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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

«POR ELES JAMAIS OPRIMIDAS!»


Anda pela rua, Maria, sozinha
De passo ligeiro, "vadia", "putinha"

A olhar para trás, sabia, "presinha"
Pelo único caminho, pedia calmia

Encostado à parede, grunhia, Alfredo
De olhar aguçado, sorria, nojento

Ao seu lado disse, baixinho, contente,
«Dá-me uma trinquinha, menina indecente!»



ANDA MAIS RÁPIDO, MARIA
CORRE SEM DONO, SOZINHA
COM GARRAS E DENTES, FRIA
COMBATE POR TI, FERIDA

CORRE E DEIXA RASTO, CAMINHA
ENFRENTA O MEDO, CAMILA
SOZINHA NÃO MAIS, COMBINAM
«POR ELES JAMAIS OPRIMIDA!»


"- Pega um chupa, fofinha, bonita"
- Pega um estalo, machão, taradão
"- Queres boleia, menina, jeitosinha?"
- Queres sodomia, João, sabichão?

"- Anda cá ao ourives, ò jóia, lindinha"
- Anda cá à coveira, ò jargão porcalhão
"- És como um helicóptero, boa e gira"
- És como o estrume, antro de podridão.


ANDA MAIS RÁPIDO, MARIA
CORRE SEM DONO, SOZINHA
COM GARRAS E DENTES, FRIA
COMBATE POR TI, FERIDA

CORRE E DEIXA RASTO, CAMINHA
ENFRENTA O MEDO, CAMILA
SOZINHA NÃO MAIS, COMBINAM
«POR ELES JAMAIS OPRIMIDA!»


Feminista do Diabo




domingo, 8 de setembro de 2013

O Problema Dos Feminismos ou Os Preparativos Para O Colapso Feminista

Não há como entender a obcessão que alguns grupos, instituições ou pessoas feministas têm por criticar outros grupos, instituições ou pessoas feministas. A existência de vários feminismos tornou-se, por este motivo, evidente. Tão evidente quanto enfraquecedora do feminismo enquanto movimento geral de luta pela igualdade entre géneros. Dessa pluralidade de um feminismo enfraquecido muito poucos resultados significativos se retiram. 

Ora se criticam feministas que mostram as mamas, ora se criticam feministas que usam burka; ora se critica o activismo "radical" de umas, ora se critica o activismo quase passivo de outras; porque são "femininas", porque são "masculinas"; porque mostram a cara, porque não mostram a cara; a agressividade no diálogo, a "simpatia" no discurso; falar da vida sexual, não falar; nunca fazer a depilação, fazer sempre a depilação; não usar maquilhagem, usar muita maquilhagem; ser "magra", ser "gorda"; ser "cuidada", ser "desleixada"; ser lésbica, ser heterosexual; não fazer tarefas domésticas, fazê-las; não sorrir, sorrir; tirar macacos do nariz, não tirar; etc.

No meio de tantas críticas feministas a outr@s feministas o objectivo comum a tod@s passa para segundo plano e tudo quase se torna numa competição mesquinha e retardada para descobrir quem é "A Mais Feminista De Todas". Quase, eu disse quase.

Nós, as feministas distraímo-nos do que é essencial, perdemos o nosso tempo com isto, e os anti-feministas e machistas deleitam-se. Acabam, no fundo, por ficar com o trabalho simplificado face a um feminismo que está a implodir e que se irá auto-destruir, caso continue assim, causando mais danos (retrocessos, se quiserem ser pessimistas) do que conquistas efectivas. O feminismo está, por isso, não só ameaçado pelos anti-feministas e machistas, mas também ameaçado pel@s própri@s feministas.

Impõe-se uma união feminista (logo, fortalecimento feminista) e exige-se com urgência, porque, convenhamos, apesar das diferenças que identificam cada tipo de feminismo, a causa, a luta que em nós se entranhou, é comum: o fim do patricarcado. Esse deve ser o foco. Foquemo-nos!


Feministas de todo o mundo, uni-vos!



Razões para ser anti-feminista:

  1. Ser machista.
Fim.




sábado, 18 de fevereiro de 2012

Desistência? Não a esperem nunca de mim.

Tinha noção de que isto iria acontecer. Apenas desconhecia que viria a ser desta dimensão e de tamanha insistência. O objectivo deste blog sempre foi consciencializar e não nunca tornar-se numa plataforma de ódio gratuito onde se oferecem insultos, ameaças e ridicularizações. Sabia que o machismo era persistente, não fazia ideia de que o anti-feminismo fosse uma expressão tão pesada e construída. Já fui chamada de "vadia" e de "filha da puta" (como se a minha mãe tivesse algo a ver com o assunto) e também já me posso orgulhar de ter recebido ameaças de morte e de vingança.

Por achar que é o mais correcto, praticamente não faço filtragem de comentários. Aceito-os todos, excepto spam. Alguns utilizam um nome, outros são "anónimos". A maioria fala no plural e fala em "guerra", em "ódio" e, mais um vez, em "vingança". Mas qual vingança?! Vão vingar-se de quê? De quem? parece tudo tão despropositado.

É grave. É muito grave que não saibam o que é o Feminismo (sinónimo de luta pela igualdade entre homens e mulheres). Por vezes também recebo críticas de mulheres. Umas mais fortes, outras mais subtis, mas são críticas de quem não percebe o conceito. Gostava muito que se dessem ao trabalho de procurar entender antes de ridicularizarem o meu trabalho. Podem fazê-lo até sem sair do blog. Já o disse tantas e tantas vezes. Não há qualquer ódio que me guie, não há qualquer tentativa de superiorização em relação ao homem. Não há nenhum fundamento de vingança. A mulher tem o direito de ser igual ao homem. É simplesmente por isso que luto. Nada mais. Eu estou a lutar por vocês, mulheres machistas/anti-feministas. Estou a lutar, mesmo que seja devagar.


Perdoem-me @s que querem mais rapidez. Não é fácil manter um blog deste tipo. Não, é muito difícil. Mas comentários (críticos e ofensivos) apenas me darão mais força e alento. Não esperem nunca de mim uma desistência. Estou comprometida do início até ao fim.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Machismos de Hoje

Quatro raparigas raparigas passam por um corredor onde estavam 5 rapazes em grupo. Ao passarem ouve-se:

"0, 4, 0, 6"   (estavam a atribuir-lhes notas sobre o corpo)

.........................................................

O professor universitário para uma aluna que percebeu o que ele tinha acabado de explicar:

"estão a ver como ela é bem mandadinha...?"

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Feminismo e Marianismo

A propósito do questionário que coloquei no Diário das "Fêmeas" e que esteve aberto até ao dia 31 de Dezembro de 2010 e de alguns comentários e opiniões, venho clarificar o que não é o feminismo.

Quero apenas deixar a ideia de que Faminismo, apesar de se opor (na medida em que luta contra) ao machismo, não é o oposto do machismo. A mulher feminista não visa uma vigança nem anseia a superiorização ao homem.  A mulher feminista não é aquela que tem a vontade de inverter a opressão masculina transformando-a em opressão feminina. A mulher feminista quer cessar a opressão masculina, dando lugar à igualdade entre géneros.

Essas mulheres, que se acreditam superiores ao homem não são Feministas, são Marianistas.

Alguns locais a visitar:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Marianismo
http://feministactual.wordpress.com/2008/03/22/marianismo-como-critica-exasperada/
http://www.paracleto.net/marianismo_no_espiritismo.php



quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Os maus argumentos do Manifesto Antifeminista

[ Post dedicado ao(s) "Anónimo(s)" dos comentários ao post

Após aprender um pouco mais de retórica, devo esclarecer que o "Manifesto Antifeminista" não tem falácias. Porquê? Porque uma falácia é um argumento que aparenta ser bom ou válido mas que na verdade não o é. A falácia só é falácia se enganar alguém, o que não é, claramente, o caso.

Posto isto, vou limitar-me a esclarecer porque é que os argumentos não são, de facto, bons e contra-argumentar. Para tal, irei fazer a transcrição na íntegra do referido manifesto e irei, por forma a contra-argumentar, "interrompe-lo", colocando observações ou questões.

MANIFESTO ANTI-FEMINISTA

"O feminismo na sua forma leve é um severo transtorno narcisista e egocêntrico da personalidade. É vaginismo mental, género centrismo, agressão, genocídio, histerismo, ódio à raça humana e a natureza. Uma mistura nada sã, perversa e malévola de psicopatia e de manifestado comportamento anti social. O feminismo é sociopatia. "

Se assim fosse, já as feministas teriam morto todos os homens. Onde andam essas feministas assassinas?

"Na sua forma mais grave e não recuperável é consequência da incapacidade para a lógica e para a adaptação à realidade produzida pela deterioração e a mutação biológica que produz um defeito físico que limita a inteligência e as capacidades cognitivas a parâmetros não humanos. Este defeito é a homossexualidade e as suas consequências e expressões ideológicas são o homossexualismo e o feminismo, a sua tampa."

Quem diz? Onde estão as provas científicas de que feminismo é sociopatia? e porque é que argumentam isso? Quais são os indícios que observam nas feministas que os leva a tirar essa conclusão?

Homossexualidade não é condição do Feminismo nem o Feminismo é condição da homossexualidade. Há muitas(os) Feministas que não são homossexuais. Posso dar-lhe dois grandes nomes, símbolos do Feminismo e que mantiveram sempre relações com homens: Simone de Beauvoir e Maria Teresa Horta.

"O feminismo é uma agressão e violação flagrante da realidade e da historia. Este revisionismo histórico é uma acusação sem precedentes contra a humanidade, os nossos antepassados e os nossos concidadãos."
(este argumento irá ser repetido mais adiante, por isso, falarei lá)

"O feminismo é vaginocentrismo, generopatia, sexo centrismo, umbigo centrismo e megalomania."
(Argumento REPETIDO. Já tinhamos percebido a ideia...)

"O feminismo é um vírus que ameaça a humanidade."
Ameaça? Porquê?

"A revolução anti feminista é o anti vírus."
se o Feminismo é um "virus", o Anti-feminismo é o "anti virus". Obvio demais...

"O Feminismo é uma tentativa de usurpação lésbica da feminilidade,..."
Quem disse que as lésbicas não são femininas?
e por que se preocupam tanto com a feminilidade?
Feminilidade não é condição da mulher.

"...da soberania individual das mulheres e de se apropriar pela força das sua mentes e da sua vontade."
As mulheres não são nenhuns bonecos. Sabem pensar por si próprias. Quem é contra o Feminismo e tem a certeza da sua convicção, não virá a ser feminista..

"A revolução anti feminista é a Civilização devolvendo o golpe. É onde as dão as recebem, é o castigo para o crime. É o cirurgião marcando, cortando, extirpando e desinfectando."
Francamente não entendo este argumento. Estão a falar de que golpe? Qual é o crime que as feministas fizeram? e porquê essa comparação com um cirurgião? Essa comparação até me parece positiva. O cirurgião cura as pessoas, permite que vivam mais tempo e com mais qualidade de vida...

 "O feminismo não se discute, destrói-se."
Esta posição parece-me completamente absolutista e, portanto, ridícula. Quem não está disposto a discutir as suas ideias, limitando-se a não a ouvir as dos outros ou a extingui-las, é porque tem noção da fragilidade dos seus argumentos.

"Revolução Anti-feminista somos a sociedade e sua representação. "
Se o anti-feminismo, apesar de ter, a nível mundial, muitos "adeptos", é claramente uma minoria, como é que representa a sociedade? e porque é que se consideram "A sociedade"? parece-me mais uma visão absolutista..

"Somos a avançada da Civilização e a sua retaguarda. Representamos os homens aos que não conseguiram ajoelhar e simbolizamos a forma do seu sapato. As feministas são a pré-história. A Civilização foi, é e será o futuro. É algo ao que elas terão que se ir habituando."
Devo entender, portanto, que os homens querem viver sozinhos, entre homens; que as mulheres devem ficar na "pré-história". Devo também daqui concluir que a mulher não tem capacidade intelectual para contribuir para a evolução da humanidade?! (e será que, com esta questão, terei de provar que isso não é verdade?!)

"Revolução Anti-feminista, na sua luta pela liberação social do lacre feminista, é e representa a sociedade."
Mais um argumento repetido... explicado e fundamentado é que não...

 "Os revolucionários sabemos, a sociedade sabe-o."
se os anti-feministas são a sociedade (algo que foi afirmado acima), então é obvio que sabem...

"É uma resposta à virulenta e vândala agressão da homossexual ideologia feminista que sofre a Civilização ao longo do planeta."
A lógica deste argumento também me escapa. Mas não entendo a insistência na ligação da homossexualidade ao feminismo... mas isso é algo que também não é explicado em todo o "manifesto".

"O que inicialmente era uma potencial ameaça, passou a ser uma ameaça real até chegar a ser em muitos países uma agressão sem limites em toda a regra. O feminismo é um vírus e deve ser tratado como tal. Pelo seu código genético não oculto para a avançada anti-feminista tem a potencialidade de se converter em surto."
De facto, com o facto de considerarem o Feminismo como uma ameaça, devo concordar. É uma ameaça para todos(as) os(as) anti-feministas (i.e. Machistas), porque visa a igualdade. E vocês, homens, coitadinhos, sentem-se ameaçados porque não querem ser retirados do pedestal que os superioriza às mulheres.
Quais as agressões que as feministas praticaram? (são necessários exemplos e nomes para se fazer uma acusação).
Estão a falar de que código genético? e o que tem o código genético a ver com correntes de pensamento e opinião?

"Mas nós não o permitiremos. Contra o feminismo, tolerância zero. Uma corrente de saúde contra o feminismo. A revolução anti-feminista é um antivírus, gerador de antivírus e potenciador do sistema imunitário da Civilização. É a resposta intelectual, real e social à imbecilidade genética e adquirida, ao crime e à barbaridade."
Outro argumento repetido...

"Revolução Anti-feminista proverá de meios físicos, teóricos e intelectuais para o combate para a erradicação viral e trabalhará sem descanso até definir o protocolo definitivo para o seu isolamento, neutralização e liquidação definitivas. Mesmo assim, proporá as actuações necessárias para evitar que estas circunstâncias nao voltem a ser possíveis nunca mais."
Portanto, vão matar todas as Feministas? e vão predefinir, imagino que genéticamente (porque parece que é daí que vem o problema), todas as mulheres para serem submissas a vossas excelências e para não porem em causa a vossa superioridade?

"Revolução Anti feminista é uma unidade de combate contra a mentira do feminismo porque no feminismo tudo é mentira. Revolução Anti-feminista como não pode ser de outra maneira, nega a maior: nega a veracidade das premissas feministas e dos seus postulados."
Ia perguntar onde estão as mentiras. Ia pedir exemplos. Mas vem aí o exemplo da história!

"Nega, obviamente, as evidentes e doentes mentiras sobre a historia, o seu revisionamento histórico, e a sua reconstrução orwelliana da realidade e a historia como tentativa necessário de demonstrar as suas imbecilidades por meio da comprovação científica da sua reinvenção homossexual da historia."
Ah! era isto!... Sendo assim, devo informar-vos que, às mulheres, sempre foi dificultado o acesso à educação e, por tanto, negado o acesso às ciências, como, por exemplo, a História. Não é por acaso que, até ao final do século XX, tudo o que é estudado, nas diversas áreas científicas, foi teorizado por homens. Não, meus senhores! Não foi porque as mulheres nunca foram capazes de produzir intelectualmente. Foi, sim, porque a mulher estava em casa a lavar tachos e a cavar terra nos intervalos de amamentar os filhos, enquanto esses senhores iam ter com os professores, aprender, produzir, etc... Ora, se a mulher esteve sempre longe dos terrenos científicos, se era o homem que produzia ciência, então foi o homem que escreveu todas essas "mentiras" sobre a história... Eram esses homens homossexuais? eram controlados por mulheres? não me parece...

"Negamos também a veracidade e a validade da terminologia feminista. Termos e conceitos como: “exploração da mulher”, “igualdade”, machismo, sexismo, homofobia e “situação da mulher”. Esses são termos próprios desta ideologia anti-social, marginal e homossexual mas não da sociedade."
Em que se baseiam para o negar? E porque negam a terminologia "sexismo" se acusam as feministas de serem sexistas? Onde está a prova científica de que o Feminismo e a utilização dessa "terminologia" tem consequências na capacidade de socialização da mulher, na sua correctidão moral ou na sua orientação sexual?

"São insultos articulados ideologicamente e utilizados politicamente para a agressão, a alienação social e a lavagem de cérebro colectivo."
Toda a gente tem o direito de se sentir ofendido com a verdade. Isso não quer dizer que se trate de um insulto, de uma agressão ou de alienação social, muito menos de lavagem de cérebro colectivo. As feministas que conheço não argumentam com insultos. Argumentam, efectivamente com argumentos (que é coisa que estes senhores não devem saber o que é), clarificando o significado de cada uma das palavras referidas, o seu sentido, e apresentando dados claros que lhes permitam utiliza-las.

"Alguém que chama machista ou homófobico a um homem ou a uma mulher deve ser detido e posto de quarentena. Enquanto isto não acontecer, esta sociedade não será livre."
Este é o melhor "argumento" de todos!! O que é uma sociedade "livre"? é uma sociedade onde ha uma classe sobre-valorizada que impõe, por obrigação e por intimidação, os padrões de comportamento que ache ideais, bem como as correntes de pensamento convenientes. Exemplos de sociedades "livres": Regime Nazista, Qualquer Monarquia não contemporânea ou o regime do "Grande Irmão" relatado no livro 1984 de George Orwell. São sociedades livres, desde que faça o que lhe é obrigatório fazer.

"Na última tentativa de abordagem e assalto à Civilização a ideologia de género é a última mutação do vírus. Mediante a sua institucionalização pela força organiza-se a nova fase de acosso e assedio à população civil."
Estamos a falar do quê, mesmo? 

"Constrói-se um dicionário, fabricam-se conceitos e palavras feministas e aprova-se uma lei na legislação espanhola para homossexualizar a sociedade começando pela sua parte mais fragilizada: pelas crianças e pela juventude. Assim, violando e pervertendo as suas mentes querem chegar a cumprir os seus tórridos sonhos de submissão sexual à humanidade."
Não conheço a legislação espanhola, muito menos do caso específico a que se referem. Por isso, não entendo onde querem chegar. E voltamos ao problema da homossexualidade... Agora até calhava bem dizer: Enquanto os homossexuais não forem extreminados da face da terra, a sociedade não será livre.

"Revolução Anti-feminista não tem nem terá posição política."
Oh! é uma pena... Teriam toda uma "sociedade"/"civilização" a votar neles.

"Um regime político é inaceitável se for feminista."
Porquê? Feminismo não pode ser um regime político, mas um regime político pode ser, também, ideologicamente feminista.

"O seu objectivo não são interesses ou estratégias políticas senão a liberdade da humanidade e a Civilização: a revolução."
Mais uma vez, querem libertar a civilização e a humanidade do terrível vírus, mutação física, homossexualidade, que é a capacidade de alguém se opor às vossas ideias.

"Nem está a favor nem contra da direita ou da esquerda."
Isso já é algo que duvido... Não me vão dizer que não são conservadoristas, pois não? é que, o que vocês pedem é que a mulher volte a ter a compostura de submissão que tinha ha algumas décadas. e o conservadorismo quer conservar o que lhe parece correcto... (o que não quer dizer que seja efectivamente correcto)

"Ao ser a sociedade, representa todas e nenhuma das ideologias que nela se dão."
e porque é que isso faz sentido?! Porque vocês só dão lugar a uma ideologia?

"Mas isso não é óbice para esquecer quem são os culpados e instigadores e não para os apontar com o dedo. Revolução Anti feminista acusa a esquerda de ter traído e agredido a sociedade e os seus votantes e de ter conspirado contra a democracia e o nosso sistema de liberdades vendendo a sua alma ao feminismo e ao homossexualismo, convertendo-se eles a si mesmos em parte do problema."
Sacanas dos partidos de esquerda! Sempre a querer acabar com a liberdade! Têm a mania que toda a gente tem os mesmos direitos e deveres, que toda a gente tem liberdade de pensamento e que não importa se é mulher ou homem. é uma pouca vergonha...

"Mas Revolução Anti-feminista também acusa a direita de olhar para outro lado."
Claro! Acham-se muito fortes, mas, ao fim e ao cabo, até são capazes de ouvir o outro lado e os argumentos da outra parte. Mania que são democratas! (Só faltou aqui a sugestão de que são homossexuais... Aposto que foi essa simpatiazita pelo conservadorismo que pesou!)

"Estas duas circunstâncias não passaram ao lado a ninguém. A direita como a muitos concidadãos fica-lhe a disciplina pendente de se posicionar: ou é feminista ou é anti-feminista. Isto é uma guerra e só existem dois lados."
é pah! (agora, ironia e sarcasmo à parte) Nesta eu até concordo...  Até porque defendo que, o Feminismo só o é quando um(a) feminista toma uma posição activa na sociedade. Por isso, se alguém tomar uma posição passiva estará, automaticamente, a ser anti-feminista (i.e. Machista).

"A direita deve assumir as suas responsabilidades e começar a desmontar o Estado feminista, a derrogar as leis feministas e a reconhecer que o feminismo é o problema."
Qual "Estado feminista"? o que é isso? Ah! Afinal a luta pela igualdade sempre é um problema. Estou esclarecida! Mas porque é que é?

"O feminismo é a tampa e a mentira patológica das auto denominadas lésbicas e do lesbianismo."
Agora voltamos ao tempo de Freud, em que a homossexualidade era uma patologia, uma doença que era preciso curar. Parece que isto é mais do que conservadorismo. Ficaram-se no século passado, foi? Ah, é verdade! Ainda não foi explicada a ligação entre o feminismo e a homossexualidade. Continuo na ignorância...

"O ódio doentio que sentem para com o universo, a natureza e a realidade consequência da sua anormalidade biológica empurra-as até à agressão individual e social, a tentar subverter a realidade e a instaurar o feudalismo e a alienação social."
Primeiro, onde estão as provas desse ódio que as leva à agressão?
Segundo, onde estão as provas de que tentam "subverter a realidade" e "instaurar o feudalismo e a alienação social"? De que forma é feita essa tentativa?

"As feministas e os seus súbditos não nos deram a escolher: escolheram a mentira esperando que a verdade nos fosse inútil."
"Mentira"! Cujo único exemplo foi o da História e que foi um exemplo muito bom, por sinal...

"Mas são precisamente o conhecimento e a verdade o que nos manterá a salvo: a verdade do que fomos, do que somos e do que seremos. Por cima da pressão mediático-jurídico-política a qual nos querem submeter os golpistas. Por cima da tentativa para instaurar o feminismo onde se estão a gastar milhões de euros do nosso trabalho, do nosso esforço y das nossas famílias. O pão dos nossos filhos."
os "golpistas" pretendem, por exemplo, que a mulher tenha igualdade no acesso ao emprego. Se vocês e as vossas mulheres trabalharem, terão mais pão para das aos vossos filhos. 1+1=2. Ou também vão negar isto?

"Revolução Anti-feminista são os homens que mais uma vez estão a altura das circunstâncias. Revolução Anti-feminista incha o peito e assume a sua responsabilidade histórica na luta contra a barbárie saindo a combate para defender as sus famílias, aldeias e cidades da morte, a escravidão, a violação e o feudalismo."
Claro! Incham o peito como um animal da selva para defender a sua família: a SUA mulher e os SEUS (dele) filhos, porque macho que é macho defende o que é seu. Isto é tudo muito bonito, mas também implica uma inferiorização da mulher! Porque é que não é ela a defender a família, as aldeias e as cidades? Além disso, morte, escravidão, violação e feudalismo não é algo que as feministas queiram fazer ou concretizar. Gostava de saber onde vão buscar estas ideias.

"A Civilização sobreviveu até agora e não vamos permitir que um punhado de doentes a destrua. À humanidade custou-nos muito chegar até aqui para tolerar uma invocação que nos leve ao Cretácico. A humanidade os derrotará. A vida uma vez mais vencerá."
Mais bla bla bla repetido...

"O feminismo é um desafio à Civilização, a todos e a cada um de nós."
é o desafio para que seja encontrado o equilíbrio e a igualdade entre homem e mulher.

"A revolução é o processo de liberação e reconquista que inevitavelmente reclama a nossa responsabilidade tomando parte activa tanto do processo e da vitoria, como da permanente e indefinida vigilância para a manutenção da liberdade recuperada."
Volto a ter dúvidas em relação à qualificação de "liberdade"...

"NOS somos a nova era: a era de Aquário. NOS somos o fim do feudalismo. NOS somos o fim dos tempos de 2012. Somos o fim e somos o princípio. Somos o vosso fim. Levamos um mundo novo nos nossos corações e esse mundo está a nascer neste instante. Sempre o tivemos e sempre o teremos. Aparece cada manha e é a Luz do dia. Brilha tanto e com tanta força que a escuridão desaparece. A eterna batalha entre as forças da luz e as névoas onde o Mal sempre foi derrotado. Também esta vez serão derrotados desde a mais insigne e infame organização feminista até aos Grupos de Pressão Homossexuais."
Isto é tão poético, tão bonito, que nem sei se vou comentar. O único problema é que isto não é científico... é uma pena...

"A revolução anti-feminista é o vosso karma. As leis inevitáveis e implacáveis de esse universo que tanto odeiam. É o limite a vossa loucura e o vosso delírio. Revolução Anti-feminista é a lei, a ordem, a estrutura, a paz social, a perseverança, a perduraçao, a determinação, o governo, a consecução e a Civilização. Tudo o que as feministas não são."
Ora, mais um "argumento" repetido e não comprovado...

"Nos não falamos nem com feministas nem com lésbicas. Não temos nenhum tipo de relação com as feministas: nem afectivas, nem de amizade, nem sexuais, nem emocionais, nem espirituais. E ainda menos com as feministas que publicamente reconhecem a sua homossexualidade. Também esperamos e agradecemos de nossas amigas, noivas e mulheres contínuas, habituais e públicas manifestações do seu anti-feminismo."
Oh, porquê? têm medo que o vírus vos contagie? Têm medo que os argumentos das feministas sejam tão bons que derrotem os vossos? Mais uma vez, entende-se a fragilidade mascarada destes anti-feministas em relação aos seus "argumentos".. 

"A ambiguidade e a neutralidade não são anti-feministas."
Ora bolas! Eu, acima, disse precisamente que a passividade (ambiguidade e neutralidade no mesmo saco) é anti-feminista. Que chatice! Acho que vou alterar! hum... Não.

"Mantenhamos limpas as nossas relações, as nossas vidas e a civilização! Se evitarmos o contacto com o vírus, evitaremos que nos parasite."
Ah! Afinal, sim, têm MESMO medo!

"Exigimos a abolição do Regime Feminista e a depuração das instituições."
Porquê? 

"Mas antes gostaríamos que os nossos Senhores Feudais respondessem as seguintes perguntas: Porque nos quiseram impor pela força a ideologia feminista, o feminismo?"
"pela força" entende-se...?

"Porque estão envolvidos na subversão contra a liberdade e a democracia?"
Oh céus! Agora não sei responder a isso! Porquê? Porque vocês não deixaram, de todo, claro o que é afinal a liberdade e a democradia e se é algo positivo ou negativo.

"O que achariam se em vez do feminismo como ideologia do Regime aplicássemos o anarquismo e a terminologia anarquista?"
O que entendem por anarquismo e  o que é a "terminologia anarquista"? Duvido que uma organização anárquica da política resultasse. Mas, como disse, o Feminismo não governa. Apenas pode fazer parte das ideologias de alguns partidos.

"Então os que iriam ficar sem propriedades, sem poder e sem dignidade seriam vocês Isto já assusta, Eh? Com esse fogo não brincam, eh?"
Ora... Algo me escapou! Porque é que, com uma política anarquista as feministas iriam ficar sem "propriedades, sem poder e sem dignidade"?

"É altura de que o Masculinado rompa as correntes e se livre da opressão e exploração a qual fomos submetidos pelas protofeministas, as feministas, e as homossexuais."
Quais opressões e explorações?

"Os homens sempre fizemos os trabalhos mais duros, perigosos, mortais e pior pagos e sempre morremos em massa para salvar as mulheres."
Mais uma vez, coitadinhos dos homens. Coitadinhos porque podiam ter direito a trabalhar. A mulher também tinha direiro a trabalhar, mas era para o homem, em casa, a fazer todas as lides domésticas, trabalhar no campo e cuidar dos 10 filhos que tinha para criar. O melhor é que não recebia nada. O homem dava-lhe dinheiro para comprar comida, e que não fosse demasiado para ela não andar a esbanjar num avental novo que já tem um há 5 anos. E também recebia um bónus: porrada. Coitadinhos dos homens...

"Agora as homossexuais querem legisla-lo e fazer do esclavagismo e da exploração do homem lei e doutrina do Regime. Querem roubar-nos o futuro."
Onde estão as provas destas evidências?

"Incrivelmente, estamos de acordo numa questão com as feministas: as mulheres não são agressoras. Isso é irrefutável."
Porque é que é "irrefutável"? A mulher tanto pode ser agressora como não, tal e qual o homem.

"Nenhuma mulher é agressora. Se é agressora é feminista. Se é feminista não é mulher. Da mesma forma que a agressão não faz parte da natureza feminina, o feminino não faz parte da natureza feminista. As feministas não são mulheres."
Olha que coisa engraçada! Este é outro "argumento" que me fascina! Um Macho, se não for agressivo também não é homem! Será o quê? gay?

Mas voltamos à mesma questão do início do "manifesto", que, por incrível que pareça, ainda não foi respondida!: porque é que uma feminista não pode ser feminina? O que vos leva a crer que todas as feministas são agressoras? Onde estão factos que o comprovem?

"Os homossexuais são um defeito de fabricação biológica que faz com que não sejam nem homens nem mulheres."
Ah, então é isso! Os homossexuais são pessoas tão defeituosas que nem sexo têm! São anjos!!
 
"A agressão verbal ou física de “mulheres” a mulheres e homens é feminismo."
Não concordo. Como já referi acima, o feminismo não visa agredir nem insultar ninguém. Apenas propor a igualdade entre homem e mulher num clima de justiça.
 
"Paralelamente, o feminismo é a ideologia que mais agrediu a humanidade no seu conjunto, a homens, mulheres e crianças, mais além de sistemas políticos, religião, raça, idade ou sexo. A síntese da violência e o ódio ao próximo."
e provas?
 
"Há quem poderia falar muito sobre como se converteram durante 40 anos de ditadura feminista a raparigas carinhosas e pacíficas em hienas sarnosas e agressoras que lhes sai espuma pela boca. Em como se lhes lavou o cérebro em como se lhes tenta lavar."
Quem é que poderia falar? Como se chama o senhor? (presumo que seja um homem)...
Ditadura feminista? onde?!
Agressoras, não, conscientes da opressão de que eram vítimas. Tratou-se de uma consciencialização e não de uma lavagem cerebral. As mulheres escolheram ver a realidade que as cercava. Infelizmente, como é obvio, a maior parte das mulheres continua sem ter consciencia. e vocês ainda falam em "ditadura feminista" e "lavagem cerebral"...
 
"Também nisto não temos nada a ver os homens porque é obvio que gostamos delas femininas, doces, princesinhas, entregues e vestidas de mulher."
i.e. domadas por vocês! Se estivessem realmente dispostos a dar lugar à liberdade, iriam perceber que amar verdadeiramente uma mulher implica deixa-la ser como ela é, deixa-la explorar, conhecer, estudar, produzir património intelectual...
Vocês já não estão muito crescidos para acreditarem em histórias de príncipes e princesas?
 
"Se homens não fomos e as feministas não sabem fazer o O com um canudo, teria que se perguntar com ironia aos nossos Senhores Feudais a ver se sabem quem foi . Ver se sabem quem legisla, quem controla os meios de comunicação, quem decide sobre os filmes que passam. Se sabem, por acaso, quem pode dispor e decidir gastar somas tão grandes de dinheiro para legitimar e impor pela força o feminismo, os seus seguidores, as suas mentiras. O Ministério da Verdade é um baralho de cartas que será tomado pela plebe durante a revolução anti-feminista."
Outro argumento vago cuja conclusão é imperceptível...

"O dia de hoje marca um antes e um depois. Já nada voltará a ser igual. Deteremos o saque da Civilização. Juntos chegaremos mais longe do que nunca poderias chegar a imaginar. Pela Civilização, contra a barbárie!" [Fim do Manifesto Antifeminista]
Em relação a isto, nada a dizer.. só no futuro se poderá ver se estas ameaças se concretizaram ou não.

Em relação ao pdf com o qual o anónimo diz concordar:
Concordo que há mulheres que, claro, se aproveitam dos homens e sobrevivem à custa deles. Mas, sim, também há homens que o fazem. No entanto, não considero essas mulheres feministas. e posso assegurar-lhe que as feministas têm orgulho e fazem questão de poderem trabalhar e de se sustentarem a si próprias. Julgo que há ainda muita confusão em torno do feminismo. Talvez seja porque muitas mulheres que se consideram feministas não o são efectivamente. E julgo que também se confunde muito feminismo com marianismo. Posso dizer-lhe que, dentro do que está ao meu alcance, sou feminista 24h por dia. e, sendo assim, julgo que terá de me tirar o chapéu. Mas não só a mim, ha todo um grupo de mulheres que merece que se lhes tire o chapéu. O problema é que essas mulheres não são publicamente conhecidas nem valorizadas.


Poderia explicar-me qual é essa "central que espalha conhecimento por todo o mundo e blogosfera"?



segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Violência Doméstica


A página 18 do Diário de Notícias de 17 de Dezembro é preenchida com duas notícias sobre o caso do senhor Mário Pessoa, agressor e homicída:



Homicida ouviu ontem em tribunal um GNR que baleou. Outro guarda, testemunha no caso, foi agredido a murro. 

Um militar da GNR de Montemor-o-Velho, testemunha no julgamento de Mário Pessoa - que matou a mulher e um soldado da Guarda no interior do posto local -, interveio anteontem numa situação grave de violência doméstica em plena via pública, na freguesia de Pereira do Campo.

O militar e um colega acabaram, aliás, agredidos a murro e pontapé quando tentavam separar a mulher do marido agressor, apurou o DN com fonte policial. Foi necessário a patrulha algemar o homem de 31 anos.

A situação aconteceu pelas 18.30 de quarta-feira. O agressor deu vários empurrões e uma forte cabeçada na mulher. Uma moradora assistiu à cena violenta e protegeu a vítima: puxou-a para dentro de casa e chamou a GNR. O homem desapareceu do local por momentos, mas voltou a aparecer quando avistou a patrulha da GNR. A mulher foi falar com os militares e o marido, irado, descarregou na patrulha ao murro e pontapé. Um dos guardas ficou ferido no peito e o outro no pulso.

Os dois militares, apesar de combalidos, ainda conseguiram algemar o homem, que estava descontrolado. Segundo adiantou fonte policial, os dois guardas precisaram de tratamento hospitalar. Um dos soldados denunciou o detido pelo crime de agressão a elementos da autoridade.

Este detido já tinha antecedentes pelo crime de violência doméstica: uma queixa-crime apresentada no tribunal de Soure - localidade onde o casal residiu antes de se mudar para Montemor-o- -Velho - e outra mais recente, de uma agressão à mulher ocorrida no final do mês numa rua em Coimbra e registada pela PSP.

O agressor foi ontem conduzido ao tribunal de Montemor-o-Velho, mas, ao final da tarde, ainda não tinha sido ouvido. Um dos guardas que ele agrediu era para prestar depoimento como testemunha no julgamento de Mário Pessoa, mas o seu depoimento foi agendado para outro dia.

Foi um outro militar da GNR de Montemor-o-Velho, baleado a 29 de Novembro de 2009 por Mário Pessoa, que protagonizou, ontem à tarde, um dos depoimentos-chave do processo em que o arguido está acusado de 11 crimes, entre os quais duplo homicídio e violência doméstica. Adérito de Jesus Teixeira contou com detalhe todos os momentos que passou, desde que ouviu a sirene de uma ambulância. Antes disso, Maria Manuela tinha feito queixa por violência doméstica.

Os bombeiros que tentaram levá-la ao hospital (e que inverteram a marcha antes de entrar na auto--estrada para a Figueira da Foz devido à perseguição do homicida) contaram, ontem, que a vítima tinha hematomas na cabeça, sangrava dos lábios.

Nesta segunda sessão do julgamento de Mário Pessoa, o militar Adérito Teixeira lembra que quando saiu do posto, para ver porque estava ali uma ambulância em emergência, logo viu o arguido com uma caçadeira, ameaçando todos os militares que surgiam à porta do posto dizendo que saíssem da sua frente pois matava-os a todos. O testemunho deste sobrevivente envolvido neste caso trágico de violência doméstica foi escutado em profundo silêncio na sala de audiências do Tribunal Judicial de Montemor-o-Velho, onde assistiam muitos colegas da GNR.

Mário quis desmentir o relato do militar da GNR. "Prefiro uma prisão perpétua, ele não está a dizer a verdade", disse. O juiz presidente questionou, irritado: "Este senhor agente que saiu baleado está a mentir?" Mário repetiu a tese que se queria suicidar."



Mário Pessoa, ao voltar a evocar ontem a tese de suicídio frustrado, provocou a exaltação do juiz que preside ao colectivo. "Eu era um ser possuído pelo demónio, queria desistir da vida." A frase, em tom exaltado, do arguido Mário Pessoa, no fim da segunda sessão do julgamento em que ele responde por 11 crimes, levou o juiz presidente a adverti-lo, em tom ríspido: "O senhor está cá, a sua mulher não está. O senhor está cá, o militar [David Dias] da GNR não está." Mário Pessoa ainda diz: "Estou com gatilho nas mãos, é fácil disparar", voltando à tese que defendeu no início deste julgamento que queria "desistir da vida".

O duplo homicida ouviu ontem com particular atenção o depoimento da irmã da sua mulher, dos dois bombeiros que tentaram transportar Maria Manuela (vítima de violência doméstica) e do militar baleado. Só os seus pais se recusaram ontem a depor. Findo o testemunho de Teresa Paula Rama Costa, irmã da mulher assassinada a tiro dentro da ambulância, Mário Pessoa levantou-se e gritou: "Paula, saúde para os nossos meninos, minha linda!"

Ela descrevera, momentos antes, o cenário de violência que encontrou em casa da irmã: "Depois de saber que ele a tinha matado fui lá a casa. Vi sangue nos cortinados do quarto da filha, nos tapetes, na casa de banho. Havia uma moldura partida, com a foto do casal." Teresa, emocionada, afirmou que a filha mais nova do casal, que ia ao colo da mãe na ambulância e que depois teve de receber tratamento hospitalar vítima de estilhaços, ainda hoje "tem muitas saudades da mãe". Justifica: "Ela era uma menina feliz, a minha irmã fazia tudo pelos filhos." Na sala, escuta-se o choro de algumas pessoas.

Adérito Texeira, o militar sobrevivente ao tiroteio dentro do posto, justificou porque o homem que tinha acabado de disparar contra a sua mulher não foi algemado, situação que muitos na altura dos trágicos acontecimentos não conseguiram compreender: "Como era muito próximo do posto, como ele não ofereceu resistência, não houve necessidade de algemar." Certo é que Mário Pessoa ainda tinha um revólver no bolso das calças e voltou a disparar. David Dias sucumbiu, baleado.

Quando o militar Teixeira descreve tudo o que viveu dentro do posto até levar Mário Pessoa até à zona prisional, ouve-se, de novo, o arguido a dizer: "Tanta mentira, meu Deus!"

O juiz presidente pergunta ao militar: "Alguma vez se apercebeu que ele queria pôr termo à vida?" A resposta de Adérito é negativa. Explica, sim, que o arguido fazia força com o braço quando tirou um objecto do bolso. "Para mim foi um disparo, fui atingido na anca direita, gritei 'foge Dias', consegui sair de pé, mas comecei a rastejar depois..."

A próxima sessão é a 4 de Janeiro."


E isto é algo que me preocupa profundamente. Ditados como "Quanto mais me bates, mais eu gosto de ti" ou "Entre marido e mulher não se mete a colher" estão ultrapassados. Uma denúncia e separação por parte da mulher logo na primeira agressão ou denúncias por parte dos vizinhos ou familiares poderiam ter salvo a mulher. Quem ama não agride. A passividade não resolve. Quem agride uma vez, agride as vezes que forem necessárias. Se é vítima de violência doméstica, não continue a ser domada, não seja cúmplice da sua morte. Se tem conhecimento de algum situação de violência doméstica, denuncie. Violência Doméstica é um crime público. Qualquer pessoa tem o direito e a possibilidade de denunciar. Ao fazê-lo, poderá estar a salvar uma vida. Ao escolher não fazê-lo estará a compactuar com o agressor. Nesta matéria não há campo neutro.





sábado, 11 de dezembro de 2010

São estas pequenas coisas que me irritam

Há dias recebi este e-mail:


"AGRADEÇO...

À MINHA MULHER, por dizer que teremos ao jantar só pão com manteiga, porque ela está em casa comigo e não em algum outro lugar, não sei onde!


AO MEU MARIDO, ESPARRAMADO COMO UM PURÉ DE BATATA, A LER NO SOFÁ, porque ele está comigo e não a tomar uns copos em algum bar... 


À ADOLESCENTE CÁ DE CASA, QUE ESTÁ RECLAMANDO POR TER QUE LAVAR A LOUÇA, porque isso significa que está em casa, e não deambulando pelas ruas...


PELAS BRONCAS DO CHEFE, pois isto significa que estou empregado...


PELA BAGUNÇADA EM QUE FICOU A CASA DEPOIS DA FESTA, porque isso significa que estive rodeado de amigos...


PELAS ROUPAS QUE ME ESTÃO A FICAR "JUSTAS", porque estou de saúde e tenho o suficiente para comer…


PELA MINHA SOMBRA QUE ME ACOMPANHA, porque isso significa que ando fora e ao sol...


PELA RELVA QUE PRECISA SER CORTADA, PELAS JANELAS QUE PRECISAM SER LIMPAS, E PELAS PERSIANAS AVARIADAS, porque isso significa que tenho uma casa...



POR TODAS AS QUEIXAS QUE FAÇO CONTRA O GOVERNO, porque isso significa que temos liberdade de expressão...



PELO LUGAR QUE SÓ CONSEGUI NO FIM DO PARQUE DE ESTACIONAMENTO, porque tenho carro e posso caminhar...



PELA CONTA MONSTRUOSA DE ENERGIA QUE PAGO, porque isso significa que tenho conforto em casa...



PELA SENHORA DESAFINADA QUE CANTA ATRÁS DE MIM NA IGREJA, porque isso significa que tenho ouvido...



PELA PILHA DE ROUPAS PARA LAVAR E PASSAR porque isso significa que tenho família...



PELOS MÚSCULOS DORIDOS E A FADIGA AO FINAL DO DIA, porque isso significa que fui capaz de ter um dia preenchido...


PELO DESPERTADOR QUE DE MANHÃ ME ABORRECE, porque isso significa que continuo vivo...


ESTOU GRATO PELOS "PALERMAS" DOS MEUS COLEGAS DE TRABALHO,
porque tornam o dia mais divertido e interessante...


[e, finalmente, por receber montes de e-mails, pois isso significa que os amigos pensam em mim!!! manda isto para quem gostas, como eu fiz contigo!... ]"

Concordo que há pessoas que se queixam por tudo e por nada e que isso não é saudável, mas... Percebem o que nos é aqui proposto? Querem que nos conformemos com a mediocridade. Nesta optica, se uma miúdo reprovar todos os anos não importa, pelo menos anda na escola; se um norte-coreano vir a sua família toda ser morta não faz mal, pelo menos está vivo, ah, e tem boa visão.

Depois, claro, notem que quase tudo o que está ali escrito é em relação à mulher. É como quem diz: "trabalha e não reclames, anda, não me chateies porque por me teres a mim e à família que eu te dei já é motivo suficiente para estares agradecida".

Mas o que é isto? A natureza humana é exigir sempre mais. e esse é o motor da evolução. Se sentimos que estamos mal e agradecemos pelo lado positivo da coisa para nos, em certa forma, despreocuparmos com o lado negativo não haverá evolução nenhuma.


Por favor, exijam sempre mais! Não se conformem com o que têm.



sábado, 27 de novembro de 2010

Números Preocupantes ( mas não surpreendentes )


Venho apenas deixar uma notícia que contém dados que falam por si. São números divulgados a propósito do Dia Internacional da Mulher que se "celebra" a 8 de Março. Apesar de ser contra os dias internacionais, mundiais, nacionais ou o que seja, quero apenas referir que este dia não trata de celebrar a mulher. É, antes, um protesto, uma memória que deveriam ser mantidos todos os outros dias do ano. Não se trata de exaltar as qualidades da mulher. Trata-se do assumir de uma luta que não deveria deixar ninguém indiferente. Grite sempre, e não apenas hoje. Celebre só depois de terminar de gritar..




"Dia das Mulheres: as mesmas lutas há 100 anos


A violência contra as mulheres e a discriminação laboral continuam a ser as grandes lutas, cem anos após a Dia Internacional da Mulher, que hoje se comemora em todo o mundo.

Nos últimos dias, relatórios nacionais e internacionais voltaram a chamar a atenção para o facto de as mulheres continuarem a ter mais dificuldade em ascender a lugares de topo. Em Portugal, por exemplo, a participação da mulher no mercado de trabalho é das mais elevadas da União Europeia, mas apenas 16 por cento exerce cargos de chefia.

No ano passado, a maior parte dos 2,4 milhões de mulheres empregadas fazia parte do "pessoal dos serviços e vendedores" ou exercia profissões não qualificadas.

Num mundo laboral ainda dominado por homens, é mais fácil uma mulher chegar a cargos políticos, nomeadamente a Chefe de Estado, do que a presidente ou diretora executiva de empresas privadas multinacionais.

No entanto, existem apenas 10 mulheres no atual Governo - não chega a 19 por cento do total dos governantes - e no Parlamento, as portuguesas ocupam apenas 63 das 230 cadeiras do hemiciclo (27,4 por cento do total de deputados).

Mesmo quando desempenham funções iguais, existem fortes riscos de os salários serem diferenciados, com eles a ganharem mais do que elas. A disparidade salarial média entre homens e mulheres na União Europeia é atualmente de 18 por cento, sendo que em Portugal é de 9,2 por cento.

No entanto, dados da presidente da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), mostram uma realidade ainda mais preocupante: as diferenças salariais rondam os oito por cento nas profissões indiferenciadas, mas "nos cargos de topo e lugares decisórios verifica-se mais de 30 por cento de diferença salarial entre homens e mulheres".

Apenas em um terço das famílias portuguesas, a mulher tem um rendimento superior ao do marido.

E na hora de ver os índices de desemprego, as mulheres aparecem como as grandes vitimas. A nova presidente da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, Sara Falcão Casaca, lembrou que há uma "sobrefeminização" do desemprego e uma em cada quatro mulheres estão em situação de precariedade laboral.

Os números de queixas feitas à CITE mostram essa realidade: entre 2008 e 2009 quadruplicaram o número de denuncias, na maior parte das vezes relacionada com a não renovação de contratos de grávidas ou recém mães.

Em 2008, a CITE recebeu 36 queixas, um número que disparou no ano seguinte atingindo as 164 queixas.

Também os funcionários da Linha Verde da CITE viram duplicar o seu trabalho em 2009, ano em que atenderam quase duas mil chamadas relacionadas com problemas laborais de grávidas e recém mães ou pais em licença de paternidade.

No total, a procura de esclarecimentos telefónicos mas também por escrito junto da CITE duplicou: de pouco menos de dois mil em 2008 para mais de quatro mil em 2009.

E, quando termina o dia de trabalho, as mulheres ainda têm pela frente mais 16 horas de labuta semanal em relação aos homens, porque as lides domésticas ainda são uma tarefa "delas": "Quando olhamos para os gráficos de tempo de trabalho pago e não pago, as mulheres trabalham em média mais 16 horas por semana", contou à Lusa Natividade Coelho, presidente da CITE.

Para combater esta realidade, que é um problema mundial, a Comissão Europeia adotou na semana passada uma Carta da Mulher, onde se assume uma série de compromissos a cumprir até 2015, nomeadamente a promoção da igualdade no mercado de trabalho e igual independência económica para as mulheres e os homens. "


Fonte: Sapo / LUSA ( 08 de Março de 2010 )

sábado, 25 de setembro de 2010

A Moda do Anti-Feminismo

Quando percebi a dimensão do movimento Revolução Antifeminista, de Espanha, percebi que é algo que nos deve preocupar a nós, não só enquanto feminístas, mas, sobretudo, enquanto mulheres.

Hoje, encontrei um blog igualmente anti-feminísta, Lobo Sagrado, do Brasil, que me oferece a confirmação de que o movimento de Espanha não é, com certeza, um caso isolado.

Nos dois casos, pelas pessoas que estão envolvidas ou pelos comentários que recebem, percebemos que não são uma única pessoa, já não se representam a si próprios isoladamente, mas representam um grupo, um grupo de apoiantes do anti-feminísmo.

Este é o indício claro de que o feminísmo está em crise e que, se olharmos por muito mais tempo estes grupos com superioridade, indiferença ou desvalorizaçao, rapidamente nos sujeitamos a viver um século XXI segundo os "bons costumes" dos séculos passados.

Não basta PENSAR que somos iguais, temos de agir, temos de PROVAR que o somos.
Por muito que pensemos que não temos nada a provar a ninguém, que é óbvio que homem e mulher são iguais, isso não faz nada por nós. Ser mulher é estar em luta para que nos deixem sê-lo, caso contrário, arriscamo-nos a voltar a ser simplesmente fêmeas do homem.

Não é por um sobrinho dum primo duma tia da avó ajudar a mulher em casa e a respeitar enquanto ser humano que a mulher já terminou a sua luta, é necessário aprender a reconhecer as mentes machistas que continuam a querer sê-lo para, assim, conseguir lutar por nós e pela igualdade que ainda nao temos e que já nos querem tirar.

Se assim não for, corremos o risco de nos identificarmos com textos como este: Desabafo de uma Mulher Moderna.


quinta-feira, 9 de setembro de 2010

"Revolução Antifeminista" - Afinal ELES é que são as vítimas

Tomei conhecimento deste movimento anti-feminista (de Espanha) há cerca de meio ano, através da Luna Karenine, que me mostrou em mãos o seguinte cartaz:



Nessa altura, o site divulgado no cartaz estava ainda em construção.

Hoje, voltei a visitar o site, que já pode ser explorado e que apresenta, aliás, conteúdos em português (bem como noutros idiomas).

Clicando em "Manifesto", é-nos proposta a leitura de um Manifesto Anti-feminista, do qual passo a mostrar alguns excertos:



"O feminismo na sua forma leve é um severo transtorno narcisista e egocêntrico da personalidade. É vaginismo mental, género centrismo, agressão, genocídio, histerismo, ódio à raça humana e a natureza. Uma mistura nada sã, perversa e malévola de psicopatia e de manifestado comportamento anti social. O feminismo é sociopatia. Na sua forma mais grave e não recuperável é consequência da incapacidade para a lógica e para a adaptação à realidade produzida pela deterioração e a mutação biológica que produz um defeito físico que limita a inteligência e as capacidades cognitivas a parâmetros não humanos. [...]

O feminismo é vaginocentrismo, generopatia, sexo centrismo, umbigo centrismo e megalomania. O feminismo é um vírus que ameaça a humanidade. A revolução anti feminista é o anti vírus. O Feminismo é uma tentativa de usurpação lésbica da feminilidade, da soberania individual das mulheres e de se apropriar pela força das sua mentes e da sua vontade. [...]

O feminismo não se discute, destrói-se. Revolução Anti-feminista somos a sociedade e sua representação. Somos a avançada da Civilização e a sua retaguarda. Representamos os homens aos que não conseguiram ajoelhar e simbolizamos a forma do seu sapato. As feministas são a pré-história. A Civilização foi, é e será o futuro. É algo ao que elas terão que se ir habituando. [...]

O feminismo é um vírus e deve ser tratado como tal. Pelo seu código genético não oculto para a avançada anti-feminista tem a potencialidade de se converter em surto. Mas nós não o permitiremos. Contra o feminismo, tolerância zero. [...] A revolução anti-feminista é [...] a resposta intelectual, real e social à imbecilidade genética e adquirida, ao crime e à barbaridade.

Revolução Anti-feminista proverá de meios físicos, teóricos e intelectuais para o combate para a erradicação viral e trabalhará sem descanso até definir o protocolo definitivo para o seu isolamento, neutralização e liquidação definitivas. Mesmo assim, proporá as actuações necessárias para evitar que estas circunstâncias nao voltem a ser possíveis nunca mais. Revolução Anti feminista é uma unidade de combate contra a mentira do feminismo porque no feminismo tudo é mentira.

Revolução Anti-feminista [...] Nega, obviamente, as evidentes e doentes mentiras sobre a historia, o seu revisionamento histórico, e a sua reconstrução orwelliana da realidade e a historia como tentativa necessário de demonstrar as suas imbecilidades por meio da comprovação científica da sua reinvenção homossexual da historia. [...]

Alguém que chama machista ou homófobico a um homem ou a uma mulher deve ser detido e posto de quarentena. Enquanto isto não acontecer, esta sociedade não será livre. [...]

Isto é uma guerra e só existem dois lados. A direita deve assumir as suas responsabilidades e começar a desmontar o Estado feminista, a derrogar as leis feministas e a reconhecer que o feminismo é o problema. O feminismo é a tampa e a mentira patológica das auto denominadas lésbicas e do lesbianismo. O ódio doentio que sentem para com o universo, a natureza e a realidade consequência da sua anormalidade biológica empurra-as até à agressão individual e social, a tentar subverter a realidade e a instaurar o feudalismo e a alienação social. [...]

Revolução Anti-feminista são os homens que mais uma vez estão a altura das circunstâncias. [...] A Civilização sobreviveu até agora e não vamos permitir que um punhado de doentes a destrua. À humanidade custou-nos muito chegar até aqui para tolerar uma invocação que nos leve ao Cretácico. A humanidade os derrotará. A vida uma vez mais vencerá. [...]

NOS somos a nova era: a era de Aquário. NOS somos o fim do feudalismo. NOS somos o fim dos tempos de 2012. Somos o fim e somos o princípio. Somos o vosso fim. [...] A revolução anti-feminista é o vosso karma. As leis inevitáveis e implacáveis de esse universo que tanto odeiam. É o limite a vossa loucura e o vosso delírio. Revolução Anti-feminista é a lei, a ordem, a estrutura, a paz social, a perseverança, a perduraçao, a determinação, o governo, a consecução e a Civilização. Tudo o que as feministas não são.

Nos não falamos nem com feministas nem com lésbicas. Não temos nenhum tipo de relação com as feministas: nem afectivas, nem de amizade, nem sexuais, nem emocionais, nem espirituais. E ainda menos com as feministas que publicamente reconhecem a sua homossexualidade. Também esperamos e agradecemos de nossas amigas, noivas e mulheres contínuas, habituais e públicas manifestações do seu anti-feminismo. A ambiguidade e a neutralidade não são anti-feministas. Mantenhamos limpas as nossas relações, as nossas vidas e a civilização! Se evitarmos o contacto com o vírus, evitaremos que nos parasite. [...]

É altura de que o Masculinado rompa as correntes e se livre da opressão e exploração a qual fomos submetidos pelas protofeministas, as feministas, e as homossexuais. Os homens sempre fizemos os trabalhos mais duros, perigosos, mortais e pior pagos e sempre morremos em massa para salvar as mulheres. Agora as homossexuais querem legisla-lo e fazer do esclavagismo e da exploração do homem lei e doutrina do Regime. Querem roubar-nos o futuro.

Incrivelmente, estamos de acordo numa questão com as feministas: as mulheres não são agressoras. Isso é irrefutável. Nenhuma mulher é agressora. Se é agressora é feminista. Se é feminista não é mulher. Da mesma forma que a agressão não faz parte da natureza feminina, o feminino não faz parte da natureza feminista. As feministas não são mulheres. [...]

é obvio que gostamos delas femininas, doces, princesinhas, entregues e vestidas de mulher. [...]

Pela Civilização, contra a barbárie!"


Fui verificar... Estamos no século XXI. A sério, estamos mesmo!!

Mas é obvio: os machistas não poderia permitir por muito mais tempo que a mulher lutasse pela igualdade. Alguém que se acha superior nunca iria permitir passivamente que outro alguém se assumisse ao seu lado.

A nós, mulheres, cabe-nos assumir ainda com mais força esta luta que é nossa e que é por nós, contra o elitismo masculino e o machismo no seu expoente máximo mascarado de "Revolução Anti-feminista" que veste o homem de vítima em prol da luta alegadamente contra uma definição de Feminismo que não corresponde à real. Esta luta é contra a mulher, contra a emancipação da mulher e a favor da abolição de tudo o que ela representa.


Não fiquem indiferentes! Isto é CASTRAÇÃO!



quinta-feira, 19 de agosto de 2010

SUECA – O Jogo dos Homens


Depois de um bom churrasco (através do qual o macho conseguiu comprovar a sua masculinidade) para dar continuação ao dia dos homens, ele deve participar entusiasmadamente no jogo Sueca. É que, na verdade, a organização de um churrasco, por si só, não é suficiente para o homem se afirmar enquanto macho. Todas as acções e palavras que saem de uma boca masculina servem, precisamente, para demonstrar esse facto: “Eu sou homem, [piii]!”. Assim, este é um jogo de afirmação masculina, tanto que teimam em que permaneça um autêntico mistério para as mentes femininas.



Com o tampo da mesa limpo de quaisquer impurezas que possam sujar as cartas e com uma boa pinga por perto para encher o copo e aquecer a garganta (o vinho aqui não é considerado impureza, já que beber é de macho e, como este se trata de um outro adereço tão masculino, é considerado, antes, um agente purificador. Ser possuidor de cartas com manchas de vinho é um orgulho!), estão reunidas, com mais três jogadores, as condições necessárias para o início deste jogo épico.



Digo épico porque é bem ao jeito de uma batalha de gladiador. De súbito, no momento da distribuição das cartas, vemos o local onde decorre o jogo transformado numa arena romana, onde cada um dos intervenientes terá de lutar pela sua vida. O que ganhar ganha não só o carimbo da masculinidade, símbolo de uma superioridade em relação à mulher, mas também o carimbo da grandiosidade, símbolo de uma superioridade em relação a todos os homens, isto é, uma superioridade suprema.



Como vemos, este jogo tem um propósito muito específico que, ao contrário do que se pensa, não é o de servir o entretenimento masculino enquanto as mulheres arrumam e vasculham a vida dos vizinhos. O que leva um homem a querer participar na Sueca é o mesmo que o leva a assistir a um jogo de futebol com outros homens, em especial, de clubes directamente concorrentes do seu. Desmistificando, trata-se da oportunidade de poder insultar e gritar com os outros jogadores/espectadores sem, com isso, sofrer qualquer punição ou pôr em risco a amizade com qualquer um deles (um pouco à semelhança do que se vê diariamente na assembleia da república). Como se vai dizendo, “amigos, amigos, negócios à parte”.



Assim, para vencer os seus amigos (que visão tão viril), o homem socorre-se de vários meios. O primeiro, no fundo, o desencadeador de todos os outros, é precisamente o vinho. Embora não se perceba muito bem, este agente purificador tem também o poder de permitir a quem o bebe saltar a regra mais importante do jogo: o silêncio. A partir do momento em que o vinho torna possível a comunicação verbal durante o jogo, toda a sua dinâmica muda.



O recurso à fala torna, por consequência, praticável o recurso ao tão útil palavrão. Também a arte de usar um palavrão em cada frase, distribuição de cartas, jogada ou contagem de pontos é uma forma do macho se aproximar da arte de o ser. E, se conseguir proferir uma frase apenas com recurso a palavrões tratar-se-á de um herói, um exemplo a seguir, “Um grande homem!”.



O palavrão é, claramente, um incentivo à discussão intensa e com decibéis superiores aos de um qualquer estádio de África do Sul repleto de adeptos da vuvuzela. Estas discussões, normalmente, surgem quando a sua equipa perde e são utilizadas simplesmente para esclarecer quem é, dentro da equipa derrotada, o melhor jogador. É claro que, se a sua equipa perder, a culpa não é sua, é sempre do seu companheiro de equipa. Ora um diz que o outro é burro e que não percebeu os sinais, ora o outro diz que esse é que tem de ser mais específico. No final, nunca se chega a perceber realmente de quem foi a culpa. Percebe-se, apenas, que a outra equipa joga melhor, porque, como é óbvio, ganhou (não para os homens, porque, quando a outra equipa ganha é, simplesmente, porque teve sorte).



Porém, neste jogo onde a regra do silêncio é interrompida pela comunicação verbal, há, ainda, a resistência da comunicação não verbal. Falo dos murros e pancadas confiantes que o homem sente necessidade de dar numa ou outra jogada, de quando em quando. Calma, calma! Não o fazem por estarem chateados, fazem-no simplesmente para mostrar que têm a certeza que vão ganhar (mesmo que não a tenham). No fundo, acaba por funcionar um pouco como o bluff no Poker, com a pequena diferença de, na Sueca, ser inconsciente. Mas têm a certeza que vão ganhar porquê? Porque são superiores aos outros, são invencíveis. Por isso, têm de os ganhar, quanto mais não seja, pelo método da intimidação. “Se ele consegue dar um murro daqueles na mesa sem partir os ossos e sem se magoar, imagine só o que me pode fazer a mim se lhe ganho!!”



Assim, no final de comunicações verbais, palavrões, discussões e competições de murros na mesa em prol da salvaguarda do masculino em cada macho, apesar de haver uma equipa que, em termos numéricos, ganha, na prática, quem ganha é o macho e a masculinidade tão superiores quando comparados com a fêmea e a feminilidade. Desta forma, a mulher tem de felicitar o homem por este feito e cumprir a sua obrigação. Limpar a arena romana, a quaisquer horas que o combate tenha terminado, enquanto o homem se prepara calmamente e triunfante para o seu sono de herói, faz parte da sua recompensa.