terça-feira, 27 de março de 2012

Quem ri por último...


No dia 11 de Dezembro de 2011, recebi um comentário de um Sr. Raphael (que tem conta no blogger com esse nome precisamente desde esse mês), que, muito simpático, disse o seguinte:
Raphael disse...
Naturalmente, para toda ação existe uma reação. Ou em algum momento as feministas pensaram que um movimento cujo o derradeiro objetivo é a subjugação do homem de bem sairia incólume?

Subestimaram a honra, força e inteligencia dos criadores da civilização, agora, paguem o preço!

PS: Cá algo para ler e não dormir: Os Masculinistas Brasileiros
http://blog.homenshonrados.comhttp://www.homenshonrados.com/forum

Como é claro, esse comentário mereceu a atenção que mereceu e só agora me regozijo em ir ver que raio de site/blogue é aquele. "Os Masculinistas Brasileiros"? "Homens Honrados"? deve ser uma coisa fina.

Curiosamente, ao abrir o endereço, fui direccionada para o site da Polícia Federal do Brasil, onde se conta a seguinte notícia:


Operação Intolerância prende responsáveis pelo blog Silvio Koerich

Curitiba/PR - A Polícia Federal em Curitiba deflagrou hoje, 22 de março, a “OPERAÇÃO INTOLERÂNCIA” que identificou os responsáveis pelas postagens criminosas encontradas no site silviokoerich.org. Foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva contra E.E.R. e M.V.S.M., moradores de Curitiba e Brasília, respectivamente.

As investigações iniciaram-se a partir de inúmeras denúncias relacionadas ao conteúdo discriminatório do referido site. Até o dia 14 de março deste ano foram registrados 69.729 denúncias a respeito do conteúdo criminoso do site investigado. As mensagens faziam apologia à violência, sobretudo contra mulheres, negros, homossexuais, nordestinos e judeus, além da incitação do abuso sexual de menores. Os criminosos também apoiaram o massacre de crianças praticado por um atirador em uma escola na cidade do Rio de Janeiro em 2011.

O nome “Sílvio Koerich” foi apropriado indevidamente por E.E.R. em represália a uma terceira pessoa que rejeitou as declarações preconceituosas, homofóbicas e intolerantes postadas em um fórum de debates feminista.

Além dos mandados de prisão preventiva, a Justiça Federal autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão nas residências e locais de trabalho dos criminosos.

Os presos responderão pelos crimes de incitação/indução à discriminação ou preconceito de raça, por meio de recursos de comunicação social (Lei 7716/89); incitação à prática de crime (art. 286 do Código Penal) e publicação de fotografia com cena pornográfica envolvendo criança ou adolescente (Lei 8069/90-ECA).

O nome Intolerância, mais do que indicar a atuação criminosa dos presos, significa a intolerância da sociedade brasileira para com tais condutas, sempre pronta e vigorosamente reprimidas pela PF.

Haverá entrevista coletiva para a imprensa no “Auditório APF Edson Matsunaga”, na sede da PF em Curitiba (Rua Profa. Sandália Monzon nº 210, bairro Santa Cândida, CEP 82640-040), às 10h00, quando serão entregues DVD’s com cópia de parte do material encontrado durante as investigações e que levaram ao decreto judicial de prisão preventiva para a manutenção da ordem pública.

Por: Comunicação Social da Polícia Federal em Curitiba/PR



Digam lá comigo, "Subestimaram a honra, força e inteligencia dos criadores da civilização, agora, paguem o preço!".



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

devagar, devagar...


Irão decide banir execuções por apedrejamento

O Irão alterou o seu código penal para deixar de executar sentenças de morte por apedrejamento e banir a pena de morte para menores condenados em tribunal.

Segundo o anterior código penal, o adultério era um dos crimes em que a pena capital por apedrejamento – também conhecida por lapidação – era aplicada, recordou o “Financial Times”. Activistas iranianos citados por aquele jornal calculam que nas últimas três décadas perto de uma centena de homens e mulheres terão sido apedrejados até à morte por decisão dos tribunais.

Igualmente saudada foi a decisão de proibir os juízes de ordenarem a execução de menores. De acordo com o último relatório da Human Rights Watch, o regime iraniano lidera a lista de execuções de condenados com menos de 18 anos. No ano passado, há notícia de três jovens executados e a organização de defesa dos direitos humanos calcula que haja actualmente uma centena no corredor da morte.

A reforma terá já recebido o aval do Conselho dos Guardiões – o influente organismo que entre outras funções tem por missão garantir que as leis do país não contrariam a lei islâmica (sharia) – e deverá entrar “em breve” em vigor, adianta a imprensa iraniana.


FONTE: Público On-Line

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Desistência? Não a esperem nunca de mim.

Tinha noção de que isto iria acontecer. Apenas desconhecia que viria a ser desta dimensão e de tamanha insistência. O objectivo deste blog sempre foi consciencializar e não nunca tornar-se numa plataforma de ódio gratuito onde se oferecem insultos, ameaças e ridicularizações. Sabia que o machismo era persistente, não fazia ideia de que o anti-feminismo fosse uma expressão tão pesada e construída. Já fui chamada de "vadia" e de "filha da puta" (como se a minha mãe tivesse algo a ver com o assunto) e também já me posso orgulhar de ter recebido ameaças de morte e de vingança.

Por achar que é o mais correcto, praticamente não faço filtragem de comentários. Aceito-os todos, excepto spam. Alguns utilizam um nome, outros são "anónimos". A maioria fala no plural e fala em "guerra", em "ódio" e, mais um vez, em "vingança". Mas qual vingança?! Vão vingar-se de quê? De quem? parece tudo tão despropositado.

É grave. É muito grave que não saibam o que é o Feminismo (sinónimo de luta pela igualdade entre homens e mulheres). Por vezes também recebo críticas de mulheres. Umas mais fortes, outras mais subtis, mas são críticas de quem não percebe o conceito. Gostava muito que se dessem ao trabalho de procurar entender antes de ridicularizarem o meu trabalho. Podem fazê-lo até sem sair do blog. Já o disse tantas e tantas vezes. Não há qualquer ódio que me guie, não há qualquer tentativa de superiorização em relação ao homem. Não há nenhum fundamento de vingança. A mulher tem o direito de ser igual ao homem. É simplesmente por isso que luto. Nada mais. Eu estou a lutar por vocês, mulheres machistas/anti-feministas. Estou a lutar, mesmo que seja devagar.


Perdoem-me @s que querem mais rapidez. Não é fácil manter um blog deste tipo. Não, é muito difícil. Mas comentários (críticos e ofensivos) apenas me darão mais força e alento. Não esperem nunca de mim uma desistência. Estou comprometida do início até ao fim.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Jovem afegã torturada por recusar prostituir-se


Uma rapariga de 15 anos foi torturada ao longo dos seis meses em que foi mantida prisioneira pela família do marido porque recusou prostituir-se. Libertada pela polícia, receberá agora tratamento hospitalar na Índia

Sahar Gul tem 15 anos e uma história de horror para contar. Em cativeiro durante meio ano, às mãos de familiares do seu marido, que exigiam que se prostituisse, foi libertada pela polícia na semana passada e será agora transferida para um hospital indiano. Em estado considerado grave, deverá demorar a recuperar física e psiquicamente devido aos maus tratos que sofreu.

Um responsável das autoridades da província de Baghlan, no norte do Afeganistão, relata que os agentes encontraram a jovam em casa do marido, depois de receberem uma denúncia dos pais de Sahar Gul. A rapariga estava trancada na casa de banho e apresentava sinais de tortura. Já no hospital, os médicos confirmaram que lhe tinham sido arrancadas várias unhas e que tinha marcas de queimaduras em várias partes do corpo.

À polícia, a vítima contou que casara há nove meses e que o marido, que conseguiu fugir, tem o dobro da sua idade. A cunhada e a sogra estão detidas.


FONTE: Visão On-Line

sábado, 31 de dezembro de 2011

No Vale da Amoreira a excisão é uma prática real com resposta difícil, diz associação de imigrantes

« O tema é tabu. As histórias contam-se sem dizer nomes mas têm data recente: a Associação de Imigrantes Guineenses e Amigos do Sul do Tejo diz que no Vale da Amoreira, na Moita, há meninas a sofrer mutilação genital.

A associação (AIGAST) trabalha há dez anos para responder às necessidades da população do Vale da Amoreira, onde vivem mais de 12 mil pessoas - 30 por cento, estima-se, originárias da Guiné. O bairro é cinzento, pobre e tem um número elevado de desempregados. Em declarações à agência Lusa, Susana Piegas, da AIGAST, afirma que a mutilação genital feminina (MGF) "é uma questão muito presente" nos dias do bairro e assegura que "os números reais da prática da excisão de meninas - que ninguém consegue contabilizar - são avassaladores". "Identificamos na nossa comunidade pessoas que levaram a cabo a prática e outras que pretendem fazê-lo. Aqui há famílias em que todas as mulheres foram excisadas. Tivemos, por exemplo, há uns meses, conhecimento de que três meninas da mesma família foram mutiladas aqui no bairro e sabemos de outras que vão à Guiné para cumprir esse ritual", acrescenta.

Rosa Tavares, guineense, é também membro da AIGAST e coordena o departamento de saúde da associação. " Lusa conta que é casada com um muçulmano e que impediu que a sua filha fosse mutilada. Sobre a situação que se vive no bairro, acrescenta "o problema" de "haver muitas pessoas a ganhar dinheiro com a prática da MGF". Não diz quanto pode custar fazê-lo no Vale da Amoreira, mas afirma que a prática "gera muito dinheiro". Susana Piegas explica que a AIGAST quer "ajudar a combater este flagelo", mas considera que "isso só pode ser feito informando, sensibilizando, trabalhando na prevenção". "Queremos trabalhar junto da comunidade para desmistificar estas tradições intergeracionais. Temos dado alguns passos nesse sentido mas precisamos de mais recursos. O trabalho exige investimento e demora tempo a dar frutos, mas tem que ser feito. É preciso inverter esta situação", argumenta.

A mutilação genital feminina é reconhecida internacionalmente como uma grave violação dos direitos humanos. A Organização Mundial de Saúde estima que mais de 140 milhões de mulheres, raparigas e meninas tenham sido já submetidas a esta prática e que cerca de três milhões se encontrem todos os anos em risco. Embora a prática ocorra sobretudo em países africanos, tem sido importada por comunidades imigrantes para a Europa, onde o Parlamento Europeu estima que vivam cerca de 500 mil mulheres e jovens mutiladas e 180 mil em risco anualmente.

No início deste ano, a propósito do Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, que se assinala a 06 de Fevereiro, o Governo apresentou o II Programa de Acção para a Eliminação da Mutilação Genital Feminina (2011-2013) para "promover uma mudança de valores culturais" e "reforçar as medidas de prevenção". »


Fonte: Diário de Notícias On-Line
Sugestão de: Andreia Gonçalves

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Porno e masturbação "no escurinho" (ou não) em Lisboa


Ciclo organizado pela UMAR realiza-se a 2 e 3 de Dezembro, em Alcântara.

É "no escurinho", mas nem tanto. Querem-se, sim, conversas abertas sem preconceitos ou tabus.

Iniciativa da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), o ciclo "No escurinho do cinema: porno e masturbação" realiza-se a 2 e 3 de Dezembro, no Centro de Cultura e Intervenção Feminista, em Alcântara.

A abrir, às 20h de sexta-feira, o "workshop" "Como encontrar o Ponto G (e o encanto dos enquantos)?" Prometem-se algumas respostas com o "treino do pavimento pélvico e prazer vaginal", sugestões de estimulantes, brinquedos e explicação de técnicas de masturbação. Haverá ainda tempo para uma contextualização do movimento feminista.

Às 22h15, começa o cinema, e continuam as conversas, com "A Pornógrafa - Parte I". Em cartaz está o documentário de 2008 "Barcelona Sex Project" da sueca, sediada em Barcelona, Erika Lust. "Porno de bom gosto, cinema explícito para adultos, moderno, feminino e feministas" são termos a que a realizadora recorre para descrever o seu trabalho. No dia seguinte, sábado, às 14h, são exibidos "Cinco Historias Para Ellas" (2007), "Life Love Lust" (2010), "Love Me Like You Hate Me" (2010) e "Handcuffs" (2010).

O ciclo termina com uma actividade que promete: a escrita colectiva de um guião de filme porno. Existirá por aí um novo talento português? »


Fonte: Público On-Line | P3

sábado, 26 de novembro de 2011

Stalking: Perigo para mulheres jovens e sozinhas


O primeiro estudo sobre o fenómeno de assédio persistente em Portugal foi apresentado nesta sexta-feira. Reclama-se legislação capaz de abarcar todas as formas de stalking e, sobretudo, de punir este crime.

Ser mulher, solteira ou separada/divorciada e jovem são os factores de risco para a vitimação por stalking, segundo o primeiro estudo realizado em Portugal sobre este fenómeno que se define por uma perseguição ou um “assédio persistente”. O trabalho, coordenado pela investigadora da Universidade do Minho, Marlene Matos, foi apresentado hoje e conclui que 19,5 por cento das 1210 pessoas (homens e mulheres) inquiridas já foram vítimas de perseguição.

O stalking é definido como um “padrão de comportamentos de assédio persistente que integra formas diversas de comunicação, contacto, vigilância e monitorização de uma pessoa-alvo por parte de outra – o/a stalker”. Tentativas insistentes de entrar em contacto por cartas, telefonemas ou emails, perseguir, agredir, ameaçar, filmar ou tirar fotografias sem autorização, invadir ou forçar a entrada em casa, são algumas das muitas formas de stalking.

Marlene Matos defende a criação de legislação em Portugal para punir criminalmente o stalking, um “assédio persistente” cujas principais vítimas são as mulheres. “Em Portugal, o stalking não é crime, mas há necessidade de criar legislação específica para este fenómeno, à semelhança do que já acontece em vários outros países”, sustenta a investigadora, que gostaria de ver criada “legislação que inclua todas estas formas intrusivas”.

De acordo com as conclusões do estudo realizado na Universidade de Minho,
  • as mulheres (67.8 %) são as principais vítimas destas várias formas de perseguição e 
  • os homens são os principais stalkers (68 %). 

  • Na maior parte das vezes o stalker é alguém conhecido (40,2 %)
  • ou ex-parceiro da vítima (31,6%). 
  • Apenas 24,8 % dos inquiridos declarou que o stalker era um desconhecido

O risco de ser vítima de stalking é maior 
  • entre os 16 e 29 anos (26,7 % numa amostra de 80 pessoas) do que nos anos seguintes, 
  • entre os 30 e 64 anos, onde a prevalência baixa para os 20,3% numa amostra de 138 pessoas.
  • Acima dos 65 anos a prevalência encontrada nas 18 pessoas inquiridas foi de 7,8 %. 

As três formas mais declaradas de stalking neste estudo foram as 
  • tentativas de entrar em contacto (79,2 %), 
  • o “aparecer em locais habitualmente frequentados pela vítima” (58,5%) e 
  • ser perseguido (44,5 %). 
Em média, as vítimas são alvo de mais de três comportamentos que podem ser definidos com stalking. “Genericamente, homens e mulheres relatam os mesmos comportamentos de vitimação. Duas excepções para “ser filmado ou tirar fotografias de forma não autorizada” que foi uma experiência mais comum entre os homens e “ser perseguido” que foi um comportamento de vitimação mais frequente nas mulheres”, refere o estudo.

Independentemente do sexo da vítima, a perseguição tende a prolongar-se 

  • entre as duas semanas (21,7%) e os seis meses (31,9 %). 
“À medida que a intimidade da relação aumenta, aumenta a duração do stalking”, verificou o estudo notando ainda que “as agressões à vítima ou a terceiros ocorreram principalmente quando a duração do stalking foi superior a dois anos”.

As vítimas declararam ter sido afectadas na sua 
  • saúde psicológica (36,6 %) e no 
  • estilo de vida (25,4 %) e 
  • apenas 40 % procurou algum tipo de apoio, sendo que os pedidos de ajuda partiram sobretudo das mulheres (48,1 % vs 25 %). 
E a quem pediram ajuda? 
  • Em primeiro lugar a amigos (66,7 %), 
  • seguidos dos familiares (64,6%) e 
  • dos colegas de trabalho/estudo (30,2 %). 
  • Apenas 26 % optaram por recorrer às forças de segurança 
  • e 21,9 % a profissionais de saúde.
O stalking não está previsto como crime no Código Penal português, que, no entanto, pune várias acções singulares relacionadas com o fenómeno, como assédio sexual, ofensas à integridade física simples ou grave, violência doméstica, ameaça, violação de domicílio, devassa ou perturbação da vida privada. 

A expectativa deste estudo da UM é estimular o desenvolvimento de legislação específica e a implementação de medidas para protecção destas vítimas. Actualmente, na Europa, a lei anti-stalking já vigora em nove países, designadamente Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Holanda, Irlanda, Itália, Malta e Reino Unido.


[alterada a forma sem prejuízo para o conteúdo]

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Portugal é o país com mais idosas abusadas sexualmente

Não são as vítimas mais frequentemente associadas a este crime, mas há mulheres entre os 60 e os 97 anos a serem abusadas sexualmente em Portugal. Somos o país com maior incidência do problema, segundo um estudo europeu realizado em cinco países.

Na população idosa, a violência sexual tem mesmo uma dimensão maior do que a violência física, cuja percentagem fica próxima dos 3%. Quando o foco é o abuso sexual, a percentagem é de 4%. O valor supera a média dos países alvo do estudo: Bélgica, Finlândia, Áustria, Lituânia.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Afegã violada tem de casar-se com o agressor para sair da prisão


Uma afegã de nome Gulnaz, de 21 anos, enfrenta um terrível dilema: ou permanece na prisão com uma filha pequena, cumprindo pena por ter sido violada por um homem casado, ou contrai matrimónio com o agressor para poder sair da prisão.
A única forma de Gulnaz ultrapassar a desonra de ter sido violada, ou de ter incorrido em adultério é casar-se com o seu agressor

Quando Gulnaz tinha 19 anos foi violada pelo marido de uma das primas. Dois anos depois, a jovem ainda se recorda dos pormenores do episódio: “Ele tinha as roupas nojentas, porque trabalha na construção. Quando a minha mãe saiu, ele veio até minha casa e fechou as portas e as janelas. Eu comecei a gritar mas ele calou-me, tapando-me a boca com as mãos”, descreveu Gulnaz à CNN.

Depois da violação não contou a ninguém o que se tinha passado – sabendo que não seria ajudada – mas depressa a verdade veio à tona: estava grávida.

Acabou por ser julgada por adultério e condenada a 12 anos de prisão. É lá que está actualmente, com a sua filha. Cumprem pena em conjunto.

Para sair da prisão, só tem uma solução: casar-se com o seu agressor. A única forma de uma mulher afegã ultrapassar a desonra de ter sido violada, ou de ter incorrido em adultério, é casar-se com o seu atacante.

E é precisamente isto que Gulnaz está disposta a fazer. “Perguntaram-me se eu estava disposta a começar uma nova vida de liberdade casando-me com este homem”, disse a jovem à CNN. “A minha resposta foi que há um homem que me desonrou e que eu quero ficar com esse homem”.

A jovem diz que na sua decisão pesa o futuro da filha. Só assim poderão permanecer juntas e em liberdade.

Mas - adianta a CNN - a escolha de Gulnaz não a livra de perigo. A família do atacante ou mesmo a sua própria família poderão querer matar a jovem por ter desonrado o nome familiar. É muito provável que, mal ponha pé fora da prisão, Gulnaz corra perigo de vida.

Casos como o de Gulnaz são comuns no Afeganistão mas este tornou-se notícia após uma disputa entre a UE e uma equipa de realizadores contratados pela própria União Europeia para levarem a cabo uma série de documentários sobre os direitos das mulheres no Afeganistão.

Os realizadores fizeram uma extensa reportagem sobre Gulnaz e sobre histórias de outras mulheres que falaram abertamente para as câmaras, sem lenços a cobrirem-lhes os rostos, sobre as suas vidas.

Depois de mostrarem as filmagens aos responsáveis da UE, estes decidiram cancelar o projecto afirmando que essas mulheres poderiam ser identificadas e sofrer represálias.

Mas os realizadores - citando um e-mail da UE cujo conteúdo foi parar aos media – afirmam que o problema está nas relações delicadas entre a UE e o Afeganistão, que é apresentado de forma muito pouco favorável (especialmente o seu sistema judicial).

Pode ler-se no e-mail, segundo a CNN: “A delegação tem de considerar as suas relações com as instituições de Justiça afegãs”.

O embaixador da UE para o Afeganistão, Vygaudas Usackas, rejeitou, porém, qualquer motivação política para a suspensão do projecto documental. “Eu estou realmente preocupado é com a situação das mulheres. Com a segurança e o bem-estar destas mulheres (...) esse é o critério de acordo com o qual eu - como representante da UE - irei julgar este caso”, disse o embaixador, citado pela CNN.


Agradeço o contributo a: Afonso

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Denúncia da violência contra mulheres desfila em Lisboa na sexta-feira


Pela primeira vez em Portugal, a denúncia da violência contra as mulheres tomará a forma de uma marcha de rua, que vai acontecer na sexta-feira, em Lisboa, juntando 60 entidades.

Organizada pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), pela ComuniDária - Associação de Integração de Migrantes e Minorias Étnicas e pelo movimento SlutWalk Lisboa, a marcha vai partir do Largo de Camões, às 17h, em direcção ao Rossio.

A iniciativa “surge da necessidade” resultante de “algumas decisões na justiça que revitimizam as vítimas de violência”, explicou à Lusa Salomé Coelho, da direcção da UMAR.

O comunicado sobre a marcha distribuído à imprensa indica que o objectivo é “combater” as “situações em que vítimas de violações, abusos, assédio não vêem os seus direitos tomados em conta em sede da justiça”.

Sem particularizar os casos judiciais a que se refere, Salomé Coelho recorda a mais recente manifestação, a 14 de Maio, em frente ao Tribunal da Relação do Porto, por altura do acórdão que absolveu um psiquiatra do crime de violação contra uma paciente grávida.

Em Julho de 2010, um psiquiatra foi condenado em primeira instância a cinco anos de cadeia, com pena suspensa por igual período, por violação de uma cliente, grávida, durante uma consulta privada realizada na residência do especialista.

O psiquiatra recorreu para a Relação do Porto, que, num acórdão de 13 de Abril, revogou a decisão da primeira instância, absolvendo-o. Um dos três desembargadores, Baião Papão, votou contra. O Ministério Público interpôs recurso do acórdão para o Supremo Tribunal de Justiça.

“Este grupo de pessoas e associações sentiu necessidade de sair à rua e tornar público que não somos cúmplice desta violência, destas decisões da justiça, e que estamos vigilantes, que não permitiremos nem mais uma mulher revitimizada pelas instituições”, afirma Salomé Coelho, apelando à “mobilização geral da sociedade civil”.

“É imperativo que se comecem a adoptar, de forma rigorosa e generalizada, os mecanismos necessários para combater as opressões de género”, argumentam os organizadores, no comunicado distribuído à imprensa.

Esperando “a reposição dos direitos humanos das mulheres”, denunciam que “o que tem sistematicamente vindo a acontecer é que a justiça, ao invés de ressarcir as vítimas, reforça o poder dos agressores”.

Isto porque, consideram, a violência contra as mulheres, nas suas várias formas, está ainda rodeada “de uma ideologia de culpabilização das vítimas”.

Situações tão diversas como “os piropos na rua, os telefonemas indesejados, a culpabilização pela roupa que se usa, o julgamento moral das sexualidades, o insulto” são “violências” sobre as quais “existe permissividade geral”, criticam.

A marcha de rua de sexta-feira conta com o apoio de 60 entidades nacionais, entre associações, partidos políticos e instituições governamentais.


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Filhas de Eva (crónica de João Teixeira Lopes no P3)

Da feminização da população activa aos direitos sexuais e reprodutivos; da entrada em força nas profissões de onde estavam excluídas (por uma suposta “natureza biológica” que determinava uma “vocação social”) à predominância quantitativa e qualitativa (em termos de sucesso escolar) nos vários níveis de ensino, tudo parece confluir para que consideremos a alteração dos lugares e das identidades femininas como uma das mais explosivas mudanças sociais das últimas décadas.

Mas, nas entranhas das rupturas, permanecem os paradoxos de um país onde se vive uma estranha mescla entre o rural e o urbano, o arcaico e o moderno, o preconceito e a emancipação. Portugal não segue, para desespero dos mais ortodoxos, modelos clássicos de evolução social.

Elas são melhores em termos de resultados escolares. Mas são também tendencialmente mais submissas à disciplina e à ordem escolar. Nas empresas, mesmo quando detêm uma certificação escolar e níveis de autonomia e até de autoridade homólogos aos dos seus colegas masculinos, continuam a auferir remunerações inferiores. Quando é necessário contratar contingentes de mão-de-obra flexíveis, intermitentes e polivalentes, elas são as preferidas, prolongando a velha crença de que, sendo mulheres, arrecadam o segundo salário, logo, o subalterno no seio dos rendimentos familiares.

As tarefas educativas das políticas públicas – escolas, departamentos educativos de museus, bibliotecas; etc. – são-lhes preferencialmente confiadas, numa aproximação, nada subliminar, à ideologia maternal (na sua dupla vertente: educar é feminino e educar deve ser mal pago, porque pode e deve conciliar-se com outras tarefas).

Mesmo nas famílias, onde o casamento é cada vez mais um projecto e o divórcio um ajustamento; em que as relações sexuais pré-conjugais separam sexualidade e procriação, em que a divisão sexual das tarefas surge retoricamente como inexorável – mesmo aí, ei-las a acumular tarefas, a conciliar trabalho e carreira (quando a há…), lides domésticas, educação dos filhos, cuidado dos mais velhos e lazeres.

Na esfera da apresentação de si, libertam-se um pouco das correntes da “boa aparência”. Mas a tirania do corpo perfeito; a obrigação de certas posturas e roupagens; o “trabalhar” da “máscara” e do “look” – é sobre si que apertam. Não por acaso, os casos de anorexia, em que a pressão social da perfeição corporal performativa atinge o paroxismo, são em larga parte femininos. Sexualmente hedonistas, representam ainda assim os afectos como uma certa legitimação da sua expressão erótica.

Até nos usos da Web 2.0, as diferenças irrompem: elas passam menos tempo na Net (porque as tarefas são múltiplas), gerem a sua identidade com precaução e privilegiam a comunicação aos negócios. Emancipação mitigada, dir-se-ia, e em tempos descontínuos. Paradoxo dos paradoxos, sabe-se agora que as jovens portuguesas, que vão preferindo a união de facto e casando tardiamente, são, a nível mundial, das que menos filhos têm.

Uma vez mais, misturam-se laivos de desenvolvimento (controle da natalidade; dissociação entre conjugalidade, casamento e reprodução) com entraves de atraso estrutural (não há dinheiro para ter filhos, habitar casa própria e construir um percurso de autonomia). Este país desafia os estereótipos sociológicos e é um laboratório fascinante de estudo. Mas cansa, na sua injustiça. Elas que o digam.


Texto de João Teixeira Lopes (sociólogo e docente na Universidade do Porto)
Fonte: P3

UMAR apoia Marcha pelo Fim da Violência - GREVE GERAL 25 Novembro



Desde 1999, data em que a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou o 25 de Novembro como o "Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres", que este é um dia de reconhecimento, batalha e resistência.

A violência contra as mulheres é um fenómeno inerente à opressão patriarcal e à existência de culturas machistas e misóginas em diferentes sociedades, revelando inegavelmente o quão coxas ainda estão as nossas democracias.

A violência contra as mulheres é generalizada e, apesar dos vários Planos Nacionais para a Igualdade e Contra a Violência Doméstica e das campanhas já realizadas, o crime parece não estar a diminuir. De acordo com a ONU, uma em cada três mulheres no mundo já foi espancada, coagida sexualmente, ou vítima de algum tipo de abuso; e uma em cada quatro mulheres na Europa está exposta a um destes tipos de violência. Em Portugal, só em 2010, foram assassinadas 43 mulheres por violência doméstica e de género (Observatório de Mulheres Assassinadas, 2010).



Esta violência é infligida maioritariamente pelos homens (maridos, ex-maridos, companheiros, ex-companheiros namorados, ex-namorados e parentes) que, frequentemente, recorrem a este meio para preservar ou reforçar o seu poder sobre as mulheres, sendo um problema transversal ao nível social, económico, religioso ou cultural.

Sabemos que um dos principais motivos pelos quais as cifras da violência doméstica aumentaram tem a ver, na verdade, com o aumento das suas denúncias, o que representa um avanço importante. Há, pois, mais mulheres a denunciar e mais gente vigilante. Contudo, sabemos também que muita violência continua invisível.


Uma das razões para a invisibilidade da violência é o facto desta ocorrer, muitas vezes, na sombra, entre as quatro paredes do espaço privado, a casa. Outra das razões prende-se com o facto de, na maior parte das vezes (nomeadamente, devido ao receio das próprias vítimas e/ou à sua dependência económica e afectiva), não haver acusação. A terceira razão, para a invisibilidade da violência contra as mulheres, resulta da perpetuação dos valores dominantes, das tradições e até, das próprias leis, onde o fenómeno já foi considerado natural e normal, raramente interpretado como um crime de género. Basta lembrar a célebre atenuante do marido que matou a mulher: “ela deixava esturrar o arroz”. Isto só funciona como atenuante porque o/a juiz/a aceita os papéis de género. Se fosse ao contrário, a mulher nunca teria a pena atenuada por uma razão destas.

A quarta razão está relacionada com o facto de, ainda hoje, serem aplicadas penas que, de tão leves (como a pena suspensa), pouco protegem a vítima, deixando o criminoso praticamente impune, mesmo sendo a violência doméstica considerada crime público. Isto significa que a violência continua, de certa maneira, a ser aceite, sendo percebida tanto pelas pessoas, como pelas instituições e pelo Estado, como uma questão de ordem estritamente privada e não como um crime relevante para a esfera pública.


A violência contra as mulheres adopta várias formas, desde a violação do direito à autodeterminação, ao casamento forçado, à molestação sexual ou psicológica, à exploração ou discriminação, continuando a existir mulheres assediadas, violadas, traficadas, mutiladas e assassinadas em todas as partes do mundo. Frequentemente, o agressor fica impune ou cumpre penas absolutamente ridículas e insultuosas para as vítimas e para o próprio combate às violências, como temos verificado, demasiadas vezes, nos jornais ao longo deste ano.

Assim, é fundamental combater este problema procurando-se, sempre que necessário, fazer justiça.


Com esta marcha pretendemos sensibilizar a sociedade para este fenómeno. É imperativo que se comecem a adoptar, de forma rigorosa e generalizada, os mecanismos necessários para combater as opressões de género, articuladas com opressões económico-sociais, de etnia, nacionalidade, orientação sexual e outras.

Enquanto o provérbio popular diz que: Entre marido e mulher ninguém mete a colher. Nós dizemos: Entre marido e mulher alguém meta a colher. Se possível, cidadãos e cidadãs intolerantes com a violência, polícias capazes de identificar a natureza do crime e, por conseguinte, capazes de accionar as medidas que este tipo de crime requer, e juízas e juízes que tenham presente que não são admissíveis atenuantes arreigadas em valores patriarcais, porque o patriarcado parte da desigualdade e a lei diz que somos iguais.



A violência contra as mulheres não faz o nosso género!

É tão antiga como a Humanidade.

Envergonha e diminui.

É uma violação dos direitos humanos e liberdades fundamentais.

É um crime público.

É uma barreira à igualdade de género.

Uma em cada quatro mulheres é alvo de violência.

O espaço doméstico tem sido o maior palco de violência contra as mulheres.


Quem bate nas mulheres fere toda a família.

É preciso combater a violência sexista.

É urgente mudar as mentalidades e eliminar a violência contra as mulheres.

Somos contra a impunidade da violência contra as mulheres.

Não toleramos mais a violência contra as mulheres.

Exigimos justiça.



Não somos cúmplices nem indiferentes!
Nem mais uma. Estamos vigilantes!










Manifesto dos Precários Inflexíveis (Greve Geral de 25 de Novembro): 

sábado, 5 de novembro de 2011

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

«Prostituição está a aumentar em Portugal»


A crise está a levar cada vez mais mulheres a recorrer à prostituição. Associações de Lisboa e Coimbra, ouvidas pela TSF, dizem que nunca se assistiu a uma situação tão grave.

Há mais de 40 anos que Inês Fontinha, a directora da Associação "O Ninho", acompanha prostitutas e tenta tirar mulheres das ruas de Lisboa. À TSF, a responsável confessou que nunca viu uma situação igual à que se passa hoje.

«Neste momento estamos a viver uma crise muito mais acentuada do que vivemos na década de 80 e a prostituição está a aumentar de forma preocupante», afirmou Inês Fontinha, acrescentando este aumento não se reflecte apenas na prostituição de rua mas também «em apartamentos e bares».

A associação encontra cada vez mais prostitutas com origem na classe média, entre os 30 e os 40 nos. A culpa é da crise, defendeu Inês Fontinha.

«A partir de 2010, temos notado um acréscimo significativo de mulheres na baixa etária dos 30/40 anos, o que não é uma situação muito comum. Este empobrecimento leva a que as mulheres recorram à prostituição para poderem ter meios de subsistência», explicou a directora da Associação "O Ninho".

Um cenário que se repete em Coimbra, onde se contaram mais de 400 prostitutas e prostitutos em apenas nove meses, mais do que em todo o ano passado. Martinha Silva é directora da equipa de intervenção social do projecto "Ergue-te", que também acompanha prostitutas.

«Durante o ano de 2010 atendemos mais de 400 pessoas em contexto de prostituição e este ano já ultrapassamos este número, ou seja, tem havido de facto um aumento significativo da prostituição. Há muitas pessoas de outras nacionalidades, mas em termos de portugueses temos notado também um aumento significativo», referiu Martinha Silva, acrescentando que as mesmas «identificam o recurso à prostituição com uma situação económica mais difícil».

Quem tenta ajudar as prostitutas sublinha: este é sempre um último recurso das mulheres com dificuldades económicas.


FONTE: TSF

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Machismos de Hoje

Quatro raparigas raparigas passam por um corredor onde estavam 5 rapazes em grupo. Ao passarem ouve-se:

"0, 4, 0, 6"   (estavam a atribuir-lhes notas sobre o corpo)

.........................................................

O professor universitário para uma aluna que percebeu o que ele tinha acabado de explicar:

"estão a ver como ela é bem mandadinha...?"

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

a defender a "igualdade", contra o "feminismo"! ... como?!

Por momentos pensei que estava a ler o FacebookLeaks.

Nota: eu conheço pessoalmente o "machista 1". Por isso, escondi a identidade de todos os intervenientes. No entanto, asseguro-vos de que isto é real e que pode ainda ser encontrado no facebook.


Aviso: a leitura do que se segue pode causar sérios problemas psicológicos.




Mas isto faz sentido para algum dos meus leitores? não há comentário possível...


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

« Saudita condenada a dez chicotadas por conduzir


As sauditas ainda não tinham acabado de festejar o direito a votar e a candidatar-se nas eleições municipais, anunciado domingo pelo rei Abdullah, quando souberam da condenação de Shaima Jastaina a dez chicotadas por conduzir.

Nunca nenhuma mulher tinha sido condenada por guiar

As mulheres não podem guiar na Arábia Saudita mas nunca nenhuma tinha sido condenada a qualquer punição legal.

“Como é que uma mulher pode ser chicoteada por guiar se a pena máxima por uma violação de tráfico é uma multa?”, questionou-se Sohila Zein el-Abydeen, da Sociedade Nacional de Direitos Humanos (governamental).

Para Abydeen e outras activistas a sentença é uma retaliação do establishment religioso contra o rei e as reformas. “O nosso rei não merece isto”, disse ao telefone com a Reuters, numa conversa em que teve um ataque de choro. “Este veredicto foi um choque para mim, mas já esperávamos este tipo de reacções.”

Jastaniah foi condenada num tribal de Jidá, onde foi presa em Julho. Já recorreu da sentença. Entretanto, a activista Madiha al-Ajroush foi brevemente detida na terça-feira depois de ter sido interpelada quando conduzia acompanhada por uma jornalista francesa que está a realizar um documentário sobre as mulheres no reino. Segundo a conta de Twitter da campanha Women2Drive, foi libertada depois da intervenção do consulado francês. Uma terceira, Najla Hariri, foi acusada de “desafiar o monarca”.

Por coincidência, Hariri estava a responder no gabinete da procuradoria enquanto o rei Abdullah discursava. Hariri conduziu não em desafio, mas por necessidade. “Precisei de deixar o meu filho na escola e de apanhar a minha filha no trabalho”. Um problema que enfrentam todas as sauditas que não podem pagar os perto de 300 euros que um motorista custa por mês.

Madiha al-Ajroush é uma veterana activista: em 1990 foi presa com 40 sauditas por conduzir. Em Junho foi lançada uma nova campanha e dezenas de mulheres têm conduzido e publicado vídeos no YouTube. Manal al-Sherif, promotora da iniciativa, esteve detida dez dias mas foi libertada depois de assinar uma declaração em que se compromete a não conduzir nem falar com jornalistas.

Normalmente é isso que acontece quando uma mulher é apanhada - assina uma declaração afirmando que não voltará a fazê-lo. Aliás, não há nenhuma lei que diga que as sauditas não podem conduzir, mas é proibido passar-lhes licenças de condução.

“Permitir que as mulheres votem está muito bem mas se vão ser chicoteadas por exercer o direito à liberdade de movimentos, então as reformas do rei significam muito pouco”, comentou a Amnistia Internacional. »


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

«PAN quer reflexão sobre a violência doméstica


O Partido pelos Animais e pela Natureza (PAN) defendeu hoje uma reflexão sobre a violência doméstica, considerando que a sociedade deveria preocupar-se com os “números invisíveis” do problema.

“Mais importante que falar dos números que são mais visíveis, é importante falar dos números invisíveis, do silêncio que há em cada lar, em cada casa, de uma violência camuflada que é, muitas vezes, difícil de comprovar e para a qual a sociedade deveria estar mais preocupada e não apenas com a fase final em que as vítimas são mortas”, declarou a candidata Laíz Vieira.

Numa conferência de imprensa no Funchal, a candidata na lista liderada por Rui Almeida afirmou que os números da violência doméstica “são alarmantes”, referindo a este propósito as “dezenas de mulheres que morrem anualmente às mãos dos seus companheiros”.

Para a responsável, as entidades públicas, mas também privadas, deveriam “fazer um trabalho interdisciplinar” para “travar este flagelo”.

“É muito nobre que haja casas de abrigo para as vítimas, mas também não é aceitável que as vítimas tenham que sair de sua casa quando são elas as pessoas mais violentadas e desrespeitadas”, acrescentou Laiz Vieira.

A candidata apelou às vítimas para que procurem “todo o tipo de ajuda possível para combater a situação” e aos seus familiares para que façam “tudo por tudo para não relativizar o problema”.

“A violência doméstica é um fenómeno sobre o qual temos de continuar a reflectir e a sentirmo-nos escandalizados e indignados enquanto existir um só caso”, disse Laís Vieira, lembrando que o PAN é “um partido pela não-violência”.

O PAN concorre pela primeira vez a um sufrágio regional, depois de se ter estreado, a 05 de junho, nas eleições legislativas nacionais.

Nas últimas eleições regionais, em 2007, o PSD, com 64,24 por cento de votação, elegeu 33 dos 47 deputados no Parlamento deputados, mantendo a maioria absoluta, obtida, pela primeira vez, em 1976.»



sexta-feira, 23 de setembro de 2011

"Manifesto repudia preconceito contra mulheres brasileiras


Para manifestar o repúdio face ao “preconceito contra as mulheres brasileiras em Portugal” e “exigir que providências sejam tomadas por parte das autoridades competentes” está a ser divulgado um manifesto pela organização “Marcha Mundial das Mulheres Portugal”.
Os seus subscritores contestam o estigma da hipersexualidade a que estão votadas as brasileiras, o que consideram “uma violência simbólica que se transforma “em violência física, psicológica, moral e sexual”.E referem trabalhos de investigação que “têm demonstrado como as mulheres brasileiras são constantemente vítimas de diversos tipos de violência em Portugal”

O principal motivo que agora levou um grupo de mais de cem pessoas a mobilizarem-se para fazer este manifesto é o surgimento “da personagem “Gina”, do Programa de Animação “Café Central” da RTP (Rádio Televisão Portuguesa)”, explicam os seus autores, esclarecendo que “a personagem é a única mulher do programa, a qual, devido ao forte sotaque brasileiro, quer representar a mulher brasileira imigrante em Portugal”.

Essa personagem “é retratada como prostituta e maníaca sexual, alvo dos personagens masculinos do programa”, o que consideram “um desrespeito às mulheres brasileiras, que pode ser considerado racismo”, afirmam os subscritores do manifesto que exigem “das autoridades competentes”, o cumprimento da “CEDAW – Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres”, da qual tanto Portugal, como o Brasil, são signatários."


domingo, 18 de setembro de 2011

"Mulheres portuguesas ganham menos 18 por cento que os homens"


« As mulheres portuguesas ganham, em média, menos 18 por cento que os homens (181 euros), apesar de a sua participação no mercado de trabalho ter aumentado nos últimos anos, segundo um estudo da CGTP. Hoje decorre em Varsóvia o Congresso Europeu da Mulher.

De acordo com o estudo sobre a desigualdade entre homens e mulheres no trabalho, a taxa de actividade feminina é de 56 por cento, menos 11,9 pontos percentuais do que a taxa de actividade masculina, que é de 67,9 por cento.

O estudo, elaborado com base em dados do INE - Instituto Nacional de Estatística, refere que em Portugal as mulheres representam 47,3 por cento da população activa e 47 por cento do emprego total.

No entanto, a remuneração base média mensal dos homens (1.003,7 euros) era no ano passado superior em 18 por cento à das mulheres (822,7 euros). Se o referencial for o ganho médio mensal e não apenas o salário base, então a diferença ainda é maior, de 21,6 por cento.

O sector da saúde e do apoio social é aquele onde a diferença salarial é maior (33,5 por cento). Em média os homens ganham 1.202,05 euros e as mulheres 798,91 euros (menos 403,14 euros). A diferença é menor no sector do comércio. Os homens ganham em média 1.122,03 euros por mês, enquanto as mulheres ganham 910,29 euros, o que corresponde a menos 19 por cento (211,74 euros).

São também as mulheres que representam a maioria dos trabalhadores que auferem o Salário Mínimo Nacional - 12,3 por cento, enquanto para os homens essa percentagem é de 5,9 por cento.

Eurodeputada Edite Estrela quer legislação para acabar com diferenças

A eurodeputada Edite Estrela, vice-presidente da comissão dos Direitos da Mulher e da Igualdade de Género, defendeu hoje a necessidade de serem aplicadas na União Europeia medidas legislativas para acabar com a diferença salarial entre homens e mulheres.

Edite Estrela vai representar o Parlamento Europeu no Congresso Europeu da Mulher, que decorre hoje em Varsóvia, no âmbito da Presidência Polaca da UE. “Vou aproveitar este congresso para reafirmar a necessidade da Comissão Europeia apresentar medidas que garantam a igualdade salarial entre homens e mulheres e também a participação da mulher nos processos de decisão, a todos os níveis, incluindo das administrações das grandes empresas”, afirmou.

Segundo Edite Estrela, as mulheres ainda estão muito pouco representadas nas administrações das empresas da União Europeia, apesar de representarem 60 por cento dos licenciados que saem das universidades.

“Só um em cada 10 membros de administrações das maiores empresas europeias são mulheres e 97 por cento dos presidentes dessas empresas são homens”, salientou.

Para a eurodeputada socialista a solução para esta situação só será conseguida com a aplicação de leis para a paridade, que “as empresas vão ter de cumprir”.

O 3º Congresso Europeu é o maior evento internacional dedicado às questões sociais durante a Presidência semestral da Polónia e conta com a presença da Comissária Europeia para Justiça e Direitos Fundamentais, de vários ministros europeus responsáveis pela pasta, e de especialistas e representantes de organizações não-governamentais dos 27 Estados membros da EU. »