quarta-feira, 29 de maio de 2013

Facebook promete tomar medidas contra violência de género

"Depois de um boicote publicitário promovido por grupos feministas, rede social admitiu falta de supervisão sobre conteúdos que promovem a violência contra a mulher e promete soluções.

O Facebook reconheceu, esta terça-feira, a sua falta de supervisão sobre conteúdos que promovem a violência contra a mulher na sua rede social e prometeu soluções em resposta a um boicote publicitário promovido por grupos feministas. Num texto publicado na sua página Facebook Safety, a empresa admite que os seus “sistemas para identificar e eliminar discursos de ódio não têm funcionado” como deveriam, em particular, “no que se refere à violência de género”.

“Em alguns casos, o conteúdo não é apagado tão rápido como gostaríamos. Em outros, o conteúdo que deveria ser eliminado não foi ou foi avaliado com critérios desfasados”, segundo indicou a vice-presidente da Política Pública Global do Facebook, Marne Levine. O Facebook reiterou a sua vontade de continuar a fomentar a liberdade de expressão na sua rede social, apesar de reconhecer que deve prestar mais atenção ao que publicam os seus mais de 1.000 milhões de utilizadores. “Precisamos de melhorar e iremos fazê-lo”, disse Levine.

A decisão do Facebook ocorre depois de, no passado dia 21, diversas associações terem enviado à direcção da rede social uma carta aberta em que pediam que deixasse de tolerar as mensagens que aplaudem comportamentos agressivos contra a mulher. Nessa missiva, anunciava-se uma campanha para dar a conhecer aos anunciantes para que deixassem de publicitar-se no Facebook até que a equipa de Mark Zuckerberg reagisse.

“Os participantes enviaram mais de 60.000 'tweets' e 5.000 mensagens de correio eletrónico e a nossa coligação [subscritores da carta] cresceu até superar a centena de grupos a favor da mulher e organizações de justiça social”, assegurou a Women, Action & the Media, em comunicado.

Contra o "discurso do ódio"

No total, 15 empresas aliaram-se ao boicote do Facebook, algumas de grande dimensão como a Nissan no Reino Unido. As organizações queixavam-se de o Facebook alojar páginas como “violar com violência a tua amiga só para te rires”, “Violar a tua noiva e muitas, muitas mais”, permitindo ainda fotografias de mulheres a serem atacadas, feridas, maniatadas, drogadas e a sangrar.


“Proibimos conteúdo considerado danoso de forma directa, mas permitimos conteúdo que é ofensivo ou controverso”, clarificou Levine, apontando que o Facebook também condena o “discurso do ódio” no qual se inclui a violência do género.

O Facebook elencou uma série de medidas de aplicação imediata para “assegurar que tal não volte a suceder na comunidade” de utilizadores, as quais passam nomeadamente por rever as directrizes para avaliar os conteúdos, actualizar a formação das suas equipas que filtram conteúdos nocivos e expor a identidade real de quem utiliza o Facebook para incitar ao ódio."


FONTE: P3.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Maioria dos jovens acha normal a violência no namoro

Maioria dos jovens acha normal a violência no namoro
Imagem retidada do Diário de Notícia. Todos os direitos reservados.

885 alunos, com idades dos 11 aos 18 anos, consideram legítimos comportamentos abusivos com as namoradas ou namorados, segundo inquérito feito pela UMAR.
Mais de metade dos rapazes e das raparigas acham que é normal proibir a namorada/o de vestir certas roupas e de sair com determinados amigos/as.

Entre os rapazes, 5% considera que agredir a namorada ao ponto de deixar marcas não é ser violento. 25% dos rapazes e 13,3% das raparigas entendem que humilhar a namorada/o é legítimo e que ameaçar a namorada ou o namorado é normal (15,65% dos rapazes acha que sim e 5% das raparigas também).

Estas respostas foram obtida nas respostas a um questionário feito a uma amostra de 885 alunos de escolas de Porto e de Braga no âmbito do Projeto Mudanças com Arte da UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta)."


FONTE: Diário de Notícias.



Digam-me uma vez mais que o feminismo já não é necessário.



segunda-feira, 1 de abril de 2013

Uma performance dedicada a Amina (condenada à morte por defender o direito sobre o seu corpo)


«Sometimiento (Submissão)»
Lola Duarte (Colômbia)
"Criei esta performance em memória de Amina, uma jovem que um clérigo muçulmano condenou à morte por apedrejamento pelo facto de Amina, uma tunisiana de 19 anos, se ter atrevido a espalhar nas redes sociais uma fotografia dela em topless com uma frase em árabe em que se manifestou pelos direitos das mulheres ... Eu sou uma mulher, activista, artista, e eu também sinto a dor pela morte dela."

Lola Duarte

A frase em árabe dizia: «O meu corpo pertence-me e não representa a honra de ninguém».



FONTE: A Funda São

segunda-feira, 18 de março de 2013

Que imagem passam das mulheres, os nossos órgãos de comunicação social?

"Há jornais com uma visão redutora das mulheres"


Carla Cerqueira analisou 727 conteúdos publicados ao longo de 32 anos

Uma investigação do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho conclui que a imprensa portuguesa transmite uma visão dicotómica das mulheres: ou são seres "especiais" que conseguem triunfar num mundo "dominado por homens" ou vítimas incapazes de fugir de uma situação de subalternidade.

Esta homogeneização faz com que os cidadãos tenham uma percepção redutora do papel das mulheres na sociedade, alerta Carla Cerqueira, que dedicou o doutoramento à cobertura do Dia Internacional da Mulher em dois jornais nacionais, desde 1975 até 2007.
O estudo teve como objectivo analisar a evolução da cobertura jornalística desta efeméride na imprensa portuguesa, ou seja, averiguar de que forma as mulheres, as associações e os temas de género têm sido representados ao longo de mais de três décadas. A análise pormenorizada de 727 notícias do Jornal de Notícias (JN) e Diário de Notícias (DN) demonstra a falta de "substância" no tratamento dos conteúdos, nomeadamente no que diz respeito a temas relacionados com a ascensão profissional e a violência doméstica.
“As questões estruturais que estão na base das desigualdades experienciadas no mercado do trabalho não são destacadas. Nestas peças, as mulheres assumem relevância noticiosa pelo que fazem, mas nunca deixam de ser o que são: mulheres, mães, esposas", explica Carla Cerqueira, que é professora do Instituto de Ciências Sociais. Quanto à violência doméstica, os media aproveitam sobretudo este Dia para apresentar dados estatísticos, estudos científicos ou casos pessoais exemplificativos, negligenciando os contextos socio-históricos e as dimensões psicossociais.
O tópico mais enfatizado pelos repórteres é a igualdade, definida como a capacidade para inverter os papéis tradicionais de género: "As mulheres são noticiosamente construídas com características tradicionalmente associadas ao 'padrão masculino', isto é, como casos excepcionais", sublinha a investigadora. A análise mostra ainda que os conteúdos foram frequentemente tratados com perspectivas "muito parecidas", transmitindo apenas algumas das realidades destas mulheres em detrimento de outras com igual relevância.

A estereotipização jornalística do sexo feminino está associada a questões estruturais, que assentam na desigualdade de género e "precisam urgentemente" de ser desconstruídas. "Trata-se de um terreno complexo que exige um trabalho de educação para a inclusão e para a diversidade nos vários campos da sociedade", reforça a investigadora. Para além de ter analisado mais de sete centenas de artigos, Carla Cerqueira entrevistou cerca de duas dezenas de jornalistas, fotojornalistas e directores, bem como porta-vozes das associações de promoção da igualdade de género, feministas e activistas ligadas ao Dia Internacional da Mulher.
Biografia

A investigadora de 30 anos é natural de Vila Verde, Braga. Doutorada em Ciências da Comunicação pela UMinho, dedica-se sobretudo aos estudos sobre género e media. Em Janeiro de 2013 iniciou o pós-doutoramento «Olhando por dentro da cidadania e da igualdade de género: as (des)conexões entre a cultura jornalística e as estratégias de comunicação das organizações não governamentais».

O trabalho está a ser orientado por Rosa Cabecinhas, professora do Instituto de Ciências Sociais da academia, Liesbet van Zoonen, da Universidade de Loughborough  (Reino Unido), e Juana Gallego Ayala, da Universidade Autónoma de Barcelona (Espanha). A investigadora é ainda vice-chair da secção de Género e Comunicação da European Communication Research and Education Association.

FONTE: Ciência Hoje.

sexta-feira, 15 de março de 2013

"Pessoas feministas são mais felizes no amor"

Imagem retirada do Google. Todos os direitos reservados.

«Psicólogos da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, conversaram com mais de 500 pessoas (homens e mulheres) para descobrir a relação entre feminismo e felicidade no amor. Entre eles, 242 ainda faziam faculdade, enquanto outros 289 eram um pouco mais velhos – média de 26 anos –, e namoravam há mais de 4 anos. Os pesquisadores perguntaram a eles se simpatizavam com algumas ideias feministas, aprovavam mulheres que se dedicam à carreira e se o atual parceiro era machista ou não. Também contaram sobre a qualidade e estabilidade do namoro e satisfação sexual.

E os feministas levaram a melhor em vários pontos. A vida sexual deles era muito mais saudável: eles se diziam mais felizes com sexo do que os casais com um pézinho no machismo. Além disso, os relacionamentos se mostravam muito mais estáveis. E isso valia para homens e mulheres feministas. De forma geral, pessoas favoráveis à igualdade entre os gêneros constroem namoros mais felizes do que os casais machistas.

Os pesquisadores ainda não descobriram por que o feminismo pode melhorar os relacionamentos. Mas desconfiam de alguns motivos. Por exemplo, homens feministas apoiam e entendem melhor suas namoradas. E quando se juntam a mulheres também feministas se livram da pressão de bancar todas as despesas do casal. Bem melhor assim.»


FONTE: Ciência Maluca.

E continua o festival de argumentos da tal petição para a prepetuação do machismo em Portugal

Abel Matos Santos: “Lei permite que uma pessoa mude de sexo as vezes que quiser. Na Primavera pode ser Maria, no Outono pode ser José”

No programa das manhãs da TVI apresentado por Manuel Luís Goucha estão a ser realizados uma série de debates semanais sobre as consideradas "leis fracturantes", alvo de uma petição já entregue na Assembleia da Repúblicacom vista à sua alteração ou revogação.

Depois da análise da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo, na passada quinta-feira, esta semana foi a vez do tema escolhido ser a lei de identidade de género.

De um lado do painel, a favor da alteração da lei, esteve o médico Abel Matos Santos e Isilda Pegado. Do lado oposto três deputados: Helena Pinto (BE), Sónia Fertuzinhos (PS) e João Oliveira (PCP).

Abel Matos Santos do Hospital Santa Maria teve o discurso mais radical ao afirmar que a lei actual "não serve" e permite inclusive uma pessoa mudar de sexo mais do que uma vez. Os três deputados convidados refutaram peremptoriamente os argumentos apresentados por Abel Matos Santos e Isilda Pegado.




FONTE: Dezanove.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Isilda Pegado - Uma Mulher Atrás do Seu Tempo


"É preciso fazer uma reforma da sociedade. Esta crise em que estamos a viver não é uma crise económica. É, acima de tudo, uma crise de valores".



A afirmação é de Isilda Pegado que participou no programa Você na TV!, a propósito do abaixo-assinado, de que é uma das primeiras signatárias, que defende a suspensão contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a interrupção voluntária da gravidez e a lei que permite a mudança de sexo às pessoas transgéneras. Manuel Luís Goucha, apresentador do programa contrapôs: "É então necessário voltarmos ao Portugal do século XIX".

No debate, que contava com a participação dos deputados Sónia Fertuzinhos (PS), Helena Pinto (BE) e João Oliveira (PCP), o apresentador referiu que vários deputados do CDS e PSD estão a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, relembrando ainda a Isilda Pegado que "não há conflitualidade social" sobre este tema. A deputada socialista sublinhou que "a sociedade hoje não reflecte esse discurso" dos signatários da petição.

Bagão Félix, o economista João César das Neves, Isilda Pegado e o médico Gentil Martins estão entre os primeiros signatários da petição, que ultrapassou as cinco mil assinaturas, que quer obrigar o Parlamento a revogar as referidas leis. »



FONTE: Dezanove.

HumPar alerta para a Violência Obstétrica, no Dia da Mulher


VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA, sabe o que é?

A HumPar - Associação Portuguesa pela Humanização do Parto, juntamente com a Associação Doulas de Portugal e a Rede Portuguesa de Doulas vem lançar uma campanha de consciencialização para a violência obstétrica, no dia 8 de Março, em que se celebram 103 anos do Dia Internacional da Mulher.


O Mês de Março será dedicado à divulgação de informações relativas ao contexto da Violência Obstétrica em Portugal e à promoção e dinamização de iniciativas que fomentem uma mudança efetiva da realidade da assistência ao nascimento. [...]

O que é a Violência Obstétrica?
Violência Obstétrica é qualquer ato ou intervenção direccionado à mulher grávida, parturiente ou puérpera, ou ao seu bebé, que tenha sido praticado sem o consentimento explícito e informado da mulher/casal e/ou em desrespeito à sua autonomia, integridade física e mental, aos seus sentimentos, opções e preferências.


À luz deste conceito de violência obstétrica... o que sentes quando lês uma história de nascimento como a que se segue abaixo? [...]
Quando dei entrada no hospital para uma indução, com 39 semanas, não sabia que iria ser um dos dias mais difíceis da minha Vida. Aquilo que me foi dito foi “que era assim, protocolo, que era normal”, e entrei para me depilarem, levei soro, fiquei nua à espera de uma bata, depois chegou um médico que me colocou um gel dentro da vagina, sem nunca olhar para mim e nem sequer me responder quando lhe perguntei para o que servia.

Depois mais soro, horas sozinha num quarto, o meu companheiro tinha que entrar e sair constantemente, e ao fim da tarde entraram 4 homens de capa branca. Um a um, fizeram o toque. Depois, no final, o médico (o que me colocou o gel), meteu a mão dentro de mim e rasgou-me a bolsa, que foi das dores mais fortes que tive na vida, uma dor física e emocional que me acompanhou e ainda hoje me incomoda. Nunca ninguém falou comigo. Ao princípio da noite e depois de olharem continuamente para o ctg, veio uma enfermeira e colocou-me um cateter dentro da minha bexiga e disse: agora tem que se levantar e passar para a marquesa. Nessa altura percebi que tinha uma cesariana à minha frente. Depois disso lembro-me de estar nua, toda nua, de braços abertos numa espécie de cama com braços, como uma cruz, e de me dizerem que deveria contar até dez para anestesia fazer efeito. E fez. Só 3 horas depois acordei, sem o meu filho ao meu lado. Sozinha. Não consegui dar de mamar. Chorei semanas sem saber porquê. Afinal o meu bebé era saudável, certo? Só anos mais tarde percebi que estes protocolos não foram os correctos, apenas os “normais”.
O que aconteceu de maravilhoso foi que esta experiência me abriu os olhos e comecei uma aventura que dura ainda hoje, no apoio e defesa dos direitos das mulheres.

Precisamos de ir para a rua gritar que já chega!

M.

[...]

São exemplos de actos de violência obstétrica, que podem tomar a forma de abusos físicos, verbais e/ou psicológicos e que acontecem diariamente em instituições de saúde e consultórios em Portugal:

  • Impossibilitar que a mulher seja acompanhada por alguém da sua escolha, familiar ou outro;
  • Tratar a mulher em trabalho de parto de forma agressiva, não empática, rude, em tom de gozo, dando-lhe ordens e nomes infantis e diminutivos, tratando-a como incapaz, com indiferença, ou de qualquer forma que a faça sentir-se humilhada ou assustada;
  • Impedir a mulher de comunicar com o "mundo exterior"; 
  • Submeter a mulher a procedimentos dolorosos desnecessários ou humilhantes, como:
    - Posição ginecológica (estar deitada de costas, expondo os genitais) estando a porta do quarto aberta; - Ser “tocada” (exames vaginais) mais de uma vez e por várias pessoas ao longo do trabalho de parto, geralmente sem esclarecimento ou sem sequer pedir permissão;
  • - Submeter a mulher a qualquer outra rotina desnecessária e que implique um aumento do seu desconforto na sua experiência de parto, como descolamento de membranas (“toque doloroso”), amniotomia (rutura artificial de membranas), proibição da ingestão de líquidos via oral, etc., (saiba mais sobre as recomendações da Organização Mundial de Saúde a respeito de procedimentos e intervenções desnecessárias e prejudiciais durante o trabalho de parto aqui);
  • Fazer pouco ou recriminar por qualquer comportamento menos aceitável socialmente, como gritar, chorar, ter medo, vergonha, etc;
  • Repreender, ameaçar, fazer chantagem ou assediar em termos morais a mulher/casal por qualquer decisão que estes possam ter tomado, se essa decisão for contra as crenças, fé ou valores morais de qualquer membro da equipa, por exemplo: não ter feito ou feito de forma considerada inadequada o acompanhamento pré-natal, ter muitos filhos, ser mãe jovem (ou o contrário), ter tido ou tentado ter um parto em casa, ter tido ou tentado ter um parto sem assistência médica, ter tentado ou ter efetuado um aborto, ter atrasado a ida para o hospital; não ter dado todas as informações pedidas, seja intencional ou involuntariamente;
  • Ignorar ou desvalorizar as escolhas e os pedidos da mulher/casal feitos através do seu plano de parto ou nas consultas de atendimento da gravidez e durante o parto;
  • Permitir a entrada de pessoas estranhas ao serviço para "assistir ao parto", quer sejam estudantes, residentes ou profissionais de saúde, sem o consentimento prévio da mulher e do seu acompanhante, e sem lhes dar a possibilidade clara e justa de dizer “não o desejamos”;
  • Submeter uma mulher a uma cesariana desnecessária, sem a devida explicação dos riscos que ela e o seu bebé correm (complicações da cesariana, da gravidez subsequente, risco de prematuridade do bebé, complicações a médio e longo prazo para mãe e bebé);
  • Dar hormonas sintéticas (“um cheirinho”) para tornar mais rápido e intenso um trabalho de parto que está a evoluir normalmente;
  • Realizar episiotomia de rotina (corte na vagina), quando já se sabe que a necessidade real deste procedimento é muito baixa. Dar um ponto na sutura final da vagina de forma a deixá-la mais apertada para “aumentar o prazer do cônjuge” ("ponto do marido"); 
  • Colocar-se sobre a barriga da mulher exercendo força para expulsar o bebé (manobra de Kristeller); 
  • Submeter a mulher e/ou o bebé a procedimentos feitos exclusivamente para formar academicamente estudantes e residentes; 
  • Submeter bebés saudáveis a aspiração de rotina, injeções e procedimentos na primeira hora de vida, antes de serem colocados em contato pele com pele e de terem tido a oportunidade de mamar; 

Se já passou por alguma destas situações de violência obstétrica, de violação de direitos humanos no nascimento, partilhe a sua história connosco usando o seguinte e-mail: geral@humpar.org. [...] »

FONTE: Humpar.

Dia Internacional da Mulher: a relação entre o Feminismo e o L de LGBT


« Assinala-se mundialmente a 8 de Março, desde 1975, o Dia Internacional da Mulher, sob insígnia das Nações Unidas.

O dezanove.pt falou com Salomé Coelho, activista na UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta, para perceber o enfoque feminista e lésbico deste dia:

"As lésbicas não são mulheres", disse Monique Wittig, feminista lésbica, nos anos 80. Com esta afirmação, Wittig questionava a categoria que estava na base das reivindicações feministas, a categoria "mulher", dizendo que esta apenas tem e ganha sentido dentro da norma heterosexual. Com isto, Wittig denunciava que quando se falava de mulheres e dos seus direitos, se assumia que essas eram "heterosexuais"; denunciava também que a própria definição do que é ser uma “verdadeira mulher” se faz num sistema que apenas concebe a “heterosexualidade” como sexualidade válida. Se mulher é aquela que se une a um homem, logo, as lésbicas não poderiam ser mulheres.

As ligações entre feminismos e direitos LGBT nem sempre foram pacíficas, havendo tensões históricas documentadas, mas também uma longa tradição de alianças políticas. As críticas das mulheres lésbicas permitiram pensar de forma mais complexa o sujeito politico dos feminismos e a luta feminista abriu, indubitavelmente, espaço para a luta pela liberdade sexual e direitos LGBT. Hoje, pensar os direitos sexuais sem pensar a dimensão de género, ou o contrário, é amputar a leitura do mundo e reduzir a capacidade de transformação. Na raiz das desigualdades de género e com base na orientação sexual estão um mesmo sistema de género que impõe normas restritas do que é ser homem e do que é ser mulher – e mais nenhum género pode existir para além desse binarismo! -,sabendo que mulher não pode nunca ser aquela que ama ou deseja outra mulher.

No Dia Internacional das Mulheres – dia em que se celebra a luta histórica das mulheres por melhores condições de vida e em que se recorda os caminhos que há ainda a percorrer -, celebremos também a visão de que as opressões se entrecruzam e que não há reais conquistas feministas se elas não põem em causa a heteronorma, nem direitos LGBT se o sistema de género sai inabalado. Por alguma razão, sexo (género) e sexo (sexualidade) se confundem na escrita (dos textos e das vidas).

Salomé Coelho
UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta
28 anos »


FONTE: Dezanove.

Não festejem o dia, assinalem-no, LUTEM!


«Ninguém me perguntou por que é que essas feministas chatas não gostam de ganhar parabéns no dia da mulher

“Parabéns pelo seu dia, continuem sempre assim, nós amamos vocês, mulheres”. Aí te dão uma rosinha murcha. Ou um bombom. Ou te oferecem um tratamento facial, um curso de maquiagem, uma massagem. E não entendem porque você não está imensamente agradecida por terem lembrado de você nessa data tão especial.

Eu gostaria de não ter que lembrá-los disso, mas o dia da mulher não é uma data pra glorificar essa imagem estereotípica de feminilidade que vocês têm. É uma data de luta.

É uma data pra se lembrar das trabalhadoras têxteis que se uniram e deram início a uma revolução. Para se lembrar de todas as outras mulheres que lutaram, foram presas, apanharam, morreram, para que tivéssemos direitos básicos que ninguém pensaria em passar sem, como voto, propriedade, educação.

É uma data para se lembrar de todas as mulheres que ainda seguem privadas de direitos, tendo suas vidas controladas por homens, apanhando, sofrendo abusos. Para lembrar que essa realidade não é distante, não é só uma moça sendo violentada e morta por um bando de escrotos na Índia, mas está aqui no nosso quintal.
É uma data para se lembrar que mesmo nós, mulheres bem nutridas de classe média, ainda fazemos a maior parte do trabalho doméstico, ganhamos menos que os homens, e se formos negras, só piora.
Guarde as rosas para os doentes e os mortos.
Nós continuaremos lutando.»

FONTE: Alguém Me Perguntou.


Porquê o Dia Internacional da Mulher?


Dia Internacional da Mulher: 
Conheça a origem desta celebração


Dia Internacional da Mulher assinala-se hoje, dia 8 de março, como homenagem às mulheres em todo o mundo. A efeméride assinala também diversos factos históricos: o protesto de operárias têxteis nova-iorquinas por melhores condições de trabalho e as manifestações das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho, na I Guerra Mundial.

Neste dia 8 de março, em 1857, um enorme grupo de operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque deu início a uma greve, acompanhada de uma ocupação da fábrica. O objetivo desta luta era a reivindicação de uma redução do horário laboral (cerca de 16 horas por dia).
As mulheres defendiam 10 horas laborais de trabalho, bem como uma avaliação do seu salário, que representava um terço do salário pago aos homens. As operárias, cerca de 130, foram encerradas na fábrica e morreram queimadas.
Esta é a génese do Dia Internacional da Mulher, que foi instituído em 1910, aquando de uma conferência internacional de mulheres, que ocorreu na Dinamarca. No entanto, só mais tarde o dia foi celebrado. O dia 8 de março serviu então para homenagear as mulheres, com a comemoração deste dia internacional que persiste com muitas metas por cumprir.

Há mais de um século que as mulheres lutam pela igualdade de direitos laborais, o que ainda permanece por cumprir. Aliás, esta diferença entre homens e mulher é assinalada no Dia Europeu da Igualdade Salarial, comemorado a 2 de março, para chamar à atenção para um facto: as mulheres ganham menos do que os homens, que conseguem ordenados médios 16,4 por cento superiores.

Segundo números da Comissão Europeia, as mulheres portuguesas só conseguem atingir o salário dos homens com mais 65 dias de trabalho. Em Portugal, as mulheres ganham menos 18 por cento do que os homens.
A luta das operárias nova-iorquinas permanece, por isso, atual e assim faz todo o sentido celebrar o Dia Internacional da Mulher. E as mulheres são o centro de diversos factos históricos que se assinalam neste dia. Em 1702, de forma inesperada, Ana Stuart, a irmã de Maria II, torna-se Rainha da Inglaterra, Escócia e Irlanda, após a morte de Guilherme III.

Já em 1884, perante os membros do Comité de Justiça da Câmara dos Representantes dos EUA, Susan Anthony solicita que seja feita uma emenda à Constituição, que garanta às mulheres o direito ao voto.

A 8 de março de 1910 – precisamente no dia em que foi instituído o Dia Internacional da Mulher –, Raymonde de Laroche torna-se a primeira mulher a fazer um voo sozinha. Em 1911, dá-se o primeiro protesto em defesa do voto feminino. Já em 1971, durante a Revolução Russa, diversos protestos e greves são desencadeados por mulheres, em São Petersburgo, a marcar o início da Revolução de fevereiro.

No ano de 1975, a 8 de março, assinala-se pela primeira vez o Dia Internacional da Mulher. E neste mesmo dia, em 2000, os Correios do Brasil lançam um selo que presta uma homenagem a três mulheres pioneiras da aviação do país: Anésia Pinheiro Machado, Tereza de Marzo, Ada Rogato.


FONTE: Pt-Jornal.

No dia Internacional da Mulher, a ONU escolheu o tema: "Violência Contra as Mulheres"


Vejam o que a APAV tem a dizer sobre os fenómenos de violência doméstica. É sempre bom lembrar e desmistificar:




Dia Internacional da Mulher assinalado de norte a sul do país



O Dia Internacional da Mulher assinala-se hoje, com iniciativas nacionais e locais em defesa dos direitos das mulheres, lembrando que as portuguesas ganham em média menos 18% do que os homens, e estão pouco representadas nos conselhos de administração.
Logo pelas 09:00, o sino toca na Bolsa de Lisboa e dá o arranque à conferência "E2E: inspirar, apoiar, arriscar", organizada pela NYSE Euronext Lisbon, com abertura a cargo da secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais.

Pelas 10:00, o gabinete do Parlamento Europeu em Portugal organiza um debate sobre "O impacto da crise na vida das mulheres. Que respostas?", ao mesmo tempo que a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) e a representação da Organização Internacional do Trabalho promovem a sessão "Empreendedorismo Feminino".

Também durante a manhã, logo a partir das 10:00, a sessão plenária no Parlamento vai discutir e votar vários projetos de resolução do PCP, Bloco de Esquerda, PS e Partido Ecologista "Os Verdes" em prol dos direitos das mulheres.

O Partido Comunista vai pedir o combate ao empobrecimento das mulheres e às discriminações salariais, além de ir pedir a valorização efetiva dos direitos das mulheres no mundo do trabalho, enquanto "Os Verdes" pedem a não-discriminação laboral das mulheres.

O Partido Socialista vai pedir que seja aprovado o regime jurídico das organizações não-governamentais para a Igualdade de Género, enquanto o Bloco de Esquerda quer a não discriminação laboral das mulheres, a majoração do subsídio de desemprego e do subsídio social de desemprego para as famílias monoparentais, para lá de recomendar ao Governo que alargue a proteção da parentalidade.

Também de manhã, a Confederação geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP-In) assinala o Dia Internacional da Mulher com ações nos locais de trabalho e nas ruas, estando previsto que o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) promova plenários e realize uma tribuna pública, na qual vai denunciar casos de discriminação laboral de mulheres.

Mais à tarde, pelas 15:00, a secretária de Estado Teresa Morais promove um colóquio para assinalar o Dia Internacional da Mulher, sob o tema "Decidir em igualdade: paridade na tomada de decisão económica".

As iniciativas multiplicam-se um pouco por todo o país, como, por exemplo, em Braga, com uma tertúlia sobre "Género, minorias e multiculturalismos", organizada pela associação cabo-verdiana, em Coimbra, com uma concentração organizada pela União de Mulheres Alternativa e Resposta, ou no Porto, com um jantar tertúlia do "Ciclo Feminino", com a presença das escritoras Isabel Alçada e Luísa Castel-Branco, entre outras iniciativas.

Neste dia, será lembrada a presença residual de mulheres nos conselhos de administração das maiores empresas portuguesas, representando apenas 6% do total, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), que refere existirem 162 mil empresárias, em Portugal.

Apesar de estarem em clara minoria nos conselhos de administração, em 2011, havia 162 mil mulheres que eram empregadoras (35% do total nacional). Com uma idade média de 43,1 anos, uma em cada quatro empresárias possui um curso superior.

Dados da Comissão Europeia revelam que as mulheres portuguesas têm de trabalhar mais 65 dias do que os homens, para terem o mesmo ordenado, já que ganham em média menos 18%.

FONTE: SIC Notícias On-Line.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Slut Like You - P!nk (vídeo e letra)




«Tenho uma outra música chamada "Slut Like You" [...]. Esta é a minha forma não sofisticada, enquanto feminista, de recuperar o poder e, acreditem, é muito pouco sofisticada.»
P!nk

Vídeo com a letra:

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

França aboliu proibição de uso de calças por mulheres


Lei que proibia mulheres de usarem calças em França, em vigor há dois séculos, foi abolida. Ministra francesa dos Direitos da Mulher, Najat Vallaud-Belkacem, disse que legislação não era compatível com valores atuais do país.

Dois séculos depois, as francesas conquistaram esta semana o direito a usar calças compridas, sem quaisquer restrições. Foi abolida na passada segunda-feira a lei instaurada em 1800, logo após a Revolução Francesa, que exigia a mulheres que se quisessem vestir como homens que pedissem autorização à polícia.

Para a ministra francesa dos Direitos da Mulher, Najat Vallaud-Belkacem, essa legislação não era compatível com os valores atuais do país.
Polémica

As parisienses lutavam pelo direito de usarem calças desde a Revolução Francesa, quando os trabalhadores passaram a vestir calças compridas de algodão, ao invés das tradicionais culottes, largas na parte de cima e justas a partir do joelho, como fazia a aristocracia.

Na viragem do séc.XX, a arcaica norma sofreu uma emenda, permitindo que as mulheres pudessem, finalmente, usar calças. Mas com uma condição: "Se estiverem a segurar o guiador de uma bicicleta ou as rédeas de um cavalo".

Recorde-se que em maio do ano passado, a ministra da Habitação, Cécile Duflot, foi criticada por usar calças de ganga durante a primeira reunião do gabinete do Presidente François Hollande.

Meses depois, antes de iniciar um discurso na Assembleia Nacional, Duflot foi alvo de assobios e 'bocas' por parte de políticos, por estar a trazer um vestido floral. Na ocasião, comentou: "Já trabalhei em estaleiros de obras, mas nunca vi nada parecido. Isso diz muito sobre alguns dos parlamentares. Fico a pensar nas mulheres deles..."


FONTE: Expresso On-Line.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Deixo-vos esta imagem, de uma vítima de violação


Ainda há umas semanas discutia aqui nos comentários com um leitor, que insistia no facto de as mulheres deverem vestir-se de forma "apropriada" para não serem violadas, violentadas ou assediadas. Reparem:

  • «Conheço gajas que se vestem de forma provocante e que depois têm a lata de perguntar porque é que os homens olham para elas, como se elas tivessem mel. Isso não é sonsice? Ou será estupidez?»
  • «que é um facto que as mulheres que se vestem de forma provocante despertam mais a atenção dos possíveis predadores sexuais, lá isso é.»
  • «Achas que um predador sexual vai-se interessar mais por uma mulher que não mostra nada ou por uma mulher que mostra tudo e mais alguma coisa?» «Uma coisa é o direito de as mulheres se vestirem como bem entenderem, outra é quererem descartar-te das respectivas consequências.»
  • «Salvo algumas excepções, tipo na praia ou no carnaval, as mulheres devem vestir-se com discrição!»
  • «Eu nunca disse que a culpa era da mulher agora é preciso saber onde é que se anda e como se anda. Chama-se bom senso!»
  • «Não se esqueça que vivemos numa sociedade semi-tradicionalista e que por ser assim vê sempre a mulher como a vítima e nunca como a agressora. Existem muitos homens presos por causa dessa mentalidade.»
  • «mas especialmente no ocidente há mulheres que não sabem se vestir de acordo com as situações. Quem não quer ser lobo que não lhe vista a pele e quem pensa ao contrário deve julgar que o mundo é cor de rosa e que o rei é a Hello Kitty.»
  • «Vou-lhe dar uns exemplos que confirmam a minha opinião: Dou aulas de inglês a 10º ao 11º ano e já me canso de ver as pitas (e outras já bem mulherzinhas) que se vestem sem decoro algum, que provocam e depois todas as semanas chegam queixas ao CD da escola por parte delas a dizerem que foram apalpadas e/ou assediadas nos intervalos.»
  • «Algumas não têm culpa mas outras têm culpa e muita.»
  • «Felizmente que mais tarde elas já começam a se vestir como mulheres decentes mas eu gostava que já na adolescência elas tivessem esse discernimento.»
  • «Isto é uma crítica também para as lojas de roupa da moda. É uma vergonha entrar na Zara, na Bershka e outras lojas que até no inverno estão repletas de coleções de roupas com decotes, pouco tecido, transparências, sweats largas que deixam o soutien à mostra, calções de ganga que não são calções, mas sim umas autênticas fraldas que mostram quase tudo, influenciando negativamente as miúdas para que se vistam como umas galdérias de esquina. Vergonhoso no mínimo, quando dizem nas etiquetas que é para idades de 14-16 anos (decotes???)»
  • «eu não penso que a culpa seja da mulher.»
  • «Os homens não têm que ter atenção ao que vestem como as mulheres porque essa questão não é sociológica mas sim de natureza e lutar contra isso é ridículo
  • «sugeria que as mulheres também fossem educadas nesse sentido, indo para a escola ou para o trabalho vestidas decentemente, pois não é dado novo que em outros tempos haviam muito menos assédios e violações que hoje, o que está a acontecer hoje é a BANALIZAÇAO DO ASSÉDIO»
  • «Um dia que eu tenha filhos, garanto-lhe que não se vestirão como rappers ou prostitutas.»
Enfim... Eventualmente desistiu de "argumentar". Aliás, podem ver as minhas respostas e tudo o resto aqui.

Mas a seguinte imagem explica tudo na perfeição, apenas com uma frase:


«Preciso do feminismo porque as pessoas dizem-me que eu devia estar AGRADECIDA por o meu violador ter querido fazer sexo comigo.»

A culpabilização e a ridicularização da vítima têm de acabar. É nada mais do que triste, ridículo e de uma agressividade psicológica incomensurável e despropositada a alguém que já está em profundo sofrimento. Em resumo, É CRUEL.


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Assunção Cristas confirma. Cegonha chegou ao Governo


Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território planeia ficar a trabalhar até ao final da gravidez.

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É a primeira vez em Portugal que há uma ministra grávida em exercício. A confirmação foi feita pela própria Assunção Cristas, esta quarta-feira.

"É uma grande alegria para mim e para toda a família, um grande entusiasmo, agora é viver com tranquilidade, com a expectativa de que corra tudo bem e continuar a trabalhar, como sempre, com empenho, com dedicação, até chegar a altura da criança nascer que será no Verão", disse a ministra, acrescentando que planeia ficar a trabalhar até ao final da gravidez.

À margem da visita à exposição "Idade do Mar", na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, a ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território revelou que os secretários de Estado a vão poder substituir durante o período de licença de maternidade.

"Os vários senhores secretários de Estado são sempre competentes para assegurar qualquer substituição, portanto não há sequer um problema em relação a essa matéria", afirmou Assunção Cristas, na primeira vez que falou publicamente sobre a sua gravidez.


vídeo em: Rádio Renascença on-line.
FONTE: Rádio Renascença on-line.

Itália: Esquerda tem 40% de mulheres nas suas listas, Monti tem uma campeã de esgrima


Primeiro-ministro demissionário e líder de uma coligação de partidos centristas chamou para as suas listas a tripla campeã olímpica

O Partido Democrata, principal partido de esquerda em Itália, apresentou na noite de terça-feira as suas listas para as eleições legislativas de 24 e 25 de Fevereiro, onde figuram 40% de mulheres, uma novidade absoluta em Itália. Ao centro, Mario Monti arranjou como aliada uma "diva" da esgrima mundial.

"As nossas listas contam com 40% de mulheres. É uma revolução cívica a valorizar", disse o líder do PD, Pier Luigi Bersani, acrescentando que, em 35 círculos eleitorais, 18 mulheres são cabeças de lista. Estas listas renovadas contam também com muitos jovens e são o resultado de uma arbitragem entre os resultados das primárias realizadas no final de Dezembro, e em que participou um milhão de italianos, e as personalidades cuja candidatura foi imposta pelo partido. 

Ao lado de "históricos", como Bersani e o seu "número dois", Enrico Letta, ou os actuais líderes do PD na câmara e no senado, aparecem vários representantes da sociedade civil. Entre eles, o ex-procurador antimafia Piero Grasso, um antigo dirigente do patronato italiano, sindicalistas, uma das fundadoras do movimento feminista Se Non Ora Quando (Se não for agora quando será), Valeria Fideli, e jornalistas, como o director da RaiNews24, Corradino Mineo.

Nas listas do PD também está Ernesto Preziosi, ex-presidente da Acção Católica. "A partir desta noite, estamos em campanha eleitoral. Mais do que favoritos, sentimo-nos como vencedores", proclamou Bersani, que se disse "pronto para governar o país".


A "diva" Valentina

Mario Monti, primeiro-ministro demissionário e líder de uma coligação de partidos centristas que tentam fazer frente ao favoritismo da esquerda e à direita de Berlusconi, chamou para as suas listas uma "diva" da esgrima mundial, Valentina Vezzali, tripla campeã olímpica.

"Decidi fazer parte da equipa, porque Mario Monti é uma pessoa séria, que acredita na família, na ética e na moral. Ele fala de coisas concretas e nós, os atletas, estamos habituados a falar com factos", disse Vezzali, citada pela AFP.

Aos 39 anos, Valentina Vezzali, tripla campeã olímpica de florete (ouro em Sydney, Atenas e Pequim), disse que a sua candidatura em nada vai interferir com o seu objectivo de participar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016. "Mas agora a minha prioridade é estudar, preparar-me e merecer a estima" de Mario Monti, disse Valentina, que é polícia de profissão.

Segundo uma sondagem de 2 de Janeiro, realizada pelo instituto Tecnè para a Sky Italia, a coligação de centro-esquerda liderada pelo PD comanda as intenções de voto, com 40,3%. Segue-se o bloco de direita do PDL (Povo da Liberdade), da Liga Norte, e outras formações, com 26,30%. E, por fim, a coligação centrista de Monti recebe 12% das intenções de voto.


FONTE: P3 - on-line

sábado, 29 de dezembro de 2012

Milhares manifestam-se na Índia em homenagem a jovem violada num autocarro

imagem retirada do tumblr ed0ro.

« Milhares de pessoas manifestaram-se hoje de forma pacífica nas ruas das principais cidades da Índia para prestar homenagem à jovem violada por seis homens num autocarro em Nova Deli que faleceu esta madrugada [29 de Dezembro] em Singapura.

As manifestações estão a ter lugar em cidades como Hyderabad (centro), Bangalore (sul), Bombaim (oeste), Patna (norte) ou Calcutá (este), onde é pedido justiça e são reclamadas medidas de segurança para as mulheres, segundo diversos meios de comunicação indianos citados pela EFE.

Em Nova Deli, a maior concentração foi em Jantar Mantar, depois de a polícia ter cortado os acessos ao monumento da Porta da Índia, onde se registaram até agora os maiores protestos.

Os manifestantes começaram a chegar a Jantar Mantar logo pela manhã e o número de pessoas no local cerca das 20:30 (15:00 em Lisboa), sobretudo jovens que levavam velas e placas reivindicativas, superava as várias centenas.

Numa outra manifestação de indignação na capital indiana, um grupo de jovens estudantes da universidade JNU realizou uma marcha pacífica no sul de Nova Deli até à paragem de autocarro onde a jovem e um amigo apanharam aquele transporte e se encontraram com os violadores.

"Estamos tristes, mas também zangados. Quando acabarão este tipo de atrocidades? Por acaso as mulheres não são humanas?", questionou Nidhi, uma universitária, em declarações à agência local IANS.

As principais autoridades da Índia sublinharam hoje, em vários comunicados, que a morte da jovem "não será em vão" e referiram-se à vítima de violação como "uma verdadeira heroína que simboliza o melhor da Índia".

O corpo da universitária, que foi violada no passado dia 16 de dezembro durante 40 minutos por seis homens num autocarro e provocou uma onda de protestos na Índia, será transferido hoje de Singapura para Nova Deli num avião fretado pelo Governo indiano.

Os autores da violação foram detidos e a jovem, que tinha sido transferida na passada quarta-feira para o hospital de Singapura, morreu esta madrugada devido a "uma infeção nos pulmões e no abdómen e a uma ferida cerebral grave", segundo o relatório médico.

Um diplomata indiano que acompanhou a família da jovem em Singapura revelou que os pais "desejam que a morte da sua filha sirva para brindar um melhor futuro para as mulheres tanto em Nova Deli como de toda a Índia".
O departamento de registos criminais na Índia revelou em 2011 que em cada 20 minutos uma mulher é violada no país, mas que em apenas um em cada quatro casos o violador é devidamente condenado.

Segundo os analistas, a situação deve-se à "imensa corrupção" que existe no corpo policial indiano.»


FONTE: i on-line.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Padre italiano diz que forma como mulheres se vestem pode provocar criminosos


«Pietro Corsi causou polémica em Itália ao apelar às mulheres que reconsiderem a forma como se vestem, pois arriscam-se a provocar criminosos e a serem vítimas de violência.

A forma como algumas mulheres se vestem pode provocar instintos criminosos. A conclusão é de Pietro Corsi, um padre italiano de San Terenzo, e esteve defendida numa mensagem colocada na porta da sua igreja durante o Natal. A posição do padre causou polémica. O sacerdote, com remorsos, pediu a demissão.

“As mulheres com a sua roupa reduzida, que se afastam da vida virtuosa e da família, provocam instintos e devem fazer um exame de consciência: 'O que procuramos?'”. A frase é uma das retiradas de uma mensagem colocada por Pietro Corsi à porta da igreja de San Terenzo, no dia de Natal, e que foi divulgada nos media italianos.

A posição do padre suscitou críticas na sua paróquia e a polémica alargou-se a todo o país. Este ano, em Itália foram assassinadas118 mulheres.

O escândalo levou o bispo de La Spezia, Ernesto Palletti, a ordenar que fosse de imediato retirada a mensagem da igreja de San Terenzo, argumentando que as afirmações ali sustentadas atentavam contra o sentimento de condenação da violência sobre as mulheres. O bispo disse ainda existirem “motivações inaceitáveis que vão contra o sentimento comum assumido pela Igreja” sobre estes assuntos.

Pietro Corsi retirou a mensagem da porta da sua igreja. Na manhã desta quinta-feira tomou também a decisão de renunciar às funções de pároco. “Após uma noite de insónia devido à dor e aos remorsos suscitados pela justa polémica” causada pela sua “imprudente provocação”, Don Pietro Corsi decidiu abandonar o sacerdócio. O padre deixou ainda um pedido de desculpas, “as mais sinceras, não apenas a todas as mulheres ofendidas” pelo seu texto, mas também a “todos os que se sentiram ofendidos” pelas suas palavras.»

FONTE: Público On-Line


Mas quando é que acaba a história de que os homens são vítimas porque caem na "tentação" de violar uma mulher? Quando é que a mulher vai deixar de ser considerada culpada e de se sentir culpada por ser violada? Roupas "reduzidas" ou não, nenhuma de nós quer ser violada ou morta, mas queremos ter o direito de nos vestirmos como bem entendermos. O perverso é o violador ou feminicida, não a mulher "de roupas reduzidas".