe danos físicos e sofrimento intenso. Normalmente, e naturalmente, o tempo em que as as crias permanecem com as mães, e são amamentadas, pode ir até aos 9-12 meses de vida. No entanto, enquanto as pessoas consumirem produtos derivados do leite esse tempo é reduzido a minutos. As implicações psíquicas, emocionais e físicas impostas as esses animais durante todo o processo são imensuráveis.

O único período em que as fêmeas podem ter alguma paz e não verem os seus corpos constantemente explorados, acontece quando deixam de produzir leite mas o descanso dura pouco pois são de novo violadas para garantir que engravidam, voltando a ser mercadoria para a industria dos lacticínios. No caso das galinhas de aviário, que para si têm apenas espaço do tamanho de uma folha A4, o seu sistema reprodutor é manipulado através da luz e do alimento para que estejam constantemente a menstruar (pôr ovos).

O feminismo ensinou-me que não posso aceitar passivamente que retiremos o leite de uma mãe para seja mercantilizado ao mesmo tempo em que privamos uma cria do seu alimento devido, muito menos que consumamos e prolonguemos a existência de produtos resultantes de violações, maus-tratos, sofrimento, explorações e manipulações dos corpos e sistemas reprodutores.

Poderia eu ser feminista se ao mesmo tempo impedisse que animais fêmeas tivessem qualquer autonomia sobre os seus próprios corpos, indirectamente, explorando-as, oprimido-as, construindo hierarquias, e violentando-as física e emocionalmente?Ah! E a propósito do dia de hoje (4 de Outubro – Dia Internacional do Animal), o feminismo ensinou-me também que não se hierarquizam nem se invisibilizam lutas.»


Crónica da autoria de Cassilda Pascoal
FONTE: dezanove

terça-feira, 29 de junho de 2010

Discriminação da Mulher = Discriminação dos Animais


"Bem, eu nunca escrevi nada tão literal como o "Meat Is Murder", de Morrissey, mas este é um tema primordial explorado na maior parte do que eu escrevo, e eu, pessoalmente aplico essa premissa tanto para o feminismo como para os direitos dos animais. Eu sei que pode soar estranho querer ligar as duas coisas, mas vou tentar explicar a forma como eu vejo isto. Para começar, vou ser uma completa estúpida pomposa e citar Gandhi por um segundo: "A grandeza de uma nação e o seu progresso moral podem ser julgados pelo modo como os seus animais são tratados." Assim, a forma como a sociedade trata os animais está intimamente relacionada com a forma como trata as mulheres e o fato de não gostarem da maneira que isso soa não faz disso menos verdade. A forma como uma sociedade trata os seus animais tem uma conexão directa muito óbvia com a forma como trata desumanamente as mulheres, porque o que é desumano é desumano, e as atitudes da classe dominante (ou do género, neste caso) sobre uma criatura considerada inferior são as atitudes que se estendem para todas as coisas consideradas como tal.

Assim, não é de admirar que, observando as mulheres e os animais, na sociedade "civilizada" de hoje, o maior dos males esteja ainda acima de ambos? Pelo menos quando uma vaca é abatida, não é pessoal. Quando uma mulher é abusada, geralmente é, e este é um assunto sobre o qual escrevo constantemente."


( Emilie Autumn em entrevista ao PETA2 )


Musica e letra de "meat is murder", por The Smiths, com tradução:





(TRADUÇÃO DE:)

"Well, I've never written anything quite as literal as Morrissey's "Meat Is Murder", but there is an overriding theme of the underdog fighting back in most of what I write, and I personally equate that premise to both feminism and animal rights. I know it may sound strange to connect the two, but I'm going to try and explain the way I see it. To start, I'm going to go ahead and be a total pompous ass and quote Gandhi for a second: "The greatness of a nation and its moral progress can be judged by the way its animals are treated." Now, a society's treatment of animals is closely related to their treatment of women, and the fact that I don't like the way that sounds doesn't make it any less true. The way a society treats its animals has a direct and glaringly obvious connection to its treatment of women because inhumane is inhumane is inhumane, and the attitudes of the ruling class (or gender in this case) on one creature considered inferior are the attitudes it extends toward all things considered such.

And so is it any wonder that regarding women and animals, in our present "civilized" society, the greatest of evils are still enacted upon both? At least when a cow is slaughtered, it isn't personal. When a woman is abused, it usually is, and this is something I write about constantly."


( Emilie Autumn to PETA2 )