quinta-feira, 28 de julho de 2011

« Cidade do México penaliza assassínios de mulheres por razões de género




Assassinar uma mulher por razões de género passou a ser um crime tipificado no Código Penal do distrito do México e as condenações podem ir dos 20 aos 60 anos de prisão. Nos últimos dois anos foram mortas naquela região mais de 200 mulheres.

A mudança que agora entrou em vigor no Código Penal do distrito a que pertence a capital mexicana não se refere a todos os assassínios de mulheres, mas sim àqueles que foram motivados por questões de género, os casos “em que a vítima apresente sinais de violência sexual de qualquer tipo”. Os assassínios na sequência de violações, por exemplo, ou de violência doméstica.

A reforma penal já tinha sido aprovada em Junho pela assembleia legislativa local, mas foi agora publicada. Na nova lei é tipificado o crime de “feminicídio” para os casos de violência sexual ou “mutilações prévias ou posteriores à privação da vida”.

Organizações como a Amnistia Internacional têm vindo a denunciar o aumento destes crimes no México, o que estará relacionado com uma elevada taxa de impunidade e com dificuldades no acesso à justiça. Só nos arredores da capital mexicana foram assassinadas 203 mulheres por questões de género entre Janeiro de 2009 e Dezembro de 2010, segundo o Observatório Nacional de Feminicídio no México. Dessas, 108 tinham entre 21 e 40 anos de idade.

O Governo local do distrito do México adiantou em comunicado que, de acordo com a nova legislação, serão considerados “feminicídios” os casos em que tenha havido ameaças ou em que a vítima tenha sido alvo de violência ou quaisquer tipo de lesões, bem como as situações em que o corpo seja exposto ou deixado num local público, adiantou a agência EFE. Nestes casos, é muito comum a vítima ter estado incomunicável mesmo antes de ter sido assassinada.

Estes crimes podem agora ser condenados a penas que vão dos 20 aos 50 anos de detenção, mas nos casos em que exista uma relação sentimental entre o agressor e a vítima, qualquer relação de parentesco ou de confiança, a moldura penal aumenta, sendo a pena mínima de 30 anos e a máxima de 60 anos de detenção.

O chefe de governo do Distrito Federal do México, Marcelo Ebrard, considerou que este é “um passo para construir uma sociedade onde exista efectivamente igualdade e as mulheres vivam livres de violência”. Os dois novos artigos inscritos na legislação distrital determinam que os assassínios de mulheres por questões de género devem ser investigados recorrendo a procedimentos como o registo fotográfico da vítima e a descrição das sua lesões, bem como a recolha de amostras de ADN que devem ser catalogadas numa base de dados genéticos. »


segunda-feira, 25 de julho de 2011

"A Desfolhada Portuguesa" - Ary dos Santos


Corpo de linho
lábios de mosto
meu corpo lindo
meu fogo posto.

Eira de milho
luar de Agosto
quem faz um filho
fá-lo por gosto.


É milho-rei
milho vermelho
cravo de carne
bago de amor


filho de um rei
que sendo velho
volta a nascer
quando há calor.


Minha palavra dita à luz do sol nascente
meu madrigal de madrugada
amor amor amor amor amor presente
em cada espiga desfolhada.


Minha raiz de pinho verde
meu céu azul tocando a serra
oh minha mágoa e minha sede
oh mar ao sul da minha terra.

É trigo loiro
é além tejo
o meu país

neste momento
o sol o queima
o vento o beija
seara louca em movimento.


Minha palavra dita à luz do sol nascente
meu madrigal de madrugada
amor amor amor amor amor presente
em cada espiga desfolhada.


Olhos de amêndoa
cisterna escura
onde se alpendra
a desventura.


Moira escondida
moira encantada
lenda perdida
lenda encontrada.


Oh minha terra
minha aventura
casca de noz
desamparada.


Oh minha terra
minha lonjura
por mim perdida
por mim achada.

Interpretação de Simone de Oliveira na Eurovisão de 1969:



Interpretação de A Naifa:



Interpretação de Ana Vasconcelos:

terça-feira, 21 de junho de 2011

A segunda figura do Estado português é uma mulher


Depois de Maria de Lourdes Pintasilgo ter ocupado o cargo de Primeiro-Ministro, em Portugal, de '79 a '80, Maria Assunção Esteves foi hoje nomeada para o cargo de Presidente da Assembleia da República, a segunda figura do Estado, o mais alto cargo alguma vez ocupado por uma mulher em Portugal.



"Assunção Esteves eleita Presidente da Assembleia por maioria confortável


Assunção Esteves foi eleita para a Presidência da Assembleia da República por 186 votos, ficando a 18 votos do resultado obtido em 2009 por Jaime Gama - que foi o presidente da AR mais votado desde o 25 de Abril - mas que mesmo assim é uma maioria confortável.

A candidata do PSD obteve ainda 41 votos brancos e dois nulos. Votaram 229 deputados, tendo faltado um.

Assunção Esteves torna-se assim na primeira mulher a assumir o cargo que representa a segunda figura do Estado.

Assunção Esteves, de 54 anos, foi a primeira mulher a desempenhar o cargo de juíza no Tribunal Constitucional, onde esteve entre 1989 e 1998, e também a única eurodeputada eleita para o Parlamento Europeu nas eleições de 2004, pela lista de coligação Força Portugal (PSD/CDS-PP).

Licenciada em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa, onde também fez um mestrado em Ciências Jurídico-Políticas, Assunção Esteves foi eleita deputada pelo círculo de Vila Real, em 1987, na primeira maioria absoluta liderada por Cavaco Silva, escreve a Lusa.

Entre 1989 e 1998, Maria Assunção Andrade Esteves, nascida em Valpaços a 15 de Outubro de 1956, foi juíza do Tribunal Constitucional, escolhida pela Assembleia da República. Em 2002, voltou ao Parlamento, durante a vigência do governo liderado por Durão Barroso, tendo assumido nessa legislatura a presidência da Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

Desde 1976, depois do socialista Henrique de Barros ter presidido à Assembleia Constitucional, a Assembleia da República teve 11 presidentes diferentes. Assunção Esteves é a décima segunda e a primeira mulher a ocupar o cargo. Os anteriores foram os seguintes : Vasco da Gama Fernandes (PS), Teófilo Carvalho dos Santos (PS), Leonardo Ribeiro de Almeida (PSD), Francisco Oliveira Dias (CDS), Tito de Morais (PS), Fernando Amaral (PSD), Vítor Crespo (PSD), Barbosa de Melo (PSD), Almeida Santos (PS), Mota Amaral (PSD), e Jaime Gama (PS)."


Fonte: Público



No seu discurso reservou uma nota de luta feminista: 

"Dedico este meu momento de alegria a todas as mulheres, às mulheres políticas, que trazem para o espaço público o calor da entrega e a matriz do amor, mas sobretudo, às mulheres anónimas e oprimidas. Farei de cada dia um esforço para a redenção histórica da sua circunstância".


segunda-feira, 20 de junho de 2011

Manifesto e Protesto SLUTWALK Lisboa


"SlutWalk* Lisboa – pela autodeterminação sexual em todas as circunstâncias


* SLUT, galdéria, desavergonhada, puta, descarada, vadia, badalhoca, fácil.


Em Janeiro de 2011 um polícia afirmou em Toronto que as mulheres devem evitar vestir-se de forma provocante se não quiserem ser violadas. A SLUTwalk Lisboa junta-se à vaga de indignação que esta afirmação causou um pouco por todo o mundo.

Recusamos totalmente a culpabilização das mulheres face a situações de violência sexual. Mude-se as leis, mude-se quem agride. Mude-se a cultura patriarcal que diz às mulheres para não serem violadas, em vez de dizer aos homens para não violarem. Mude-se a moral dominante, onde SLUTs são todas as mulheres que não se limitam à sexualidade heterossexual, monogâmica e reprodutora.

Se SLUT – galdéria, desavergonhada, puta, descarada, vadia, badalhoca, fácil – é uma mulher que decide sobre o seu corpo, sobre a sua sexualidade, e que procura prazer, então, somos SLUTs, sim!

Não queremos piropos sexistas, não queremos paternalismo, não queremos violência sexual. Dizemos não, por mais cidadania. Dizemos não, por mais democracia. Dizemos não, por mais liberdade.

Se ponho um decote… Não é Não!
Se pus aquelas calças de que tanto gostas… Não é Não!
Se uso burqa… Não é Não!
Se durmo com quem me apetece… Não é Não!
Se passo naquela rua… Não é Não!
Se vamos para os copos… Não é Não!
Se me sinto vulnerável… Não é Não!
Se sou deficiente… Não é Não!
Se saio com xs maiores galdérixs…Não é Não!
Se ontem dormi contigo… Não é Não!
Se sou trabalhadora sexual… Não é Não!
Se és meu chefe… Não é Não!
Se somos casadxs, companheirxs, namoradxs… Não é Não!
Se sou tua paciente… Não é Não!
Se sou tua parente… Não é Não!
Se tenho relações poliamorosas… Não é Não!
Se sou empregada de hotel… Não é Não!
Se tens dúvidas se aquilo foi um sim, então… Não é Não!
Se não entendes a língua que eu falo… Não é Não!
Se beijo outra mulher no meio da rua… Não é Não!
Se tenho mamas e pila… Não é Não!
Se disse sim e já não me apetece… Não é Não!
Se adoro ver pornografia… Não é Não!
Se ando à boleia… Não é Não!
Se estamos numa festa swing, numa sex party ou numa cena BDSM… Não é Não!
Se já abrimos o preservativo… Não é Não!

NÃO é sempre NÃO. Quando é SIM, não há ambiguidades ou dúvidas porque sabemos o que queremos e sabemos ser claras. "


Protesto no dia 25 Junho no Largo de Camões, Rossio, às 17.30h


Fonte: http://slutwalklisboa.wordpress.com/

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Sugestão de leitura


Feminismos - Percursos e Desafios, de Manuela Tavares

Manuela Tavares, investigadora da Universidade Aberta, faz a História dos Movimentos Feministas em Portugal no último século, a primeira publicação de fundo, nesta área. Do Estado Novo, em que a ideologia dominante impunha a submissão das mulheres, ao dogmatismo das esquerdas políticas, que não souberam captar a pluralidade dos feminismos e as contradições de género na sociedade.


Fonte: Almedina

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Manuela Tavares: "Elas acham que não é feminismo, mas é"

O chavão de que não há feminismo em Portugal e o mito de que o feminismo é radical e contra os homens foram ambos desconstruídos por Manuela Tavares. Feminismos mostra os caminhos do futuro do feminismo e sistematiza pela primeira vez 60 anos de história de Portugal contada pelo lado que não costuma ser tido em conta.

Aos 60 anos, Manuela Tavares tem quatro décadas de activismo feminista, apesar de só nos últimos 20 anos se ter assumido como feminista. Fundadora da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), foi uma das mulheres que, em 1982, se mostraram nas galerias da Assembleia da República envergando T-shirts com "Eu abortei".

Aliando o activismo à reflexão teórica - uma das raríssimas feministas portuguesas a fazê-lo -, Manuela Tavares defendeu em Março de 2008 uma tese de doutoramento inédita e pioneira em Portugal: Feminismos em Portugal (1947-2007). Um trabalho de história e de reflexão que procura explicar por que razão em Portugal subsiste a ideia feita de que o feminismo é algo negativo. Um importante contributo para a compreensão do Portugal que somos e para a construção de uma sociedade mais democrática e mais igualitária nos direitos de todos, que agora surge nas livrarias sob o nome Feminismos.

Editado pela Texto/Leya, a obra será apresentada dia 15 de Março, às 18h30, na Livraria Ler Devagar, em Lisboa, pela historiadora Irene Pimentel e pela socióloga Anália Torres, que, com Anne Cova, orientou a tese.


Ler entrevista aqui.

sábado, 7 de maio de 2011

"Coco Chanel - A Revolucionária da Moda"



"Quando, em 1999, a revista americana Time elaborou uma lista das cem personalidades mais marcantes do século XX, constava dela uma mulher cuja vida foi dedicada à moda, ao estilo, à elegância feminina. Coisas demasiado fúteis para lhe valer tal estatuto, poderá pensar-se. Coco Chanel, porém, foi tudo menos fútil. E não se limitou a fazer moda. Através das suas criações inspiradas e arrojadas, «madmoiselle», como a tratavam os colaboradores, fez uma autêntica revolução de mentalidades.

Ao longo da primeira década de 1900, Freud publica A Interpretação dos Sonhos, Marconi faz a primeira radiotransmissão, Einstein formula a teoria da relatividade, o pioneiro da aviação Santos Dumont sobrevoa Paris e Chanel... abre o seu primeiro salão de costura, no nº 21 da Rue Cambon, em Paris. Ali, onde se situa ainda hoje a Casa Chanel, mudará para sempre a forma de vestir das mulheres, libertadas do constrangedor espartilho pouco tempo antes por Paul Poiret.

Um contributo à primeira vista pouco relevante para a Humanidade, argumentar-se-á. Mas inquestionavelmente mais importante do que muitas manifestações sufragistas, contrapomos.

A verdade é que o estilo de vida das mulheres independentes, ativas e trabalhadoras teria sido mais difícil sem esta pioneira que ousou tornar a elegância confortável, permitindo uma liberdade de movimentos antes impensável, e que se tornara tão necessária na hora de dançar o frenético charleston como no momento de entrar e sair dos recém-criados automóveis...

Chanel começou por introduzir no seu próprio guarda-roupa peças então exclusivamente masculinas - algumas do universo desportivo - como as calças, o blaser ou os cardigãs de lã, e a substituir os rígidos modelos cintados e de amplas e incómodas saias compridas que as senhoras da alta sociedade dos séculos anteriores vestiam por modelos fluidos, de cintura descaída e com a perna à mostra. E fez o mesmo com os chapéus, a primeira peça a que se dedicou, reduzindo-os para tamanhos ergonómicos e estilizando-lhes os enfeites. Dizia, aliás, com humor, que os modelos imensos, hiper-ornamentados e pesadíssimos que se usaram nos séculos XVIII e XIX só podiam afetar o cérebro das suas portadoras. Foi ela, também, a primeira a usar o cabelo curto à la garçonne que se tornou imagem de marca dos Loucos Anos 20.

Entre os "atrevimentos" de Chanel que fizeram história e se tornaram obrigatórios conta-se, por exemplo, o vestido preto básico, nascido em 1926 e pensado para ser usado tanto no dia-a-dia como em eventos mais formais, desde que conjugado com os acessórios certos. Num tempo em que para as mulheres o preto era a cor de luto, Coco transformou-o no oposto: na cor das festas!

Defensora de que a moda deve descer das casas de costura e não o contrário, Coco adotava sempre em primeira mão os seus modelos - privilegiando as cores que preferia, o preto, o bege e o branco -, sendo depois seguida pelas mundanas emancipadas e, só muito mais tarde, pelas massas. Não se pense, porém, que a criação visual Chanel dos primeiros anos, com um toque colegial algo andrógina, presidiu o desejo de masculinizar a mulher e retirar-lhe elegância. Pelo contrário, Coco Chanel, que apesar das suas origens humildes, se movimentou na alta sociedade e conviveu de perto com a nata das vanguardas artísticas do seu tempo - entre as amizades contavam-se nomes como Picasso, Cocteau, Stravinsky, Tulouse-Lautrec, Renoir, Mallarmé, Proust ou Colette -, tinha com a elegância, a beleza, a estética e o luxo numa relação privilegiada, intuitiva, feita de equilíbrio e descrição, pois abominava a vulgaridade, a ostentação e o excesso.

Filha de um feirante, Albert Chanel, e de uma costureira, Jeanne Devolle, Gabrielle Bonheur Chanel nasce a 19 de Agosto de 1983, em Saumur, no noroeste de França. A mãe morre e exaustão aos 33 anos, quando ela tem apenas 12 anos, e pouco depois o pai parte para a América, abandonando-a e aos 5 irmãos, aos cuidados de familiares, que rapidamente entregam as raparigas a um orfanato e mandam os rapazes trabalhar numa quinta. Aos 18 anos, Gabrielle é enviada para um convento para aprender costura e, 3 anos depois, entra numa casa de confeção de enxovais.

Pouco interessada em seguir os passos da mãe e ser apenas uma «costureirinha», Gabrielle anda nos 24 anos quando, de visita a um tio, em Vichy, começa a cantar num café-concerto frequentado pelos oficiais pelo regimento local. Pequena, magra e bonita - numa palavra, mignone -, conquista uma legião de admiradores que passa a tratá-la por Coco, em alusão a uma canção que interpreta muitas vezes, Qui qu'a vu Coco dans le Trocadero. Entre eles, Étiene Balsan, um nobre rico que se apaixona por ela e a leva para o seu castelo. O romance durará pouco, mas a amizade perdurará, e Étiene, que a introduz na alta sociedade, aprentá-la-á também ao grande amor da sua vida, o inglês Arthur Capel, conhecido por Boy, com quem Coco manterá uma ligação de 10 anos, que terminará dramaticamente com a morte do empresário e famoso jogador de polo num acidente de automóvel, na véspera de Natal de 1919.

Coco podia ter vivido à custa dos homens ricos e influentes com quem se envolveu, mas essa não era definitivamente a sua ideia de independência. Por isso, nunca se casou, e, mesmo não rejeitando o incentivo e apoio monetário de alguns desses homens, nomeadamente de Capel, que financiou a sua primeira loja de chapéus, nunca deixou de trabalhar arduamente. E com talento, dedicação e uma vontade férrea, a menina humilde de Saumur acabou por ser, de facto, muito mais do que uma «costureirinha».

«A moda tem que ver com ideias, com a forma como vivemos, com o que está a acontecer», disse Chanel um dia. Ela própria acabou por ter a noção de que, mais do que ornamentar os corpos femininos, estava a transformar a moda numa filosofia de vida. Porque teve a capacidade visionária de antecipar o que o mundo em vertiginosa evolução ia exigir às mulheres. Em troca, elas permitiram-lhe construir um verdadeiro império. Que seria temporariamente ameaçado pelos sonhos imperialistas de Hitler, pois em 1939, sem matérias-primas nem clientela, Chanel dispensa todo o pessoal e encerra o salão. Mas não deixa Paris. Instala-se numa suite do Hotel Ritz (passará aí os últimos anos de vida) e envolve-se com um oficial das SS, Hans von Dincklage, que a apoia na tentativa de aproveitar o anti-semitismo do momento para tentar recuperar a totalidade dos direitos do seu famoso e mundialmente vendido Chanel Nº 5 - o perfume que Marilyn Monroe «vestia» para dormir -, concebido em 21 pelo seu «nez», Ernst Beau, mas produzido e comercializado, desde 24, por dois irmãos judeus que tinham 80 por cento dos direitos, Pierre e Paul Wertheimer (sócios da empresa de cosméticos Bourjois e cujos descendentes possuem hoje a totalidade da casa Chanel).

No pós-guerra, valeu-lhe a intervenção do seu amigo Winston Churchill para não sofrer consequências mais pesadas, mas viu-se obrigada a exilar-se na Suíça até 54. De regresso a Paris, por pressão dos Wertheimer, que tinham recuperado todo o seu património, mostra, aos 71 anos, que a sua criatividade continua em forma, concebendo o famoso tailleur em tweed, com quatro bolsos de chapa e botões jóia, que deveria usar-se com um camiseiro de ceda e dois outros must Chanel: o scarpin de duas cores e a mala acolchoada com corrente dourada. A versão ultra feminina, elegantíssima, do fato de homem, ideal para o novo papel que as mulheres começavam a desempenhar: o de executivas.

Nos anos 60, porém, Madmoiselle será confrontada com um fenómeno que a horroriza: o visual flower power, que nasce nas ruas, pela mão dos hippies, e influencia o que se faz nas casas de costura. Chanel detesta tudo no visual dos jovens desta época, dos cabelos compridos dos hippies às minissaias criadas por Mary Quant, e recusa-se a aderir. Aos 87 anos, e já incapaz de acompanhar os ares do tempo, vai-se fechando em si própria e morre isolada a 10 de Janeiro de 1971.


Ana Paula Homem."

Fonte: Caras (07 de Maio de 2011)

terça-feira, 3 de maio de 2011

Principes e Princesas - Casamentos de Sonho?


Papel de "princesa" é cada vez menos apelativo para as mulheres

Os casamento reais reforçam estereótipos de género, valorizando o "apagamento" da mulher, mas o papel de "princesa" é cada vez menos apelativo às mulheres, que encontram no mundo do espetáculo um "sonho" em que não perdem a "autodeterminação". A propósito do casamento do príncipe William de Inglaterra com Kate Middleton, académicos especialistas em questões de género e feministas apontaram para uma crescente desvalorização social da figura da princesa.


"Hoje há um sonho muito mais ligado à autonomia, à autodeterminação, com uma identificação maior com cantoras, atrizes, modelos. São papéis que remetem para o poder social e liberdade", defendeu Sofia Aboim Inglez.

A socióloga, especialista em questões de género, considera que às mulheres, particularmente mais jovens, é pouco atrativo "o rigor e austeridade que uma princesa tem que demonstrar", existindo, por outro lado, "um maior ceticismo" em torno dos casamento reais, patente na exploração por parte da chamada imprensa cor-de-rosa do "lado podre da realeza".


Reforço de estereótipos

Se é verdade que os casamentos reais "vão-se adaptando a novas realidades", e "não é por acaso que já não será exigido à nova princesa um teste de virgindade", enquanto há 30 anos isso constituiu um assunto a propósito do casamento da princesa Diana, os casamento reais insistem "no reforço de estereótipos", aponta a vice-presidente da UMAR, União de Mulheres Alternativa e Resposta.

"Os contos de fadas têm caráter não só lúdico mas sobretudo regulador que vai bombardeando as crianças, com regras restritas de género, de classe ou de sexualidade. Os casamentos reais também, mas vão-se adaptando a novas realidades", defendeu Salomé Coelho.

O contexto dos casamentos reais e dos contos de fadas remete para um elogio ao "apagamento" da Mulher, não sendo a entrada de plebeias questionadora dos estereótipos, diz Salomé Coelho, já que nos contos de fadas também era essa ascensão social que construía a narrativa, mas até pelo contrario, porque que mulheres como a princesa das Astúrias, tiveram que deixar de trabalhar.

"Uma mulher é tão mais valorizada quanto é capaz de apagar a sua individualidade em função do novo marido, que é príncipe, implicando entrar no seu mundo e viver segundo essas regras. Mais, como a pequena sereia, que até o corpo transforma para se adaptar ao amado, é responsabilidade das mulheres moldarem-se, paciente e persistentemente, aos príncipes, sob pena da relação não ter um final feliz", argumentou.


Contos de fadas

A socióloga Cristina Duarte, do centro de estudos sobre a Mulher da Universidade Nova de Lisboa, sublinha que quando se pensa numa princesa é com esforço que se chega a uma cidadã.
"De que falamos quando falamos de princesas? De família real, de transmissão cultural, de ficção quotidiana, de contos de fadas. Só em último lugar, de mulheres e de cidadania", afirmou.

Para o antropólogo Miguel Vale de Almeida, eventos como os casamentos reais veiculam a "péssima mensagem" de que "a iniciativa e a decisão, em tudo na vida, cabe aos homens, e que elas podem ser 'agraciadas' pela escolha daqueles, sobretudo os poderoso, em função da beleza das raparigas".

"Algumas mulheres" poderão "sentir ainda fantasias românticas desse tipo, mas certamente enquanto memórias de infância", considerou.

Para Salomé Coelho, "caberá mudar a história" não só aos príncipes e princesas, mas também aos consumidores destas narrativas "que reproduzem as desigualdades das pessoas nas hierarquias do poder, os estereótipos de género e o poder patriarcal".


Lusa"
FONTE: Público

sexta-feira, 25 de março de 2011

O Corão e o problema da interpretação (ou estupidificação)

"O Corão é como uma grande loja, um grande supermercado. Dele podemos retirar várias respostas. A partir do Corão podemos fazer paz; de acordo com o Corão podemos declarar guerra. O Corão tem muitas vozes. Os moderados apoiam a sua ideologia em alguns versículos do Corão, os radicais fazem o mesmo com outros versívulos do Corão."



















domingo, 20 de março de 2011

Sugestão de Filme - Monólogos da Vagina


Sinopse: Criado e interpretado por Eve Ensler, que debutou no off Broadway em 1996. Este controverso trabalho iniciou rapidamente uma onda nacional de boas críticas e continuou a percorrer a América do Norte e todo o mundo. Os Monólogos da Vagina captura a performance única de Eve Ensler e viaja para além dos palcos à medida que ela explora o ímpeto criativo por trás dos monólogos, e conduz uma série de novas e reveladoras entrevistas tão inspiradoras como aquelas que motivaram o trabalho original.

Gênero: Comédia, Documentário / Duração: 1:16m / Produção: EUA / Direção: Eve Ensler / Elenco: Eve Ensler



Fonte: Elas e Elas Filmes

quarta-feira, 9 de março de 2011

Não à Violência contra as Mulheres – Cria um anúncio para as Nações Unidas

"As Nações Unidas e uma aliança de parceiros dos meios de comunicação social europeus, entre os quais figuram o PÚBLICO, El País, Le Monde e La Stampa, convidam os criativos europeus a aderirem ao apelo no sentido de se acabar com todas as formas de violência contra as mulheres. O objectivo é criar um anúncio dizendo "Não à violência contra as mulheres".

O primeiro prémio é de 5000 euros e o vencedor será seleccionado por um júri composto por peritos, entre os quais se inclui Jacques Séguéla, Vice-Presidente da Havas, uma das maiores empresas de publicidade.

O concurso de anúncios subordinado ao tema "Não à Violência contra as Mulheres" abrirá para apresentação de trabalhos no dia 8 de Março de 2011, Dia Internacional da Mulher, e terminará à meia-noite (CET) de 31 de Maio de 2011. Os vencedores serão anunciados a 25 de Novembro de 2011, Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres.

O site www.create4theun.eu tem mais informações sobre as regras do concurso e as condições de participação."


Fonte: Público

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Umar quer “trazer assédio sexual para a agenda política" e realizar estudo


A UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta promove a partir de sábado uma digressão pelo país, que tem como objectivos “trazer o assédio sexual para a agenda política” e perceber “qual o índice de vitimização” em Portugal.
A presidente da Umar, Maria José Magalhães, afirmou que este périplo pelo país, que arranca no sábado em Faro e termina em Junho em Braga, visa sensibilizar a população para o assédio sexual, tanto no trabalho como no espaço público.

“Queremos pôr as pessoas a discutir o tema, queremos tomar conhecimento do que as pessoas sabem sobre o assunto”, disse, adiantando que a Umar vai promover um estudo junto da população para apurar, através de inquérito, qual o conhecimento dos portugueses sobre o assédio sexual. “Queremos, no mínimo, ter 2000 respostas para que este estudo possa ter validade científica”, precisou.

Através de um questionário, feito porta a porta e disponível online, a Umar quer descobrir o que sabem os portugueses sobre assédio sexual: “o que sabem sobre o assunto, que legislação conhecem, se já foram vítimas e se conhecem quem já tenha sido vítima”.

Para Maria José, as mulheres portuguesas “não têm consciência do que é o assédio sexual”, sendo que neste tema “há um elemento que vive muito da cultura e Portugal é muito sexista”. Segundo referiu, muitas vezes nem os próprios homens se apercebem de que estão a assediar. E exemplificou: “Ao assobiar a uma mulher, [o homem] está a mostrar a sua masculinidade e a própria mulher não deixa de achar que é interessante por ser lembrada de que é atraente”.

A presidente da Umar entende que “é preciso mudar as expectativas das mulheres sobre si próprias”, lembrando que a sociedade portuguesa “diz que as mulheres têm determinados comportamentos e espaços que lhes são adequados”. Quando há um desvio, acrescentou, no entender de quem importuna, “a mulher estava a pedi-las”.

Um piropo, um flirt e um apalpão, mas também uma perseguição, um ataque ou até uma violação, são exemplos de assédio apontados pela responsável. Em Faro, a Umar promove no sábado um workshop no Pátio das Letras que visa dar a conhecer formas de reagir e combater o assédio sexual.

Haverá também uma performance nos jardins públicos e uma acção de rua, denominada “Claiming The Night”, que pretende mostrar que “as ruas da noite têm de ser seguras para as mulheres”. No domingo de manhã está prevista uma visita ao mercado municipal, onde serão distribuídos folhetos informativos e será promovido o inquérito nacional. Em 19 de Março a Umar estará com estas iniciativas em Setúbal.


[Fonte: Público]


Ver mais sobre a primeira etapa da Rota dos Feminismos em Faro.
Ver mais sobre a iniciativa Rota dos Feminismos Contra o Assédio Sexual.



quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

E viva a violência doméstica contra as mulheres!



Homem que é homem, bate na mulher. Homem que não bate na mulher, não significa que a respeita, significa que é "mariquinhas". Por isso, meus senhores, aprumem-se e tratem de bater nas vossas mulheres para assumirem a vossa masculinidade, não vão vocês passar por "mariquinhas" e dar seca às mulheres que gostam de ver violência doméstica contra... as mulheres.

(Nota: isto é apenas um comentário sobre as opiniões contidas no vídeo. Considero a violência doméstica contra o homem tão intolerável como a violência doméstica contra a mulher.)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Feminismo e Marianismo

A propósito do questionário que coloquei no Diário das "Fêmeas" e que esteve aberto até ao dia 31 de Dezembro de 2010 e de alguns comentários e opiniões, venho clarificar o que não é o feminismo.

Quero apenas deixar a ideia de que Faminismo, apesar de se opor (na medida em que luta contra) ao machismo, não é o oposto do machismo. A mulher feminista não visa uma vigança nem anseia a superiorização ao homem.  A mulher feminista não é aquela que tem a vontade de inverter a opressão masculina transformando-a em opressão feminina. A mulher feminista quer cessar a opressão masculina, dando lugar à igualdade entre géneros.

Essas mulheres, que se acreditam superiores ao homem não são Feministas, são Marianistas.

Alguns locais a visitar:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Marianismo
http://feministactual.wordpress.com/2008/03/22/marianismo-como-critica-exasperada/
http://www.paracleto.net/marianismo_no_espiritismo.php



quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Os maus argumentos do Manifesto Antifeminista

[ Post dedicado ao(s) "Anónimo(s)" dos comentários ao post

Após aprender um pouco mais de retórica, devo esclarecer que o "Manifesto Antifeminista" não tem falácias. Porquê? Porque uma falácia é um argumento que aparenta ser bom ou válido mas que na verdade não o é. A falácia só é falácia se enganar alguém, o que não é, claramente, o caso.

Posto isto, vou limitar-me a esclarecer porque é que os argumentos não são, de facto, bons e contra-argumentar. Para tal, irei fazer a transcrição na íntegra do referido manifesto e irei, por forma a contra-argumentar, "interrompe-lo", colocando observações ou questões.

MANIFESTO ANTI-FEMINISTA

"O feminismo na sua forma leve é um severo transtorno narcisista e egocêntrico da personalidade. É vaginismo mental, género centrismo, agressão, genocídio, histerismo, ódio à raça humana e a natureza. Uma mistura nada sã, perversa e malévola de psicopatia e de manifestado comportamento anti social. O feminismo é sociopatia. "

Se assim fosse, já as feministas teriam morto todos os homens. Onde andam essas feministas assassinas?

"Na sua forma mais grave e não recuperável é consequência da incapacidade para a lógica e para a adaptação à realidade produzida pela deterioração e a mutação biológica que produz um defeito físico que limita a inteligência e as capacidades cognitivas a parâmetros não humanos. Este defeito é a homossexualidade e as suas consequências e expressões ideológicas são o homossexualismo e o feminismo, a sua tampa."

Quem diz? Onde estão as provas científicas de que feminismo é sociopatia? e porque é que argumentam isso? Quais são os indícios que observam nas feministas que os leva a tirar essa conclusão?

Homossexualidade não é condição do Feminismo nem o Feminismo é condição da homossexualidade. Há muitas(os) Feministas que não são homossexuais. Posso dar-lhe dois grandes nomes, símbolos do Feminismo e que mantiveram sempre relações com homens: Simone de Beauvoir e Maria Teresa Horta.

"O feminismo é uma agressão e violação flagrante da realidade e da historia. Este revisionismo histórico é uma acusação sem precedentes contra a humanidade, os nossos antepassados e os nossos concidadãos."
(este argumento irá ser repetido mais adiante, por isso, falarei lá)

"O feminismo é vaginocentrismo, generopatia, sexo centrismo, umbigo centrismo e megalomania."
(Argumento REPETIDO. Já tinhamos percebido a ideia...)

"O feminismo é um vírus que ameaça a humanidade."
Ameaça? Porquê?

"A revolução anti feminista é o anti vírus."
se o Feminismo é um "virus", o Anti-feminismo é o "anti virus". Obvio demais...

"O Feminismo é uma tentativa de usurpação lésbica da feminilidade,..."
Quem disse que as lésbicas não são femininas?
e por que se preocupam tanto com a feminilidade?
Feminilidade não é condição da mulher.

"...da soberania individual das mulheres e de se apropriar pela força das sua mentes e da sua vontade."
As mulheres não são nenhuns bonecos. Sabem pensar por si próprias. Quem é contra o Feminismo e tem a certeza da sua convicção, não virá a ser feminista..

"A revolução anti feminista é a Civilização devolvendo o golpe. É onde as dão as recebem, é o castigo para o crime. É o cirurgião marcando, cortando, extirpando e desinfectando."
Francamente não entendo este argumento. Estão a falar de que golpe? Qual é o crime que as feministas fizeram? e porquê essa comparação com um cirurgião? Essa comparação até me parece positiva. O cirurgião cura as pessoas, permite que vivam mais tempo e com mais qualidade de vida...

 "O feminismo não se discute, destrói-se."
Esta posição parece-me completamente absolutista e, portanto, ridícula. Quem não está disposto a discutir as suas ideias, limitando-se a não a ouvir as dos outros ou a extingui-las, é porque tem noção da fragilidade dos seus argumentos.

"Revolução Anti-feminista somos a sociedade e sua representação. "
Se o anti-feminismo, apesar de ter, a nível mundial, muitos "adeptos", é claramente uma minoria, como é que representa a sociedade? e porque é que se consideram "A sociedade"? parece-me mais uma visão absolutista..

"Somos a avançada da Civilização e a sua retaguarda. Representamos os homens aos que não conseguiram ajoelhar e simbolizamos a forma do seu sapato. As feministas são a pré-história. A Civilização foi, é e será o futuro. É algo ao que elas terão que se ir habituando."
Devo entender, portanto, que os homens querem viver sozinhos, entre homens; que as mulheres devem ficar na "pré-história". Devo também daqui concluir que a mulher não tem capacidade intelectual para contribuir para a evolução da humanidade?! (e será que, com esta questão, terei de provar que isso não é verdade?!)

"Revolução Anti-feminista, na sua luta pela liberação social do lacre feminista, é e representa a sociedade."
Mais um argumento repetido... explicado e fundamentado é que não...

 "Os revolucionários sabemos, a sociedade sabe-o."
se os anti-feministas são a sociedade (algo que foi afirmado acima), então é obvio que sabem...

"É uma resposta à virulenta e vândala agressão da homossexual ideologia feminista que sofre a Civilização ao longo do planeta."
A lógica deste argumento também me escapa. Mas não entendo a insistência na ligação da homossexualidade ao feminismo... mas isso é algo que também não é explicado em todo o "manifesto".

"O que inicialmente era uma potencial ameaça, passou a ser uma ameaça real até chegar a ser em muitos países uma agressão sem limites em toda a regra. O feminismo é um vírus e deve ser tratado como tal. Pelo seu código genético não oculto para a avançada anti-feminista tem a potencialidade de se converter em surto."
De facto, com o facto de considerarem o Feminismo como uma ameaça, devo concordar. É uma ameaça para todos(as) os(as) anti-feministas (i.e. Machistas), porque visa a igualdade. E vocês, homens, coitadinhos, sentem-se ameaçados porque não querem ser retirados do pedestal que os superioriza às mulheres.
Quais as agressões que as feministas praticaram? (são necessários exemplos e nomes para se fazer uma acusação).
Estão a falar de que código genético? e o que tem o código genético a ver com correntes de pensamento e opinião?

"Mas nós não o permitiremos. Contra o feminismo, tolerância zero. Uma corrente de saúde contra o feminismo. A revolução anti-feminista é um antivírus, gerador de antivírus e potenciador do sistema imunitário da Civilização. É a resposta intelectual, real e social à imbecilidade genética e adquirida, ao crime e à barbaridade."
Outro argumento repetido...

"Revolução Anti-feminista proverá de meios físicos, teóricos e intelectuais para o combate para a erradicação viral e trabalhará sem descanso até definir o protocolo definitivo para o seu isolamento, neutralização e liquidação definitivas. Mesmo assim, proporá as actuações necessárias para evitar que estas circunstâncias nao voltem a ser possíveis nunca mais."
Portanto, vão matar todas as Feministas? e vão predefinir, imagino que genéticamente (porque parece que é daí que vem o problema), todas as mulheres para serem submissas a vossas excelências e para não porem em causa a vossa superioridade?

"Revolução Anti feminista é uma unidade de combate contra a mentira do feminismo porque no feminismo tudo é mentira. Revolução Anti-feminista como não pode ser de outra maneira, nega a maior: nega a veracidade das premissas feministas e dos seus postulados."
Ia perguntar onde estão as mentiras. Ia pedir exemplos. Mas vem aí o exemplo da história!

"Nega, obviamente, as evidentes e doentes mentiras sobre a historia, o seu revisionamento histórico, e a sua reconstrução orwelliana da realidade e a historia como tentativa necessário de demonstrar as suas imbecilidades por meio da comprovação científica da sua reinvenção homossexual da historia."
Ah! era isto!... Sendo assim, devo informar-vos que, às mulheres, sempre foi dificultado o acesso à educação e, por tanto, negado o acesso às ciências, como, por exemplo, a História. Não é por acaso que, até ao final do século XX, tudo o que é estudado, nas diversas áreas científicas, foi teorizado por homens. Não, meus senhores! Não foi porque as mulheres nunca foram capazes de produzir intelectualmente. Foi, sim, porque a mulher estava em casa a lavar tachos e a cavar terra nos intervalos de amamentar os filhos, enquanto esses senhores iam ter com os professores, aprender, produzir, etc... Ora, se a mulher esteve sempre longe dos terrenos científicos, se era o homem que produzia ciência, então foi o homem que escreveu todas essas "mentiras" sobre a história... Eram esses homens homossexuais? eram controlados por mulheres? não me parece...

"Negamos também a veracidade e a validade da terminologia feminista. Termos e conceitos como: “exploração da mulher”, “igualdade”, machismo, sexismo, homofobia e “situação da mulher”. Esses são termos próprios desta ideologia anti-social, marginal e homossexual mas não da sociedade."
Em que se baseiam para o negar? E porque negam a terminologia "sexismo" se acusam as feministas de serem sexistas? Onde está a prova científica de que o Feminismo e a utilização dessa "terminologia" tem consequências na capacidade de socialização da mulher, na sua correctidão moral ou na sua orientação sexual?

"São insultos articulados ideologicamente e utilizados politicamente para a agressão, a alienação social e a lavagem de cérebro colectivo."
Toda a gente tem o direito de se sentir ofendido com a verdade. Isso não quer dizer que se trate de um insulto, de uma agressão ou de alienação social, muito menos de lavagem de cérebro colectivo. As feministas que conheço não argumentam com insultos. Argumentam, efectivamente com argumentos (que é coisa que estes senhores não devem saber o que é), clarificando o significado de cada uma das palavras referidas, o seu sentido, e apresentando dados claros que lhes permitam utiliza-las.

"Alguém que chama machista ou homófobico a um homem ou a uma mulher deve ser detido e posto de quarentena. Enquanto isto não acontecer, esta sociedade não será livre."
Este é o melhor "argumento" de todos!! O que é uma sociedade "livre"? é uma sociedade onde ha uma classe sobre-valorizada que impõe, por obrigação e por intimidação, os padrões de comportamento que ache ideais, bem como as correntes de pensamento convenientes. Exemplos de sociedades "livres": Regime Nazista, Qualquer Monarquia não contemporânea ou o regime do "Grande Irmão" relatado no livro 1984 de George Orwell. São sociedades livres, desde que faça o que lhe é obrigatório fazer.

"Na última tentativa de abordagem e assalto à Civilização a ideologia de género é a última mutação do vírus. Mediante a sua institucionalização pela força organiza-se a nova fase de acosso e assedio à população civil."
Estamos a falar do quê, mesmo? 

"Constrói-se um dicionário, fabricam-se conceitos e palavras feministas e aprova-se uma lei na legislação espanhola para homossexualizar a sociedade começando pela sua parte mais fragilizada: pelas crianças e pela juventude. Assim, violando e pervertendo as suas mentes querem chegar a cumprir os seus tórridos sonhos de submissão sexual à humanidade."
Não conheço a legislação espanhola, muito menos do caso específico a que se referem. Por isso, não entendo onde querem chegar. E voltamos ao problema da homossexualidade... Agora até calhava bem dizer: Enquanto os homossexuais não forem extreminados da face da terra, a sociedade não será livre.

"Revolução Anti-feminista não tem nem terá posição política."
Oh! é uma pena... Teriam toda uma "sociedade"/"civilização" a votar neles.

"Um regime político é inaceitável se for feminista."
Porquê? Feminismo não pode ser um regime político, mas um regime político pode ser, também, ideologicamente feminista.

"O seu objectivo não são interesses ou estratégias políticas senão a liberdade da humanidade e a Civilização: a revolução."
Mais uma vez, querem libertar a civilização e a humanidade do terrível vírus, mutação física, homossexualidade, que é a capacidade de alguém se opor às vossas ideias.

"Nem está a favor nem contra da direita ou da esquerda."
Isso já é algo que duvido... Não me vão dizer que não são conservadoristas, pois não? é que, o que vocês pedem é que a mulher volte a ter a compostura de submissão que tinha ha algumas décadas. e o conservadorismo quer conservar o que lhe parece correcto... (o que não quer dizer que seja efectivamente correcto)

"Ao ser a sociedade, representa todas e nenhuma das ideologias que nela se dão."
e porque é que isso faz sentido?! Porque vocês só dão lugar a uma ideologia?

"Mas isso não é óbice para esquecer quem são os culpados e instigadores e não para os apontar com o dedo. Revolução Anti feminista acusa a esquerda de ter traído e agredido a sociedade e os seus votantes e de ter conspirado contra a democracia e o nosso sistema de liberdades vendendo a sua alma ao feminismo e ao homossexualismo, convertendo-se eles a si mesmos em parte do problema."
Sacanas dos partidos de esquerda! Sempre a querer acabar com a liberdade! Têm a mania que toda a gente tem os mesmos direitos e deveres, que toda a gente tem liberdade de pensamento e que não importa se é mulher ou homem. é uma pouca vergonha...

"Mas Revolução Anti-feminista também acusa a direita de olhar para outro lado."
Claro! Acham-se muito fortes, mas, ao fim e ao cabo, até são capazes de ouvir o outro lado e os argumentos da outra parte. Mania que são democratas! (Só faltou aqui a sugestão de que são homossexuais... Aposto que foi essa simpatiazita pelo conservadorismo que pesou!)

"Estas duas circunstâncias não passaram ao lado a ninguém. A direita como a muitos concidadãos fica-lhe a disciplina pendente de se posicionar: ou é feminista ou é anti-feminista. Isto é uma guerra e só existem dois lados."
é pah! (agora, ironia e sarcasmo à parte) Nesta eu até concordo...  Até porque defendo que, o Feminismo só o é quando um(a) feminista toma uma posição activa na sociedade. Por isso, se alguém tomar uma posição passiva estará, automaticamente, a ser anti-feminista (i.e. Machista).

"A direita deve assumir as suas responsabilidades e começar a desmontar o Estado feminista, a derrogar as leis feministas e a reconhecer que o feminismo é o problema."
Qual "Estado feminista"? o que é isso? Ah! Afinal a luta pela igualdade sempre é um problema. Estou esclarecida! Mas porque é que é?

"O feminismo é a tampa e a mentira patológica das auto denominadas lésbicas e do lesbianismo."
Agora voltamos ao tempo de Freud, em que a homossexualidade era uma patologia, uma doença que era preciso curar. Parece que isto é mais do que conservadorismo. Ficaram-se no século passado, foi? Ah, é verdade! Ainda não foi explicada a ligação entre o feminismo e a homossexualidade. Continuo na ignorância...

"O ódio doentio que sentem para com o universo, a natureza e a realidade consequência da sua anormalidade biológica empurra-as até à agressão individual e social, a tentar subverter a realidade e a instaurar o feudalismo e a alienação social."
Primeiro, onde estão as provas desse ódio que as leva à agressão?
Segundo, onde estão as provas de que tentam "subverter a realidade" e "instaurar o feudalismo e a alienação social"? De que forma é feita essa tentativa?

"As feministas e os seus súbditos não nos deram a escolher: escolheram a mentira esperando que a verdade nos fosse inútil."
"Mentira"! Cujo único exemplo foi o da História e que foi um exemplo muito bom, por sinal...

"Mas são precisamente o conhecimento e a verdade o que nos manterá a salvo: a verdade do que fomos, do que somos e do que seremos. Por cima da pressão mediático-jurídico-política a qual nos querem submeter os golpistas. Por cima da tentativa para instaurar o feminismo onde se estão a gastar milhões de euros do nosso trabalho, do nosso esforço y das nossas famílias. O pão dos nossos filhos."
os "golpistas" pretendem, por exemplo, que a mulher tenha igualdade no acesso ao emprego. Se vocês e as vossas mulheres trabalharem, terão mais pão para das aos vossos filhos. 1+1=2. Ou também vão negar isto?

"Revolução Anti-feminista são os homens que mais uma vez estão a altura das circunstâncias. Revolução Anti-feminista incha o peito e assume a sua responsabilidade histórica na luta contra a barbárie saindo a combate para defender as sus famílias, aldeias e cidades da morte, a escravidão, a violação e o feudalismo."
Claro! Incham o peito como um animal da selva para defender a sua família: a SUA mulher e os SEUS (dele) filhos, porque macho que é macho defende o que é seu. Isto é tudo muito bonito, mas também implica uma inferiorização da mulher! Porque é que não é ela a defender a família, as aldeias e as cidades? Além disso, morte, escravidão, violação e feudalismo não é algo que as feministas queiram fazer ou concretizar. Gostava de saber onde vão buscar estas ideias.

"A Civilização sobreviveu até agora e não vamos permitir que um punhado de doentes a destrua. À humanidade custou-nos muito chegar até aqui para tolerar uma invocação que nos leve ao Cretácico. A humanidade os derrotará. A vida uma vez mais vencerá."
Mais bla bla bla repetido...

"O feminismo é um desafio à Civilização, a todos e a cada um de nós."
é o desafio para que seja encontrado o equilíbrio e a igualdade entre homem e mulher.

"A revolução é o processo de liberação e reconquista que inevitavelmente reclama a nossa responsabilidade tomando parte activa tanto do processo e da vitoria, como da permanente e indefinida vigilância para a manutenção da liberdade recuperada."
Volto a ter dúvidas em relação à qualificação de "liberdade"...

"NOS somos a nova era: a era de Aquário. NOS somos o fim do feudalismo. NOS somos o fim dos tempos de 2012. Somos o fim e somos o princípio. Somos o vosso fim. Levamos um mundo novo nos nossos corações e esse mundo está a nascer neste instante. Sempre o tivemos e sempre o teremos. Aparece cada manha e é a Luz do dia. Brilha tanto e com tanta força que a escuridão desaparece. A eterna batalha entre as forças da luz e as névoas onde o Mal sempre foi derrotado. Também esta vez serão derrotados desde a mais insigne e infame organização feminista até aos Grupos de Pressão Homossexuais."
Isto é tão poético, tão bonito, que nem sei se vou comentar. O único problema é que isto não é científico... é uma pena...

"A revolução anti-feminista é o vosso karma. As leis inevitáveis e implacáveis de esse universo que tanto odeiam. É o limite a vossa loucura e o vosso delírio. Revolução Anti-feminista é a lei, a ordem, a estrutura, a paz social, a perseverança, a perduraçao, a determinação, o governo, a consecução e a Civilização. Tudo o que as feministas não são."
Ora, mais um "argumento" repetido e não comprovado...

"Nos não falamos nem com feministas nem com lésbicas. Não temos nenhum tipo de relação com as feministas: nem afectivas, nem de amizade, nem sexuais, nem emocionais, nem espirituais. E ainda menos com as feministas que publicamente reconhecem a sua homossexualidade. Também esperamos e agradecemos de nossas amigas, noivas e mulheres contínuas, habituais e públicas manifestações do seu anti-feminismo."
Oh, porquê? têm medo que o vírus vos contagie? Têm medo que os argumentos das feministas sejam tão bons que derrotem os vossos? Mais uma vez, entende-se a fragilidade mascarada destes anti-feministas em relação aos seus "argumentos".. 

"A ambiguidade e a neutralidade não são anti-feministas."
Ora bolas! Eu, acima, disse precisamente que a passividade (ambiguidade e neutralidade no mesmo saco) é anti-feminista. Que chatice! Acho que vou alterar! hum... Não.

"Mantenhamos limpas as nossas relações, as nossas vidas e a civilização! Se evitarmos o contacto com o vírus, evitaremos que nos parasite."
Ah! Afinal, sim, têm MESMO medo!

"Exigimos a abolição do Regime Feminista e a depuração das instituições."
Porquê? 

"Mas antes gostaríamos que os nossos Senhores Feudais respondessem as seguintes perguntas: Porque nos quiseram impor pela força a ideologia feminista, o feminismo?"
"pela força" entende-se...?

"Porque estão envolvidos na subversão contra a liberdade e a democracia?"
Oh céus! Agora não sei responder a isso! Porquê? Porque vocês não deixaram, de todo, claro o que é afinal a liberdade e a democradia e se é algo positivo ou negativo.

"O que achariam se em vez do feminismo como ideologia do Regime aplicássemos o anarquismo e a terminologia anarquista?"
O que entendem por anarquismo e  o que é a "terminologia anarquista"? Duvido que uma organização anárquica da política resultasse. Mas, como disse, o Feminismo não governa. Apenas pode fazer parte das ideologias de alguns partidos.

"Então os que iriam ficar sem propriedades, sem poder e sem dignidade seriam vocês Isto já assusta, Eh? Com esse fogo não brincam, eh?"
Ora... Algo me escapou! Porque é que, com uma política anarquista as feministas iriam ficar sem "propriedades, sem poder e sem dignidade"?

"É altura de que o Masculinado rompa as correntes e se livre da opressão e exploração a qual fomos submetidos pelas protofeministas, as feministas, e as homossexuais."
Quais opressões e explorações?

"Os homens sempre fizemos os trabalhos mais duros, perigosos, mortais e pior pagos e sempre morremos em massa para salvar as mulheres."
Mais uma vez, coitadinhos dos homens. Coitadinhos porque podiam ter direito a trabalhar. A mulher também tinha direiro a trabalhar, mas era para o homem, em casa, a fazer todas as lides domésticas, trabalhar no campo e cuidar dos 10 filhos que tinha para criar. O melhor é que não recebia nada. O homem dava-lhe dinheiro para comprar comida, e que não fosse demasiado para ela não andar a esbanjar num avental novo que já tem um há 5 anos. E também recebia um bónus: porrada. Coitadinhos dos homens...

"Agora as homossexuais querem legisla-lo e fazer do esclavagismo e da exploração do homem lei e doutrina do Regime. Querem roubar-nos o futuro."
Onde estão as provas destas evidências?

"Incrivelmente, estamos de acordo numa questão com as feministas: as mulheres não são agressoras. Isso é irrefutável."
Porque é que é "irrefutável"? A mulher tanto pode ser agressora como não, tal e qual o homem.

"Nenhuma mulher é agressora. Se é agressora é feminista. Se é feminista não é mulher. Da mesma forma que a agressão não faz parte da natureza feminina, o feminino não faz parte da natureza feminista. As feministas não são mulheres."
Olha que coisa engraçada! Este é outro "argumento" que me fascina! Um Macho, se não for agressivo também não é homem! Será o quê? gay?

Mas voltamos à mesma questão do início do "manifesto", que, por incrível que pareça, ainda não foi respondida!: porque é que uma feminista não pode ser feminina? O que vos leva a crer que todas as feministas são agressoras? Onde estão factos que o comprovem?

"Os homossexuais são um defeito de fabricação biológica que faz com que não sejam nem homens nem mulheres."
Ah, então é isso! Os homossexuais são pessoas tão defeituosas que nem sexo têm! São anjos!!
 
"A agressão verbal ou física de “mulheres” a mulheres e homens é feminismo."
Não concordo. Como já referi acima, o feminismo não visa agredir nem insultar ninguém. Apenas propor a igualdade entre homem e mulher num clima de justiça.
 
"Paralelamente, o feminismo é a ideologia que mais agrediu a humanidade no seu conjunto, a homens, mulheres e crianças, mais além de sistemas políticos, religião, raça, idade ou sexo. A síntese da violência e o ódio ao próximo."
e provas?
 
"Há quem poderia falar muito sobre como se converteram durante 40 anos de ditadura feminista a raparigas carinhosas e pacíficas em hienas sarnosas e agressoras que lhes sai espuma pela boca. Em como se lhes lavou o cérebro em como se lhes tenta lavar."
Quem é que poderia falar? Como se chama o senhor? (presumo que seja um homem)...
Ditadura feminista? onde?!
Agressoras, não, conscientes da opressão de que eram vítimas. Tratou-se de uma consciencialização e não de uma lavagem cerebral. As mulheres escolheram ver a realidade que as cercava. Infelizmente, como é obvio, a maior parte das mulheres continua sem ter consciencia. e vocês ainda falam em "ditadura feminista" e "lavagem cerebral"...
 
"Também nisto não temos nada a ver os homens porque é obvio que gostamos delas femininas, doces, princesinhas, entregues e vestidas de mulher."
i.e. domadas por vocês! Se estivessem realmente dispostos a dar lugar à liberdade, iriam perceber que amar verdadeiramente uma mulher implica deixa-la ser como ela é, deixa-la explorar, conhecer, estudar, produzir património intelectual...
Vocês já não estão muito crescidos para acreditarem em histórias de príncipes e princesas?
 
"Se homens não fomos e as feministas não sabem fazer o O com um canudo, teria que se perguntar com ironia aos nossos Senhores Feudais a ver se sabem quem foi . Ver se sabem quem legisla, quem controla os meios de comunicação, quem decide sobre os filmes que passam. Se sabem, por acaso, quem pode dispor e decidir gastar somas tão grandes de dinheiro para legitimar e impor pela força o feminismo, os seus seguidores, as suas mentiras. O Ministério da Verdade é um baralho de cartas que será tomado pela plebe durante a revolução anti-feminista."
Outro argumento vago cuja conclusão é imperceptível...

"O dia de hoje marca um antes e um depois. Já nada voltará a ser igual. Deteremos o saque da Civilização. Juntos chegaremos mais longe do que nunca poderias chegar a imaginar. Pela Civilização, contra a barbárie!" [Fim do Manifesto Antifeminista]
Em relação a isto, nada a dizer.. só no futuro se poderá ver se estas ameaças se concretizaram ou não.

Em relação ao pdf com o qual o anónimo diz concordar:
Concordo que há mulheres que, claro, se aproveitam dos homens e sobrevivem à custa deles. Mas, sim, também há homens que o fazem. No entanto, não considero essas mulheres feministas. e posso assegurar-lhe que as feministas têm orgulho e fazem questão de poderem trabalhar e de se sustentarem a si próprias. Julgo que há ainda muita confusão em torno do feminismo. Talvez seja porque muitas mulheres que se consideram feministas não o são efectivamente. E julgo que também se confunde muito feminismo com marianismo. Posso dizer-lhe que, dentro do que está ao meu alcance, sou feminista 24h por dia. e, sendo assim, julgo que terá de me tirar o chapéu. Mas não só a mim, ha todo um grupo de mulheres que merece que se lhes tire o chapéu. O problema é que essas mulheres não são publicamente conhecidas nem valorizadas.


Poderia explicar-me qual é essa "central que espalha conhecimento por todo o mundo e blogosfera"?



segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Violência Doméstica


A página 18 do Diário de Notícias de 17 de Dezembro é preenchida com duas notícias sobre o caso do senhor Mário Pessoa, agressor e homicída:



Homicida ouviu ontem em tribunal um GNR que baleou. Outro guarda, testemunha no caso, foi agredido a murro. 

Um militar da GNR de Montemor-o-Velho, testemunha no julgamento de Mário Pessoa - que matou a mulher e um soldado da Guarda no interior do posto local -, interveio anteontem numa situação grave de violência doméstica em plena via pública, na freguesia de Pereira do Campo.

O militar e um colega acabaram, aliás, agredidos a murro e pontapé quando tentavam separar a mulher do marido agressor, apurou o DN com fonte policial. Foi necessário a patrulha algemar o homem de 31 anos.

A situação aconteceu pelas 18.30 de quarta-feira. O agressor deu vários empurrões e uma forte cabeçada na mulher. Uma moradora assistiu à cena violenta e protegeu a vítima: puxou-a para dentro de casa e chamou a GNR. O homem desapareceu do local por momentos, mas voltou a aparecer quando avistou a patrulha da GNR. A mulher foi falar com os militares e o marido, irado, descarregou na patrulha ao murro e pontapé. Um dos guardas ficou ferido no peito e o outro no pulso.

Os dois militares, apesar de combalidos, ainda conseguiram algemar o homem, que estava descontrolado. Segundo adiantou fonte policial, os dois guardas precisaram de tratamento hospitalar. Um dos soldados denunciou o detido pelo crime de agressão a elementos da autoridade.

Este detido já tinha antecedentes pelo crime de violência doméstica: uma queixa-crime apresentada no tribunal de Soure - localidade onde o casal residiu antes de se mudar para Montemor-o- -Velho - e outra mais recente, de uma agressão à mulher ocorrida no final do mês numa rua em Coimbra e registada pela PSP.

O agressor foi ontem conduzido ao tribunal de Montemor-o-Velho, mas, ao final da tarde, ainda não tinha sido ouvido. Um dos guardas que ele agrediu era para prestar depoimento como testemunha no julgamento de Mário Pessoa, mas o seu depoimento foi agendado para outro dia.

Foi um outro militar da GNR de Montemor-o-Velho, baleado a 29 de Novembro de 2009 por Mário Pessoa, que protagonizou, ontem à tarde, um dos depoimentos-chave do processo em que o arguido está acusado de 11 crimes, entre os quais duplo homicídio e violência doméstica. Adérito de Jesus Teixeira contou com detalhe todos os momentos que passou, desde que ouviu a sirene de uma ambulância. Antes disso, Maria Manuela tinha feito queixa por violência doméstica.

Os bombeiros que tentaram levá-la ao hospital (e que inverteram a marcha antes de entrar na auto--estrada para a Figueira da Foz devido à perseguição do homicida) contaram, ontem, que a vítima tinha hematomas na cabeça, sangrava dos lábios.

Nesta segunda sessão do julgamento de Mário Pessoa, o militar Adérito Teixeira lembra que quando saiu do posto, para ver porque estava ali uma ambulância em emergência, logo viu o arguido com uma caçadeira, ameaçando todos os militares que surgiam à porta do posto dizendo que saíssem da sua frente pois matava-os a todos. O testemunho deste sobrevivente envolvido neste caso trágico de violência doméstica foi escutado em profundo silêncio na sala de audiências do Tribunal Judicial de Montemor-o-Velho, onde assistiam muitos colegas da GNR.

Mário quis desmentir o relato do militar da GNR. "Prefiro uma prisão perpétua, ele não está a dizer a verdade", disse. O juiz presidente questionou, irritado: "Este senhor agente que saiu baleado está a mentir?" Mário repetiu a tese que se queria suicidar."



Mário Pessoa, ao voltar a evocar ontem a tese de suicídio frustrado, provocou a exaltação do juiz que preside ao colectivo. "Eu era um ser possuído pelo demónio, queria desistir da vida." A frase, em tom exaltado, do arguido Mário Pessoa, no fim da segunda sessão do julgamento em que ele responde por 11 crimes, levou o juiz presidente a adverti-lo, em tom ríspido: "O senhor está cá, a sua mulher não está. O senhor está cá, o militar [David Dias] da GNR não está." Mário Pessoa ainda diz: "Estou com gatilho nas mãos, é fácil disparar", voltando à tese que defendeu no início deste julgamento que queria "desistir da vida".

O duplo homicida ouviu ontem com particular atenção o depoimento da irmã da sua mulher, dos dois bombeiros que tentaram transportar Maria Manuela (vítima de violência doméstica) e do militar baleado. Só os seus pais se recusaram ontem a depor. Findo o testemunho de Teresa Paula Rama Costa, irmã da mulher assassinada a tiro dentro da ambulância, Mário Pessoa levantou-se e gritou: "Paula, saúde para os nossos meninos, minha linda!"

Ela descrevera, momentos antes, o cenário de violência que encontrou em casa da irmã: "Depois de saber que ele a tinha matado fui lá a casa. Vi sangue nos cortinados do quarto da filha, nos tapetes, na casa de banho. Havia uma moldura partida, com a foto do casal." Teresa, emocionada, afirmou que a filha mais nova do casal, que ia ao colo da mãe na ambulância e que depois teve de receber tratamento hospitalar vítima de estilhaços, ainda hoje "tem muitas saudades da mãe". Justifica: "Ela era uma menina feliz, a minha irmã fazia tudo pelos filhos." Na sala, escuta-se o choro de algumas pessoas.

Adérito Texeira, o militar sobrevivente ao tiroteio dentro do posto, justificou porque o homem que tinha acabado de disparar contra a sua mulher não foi algemado, situação que muitos na altura dos trágicos acontecimentos não conseguiram compreender: "Como era muito próximo do posto, como ele não ofereceu resistência, não houve necessidade de algemar." Certo é que Mário Pessoa ainda tinha um revólver no bolso das calças e voltou a disparar. David Dias sucumbiu, baleado.

Quando o militar Teixeira descreve tudo o que viveu dentro do posto até levar Mário Pessoa até à zona prisional, ouve-se, de novo, o arguido a dizer: "Tanta mentira, meu Deus!"

O juiz presidente pergunta ao militar: "Alguma vez se apercebeu que ele queria pôr termo à vida?" A resposta de Adérito é negativa. Explica, sim, que o arguido fazia força com o braço quando tirou um objecto do bolso. "Para mim foi um disparo, fui atingido na anca direita, gritei 'foge Dias', consegui sair de pé, mas comecei a rastejar depois..."

A próxima sessão é a 4 de Janeiro."


E isto é algo que me preocupa profundamente. Ditados como "Quanto mais me bates, mais eu gosto de ti" ou "Entre marido e mulher não se mete a colher" estão ultrapassados. Uma denúncia e separação por parte da mulher logo na primeira agressão ou denúncias por parte dos vizinhos ou familiares poderiam ter salvo a mulher. Quem ama não agride. A passividade não resolve. Quem agride uma vez, agride as vezes que forem necessárias. Se é vítima de violência doméstica, não continue a ser domada, não seja cúmplice da sua morte. Se tem conhecimento de algum situação de violência doméstica, denuncie. Violência Doméstica é um crime público. Qualquer pessoa tem o direito e a possibilidade de denunciar. Ao fazê-lo, poderá estar a salvar uma vida. Ao escolher não fazê-lo estará a compactuar com o agressor. Nesta matéria não há campo neutro.





domingo, 12 de dezembro de 2010

AS TRÊS MARIAS ESTÃO DE VOLTA!!!

há tanto tempo que esperava esta notícia!!!


"Regresso das 'três Marias'



Das três escritoras, só Maria Teresa Horta esteve presente no lançamento da edição anotada das 'Novas Cartas Portuguesas'.

Quatro décadas depois da publicação, seguida de apreensão e acção judicial; dez anos após esgotar a última edição; depois de dezenas de estudos em universidades estrangeiras e de ainda ser um dos livros portugueses mais traduzidos, a obra que provocou furor feminista e revolucionário no regime antes do 25 de Abril de 1974 foi ontem reapresentada oficialmente por uma das suas autoras: Maria Teresa Horta.

A responsável por esta edição anotada, Ana Luísa Amaral, explicou a importância de uma obra de características inéditas à época, que se mantém correcta à luz das mais recentes teorias feministas mas que nunca foi suficientemente analisada em Portugal. Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, ausentes, foram as outras duas autoras. Todas assinaram a obra sem especificar a autoria de cada um dos textos. "

FONTE: Diário de Notícias



sábado, 11 de dezembro de 2010

São estas pequenas coisas que me irritam

Há dias recebi este e-mail:


"AGRADEÇO...

À MINHA MULHER, por dizer que teremos ao jantar só pão com manteiga, porque ela está em casa comigo e não em algum outro lugar, não sei onde!


AO MEU MARIDO, ESPARRAMADO COMO UM PURÉ DE BATATA, A LER NO SOFÁ, porque ele está comigo e não a tomar uns copos em algum bar... 


À ADOLESCENTE CÁ DE CASA, QUE ESTÁ RECLAMANDO POR TER QUE LAVAR A LOUÇA, porque isso significa que está em casa, e não deambulando pelas ruas...


PELAS BRONCAS DO CHEFE, pois isto significa que estou empregado...


PELA BAGUNÇADA EM QUE FICOU A CASA DEPOIS DA FESTA, porque isso significa que estive rodeado de amigos...


PELAS ROUPAS QUE ME ESTÃO A FICAR "JUSTAS", porque estou de saúde e tenho o suficiente para comer…


PELA MINHA SOMBRA QUE ME ACOMPANHA, porque isso significa que ando fora e ao sol...


PELA RELVA QUE PRECISA SER CORTADA, PELAS JANELAS QUE PRECISAM SER LIMPAS, E PELAS PERSIANAS AVARIADAS, porque isso significa que tenho uma casa...



POR TODAS AS QUEIXAS QUE FAÇO CONTRA O GOVERNO, porque isso significa que temos liberdade de expressão...



PELO LUGAR QUE SÓ CONSEGUI NO FIM DO PARQUE DE ESTACIONAMENTO, porque tenho carro e posso caminhar...



PELA CONTA MONSTRUOSA DE ENERGIA QUE PAGO, porque isso significa que tenho conforto em casa...



PELA SENHORA DESAFINADA QUE CANTA ATRÁS DE MIM NA IGREJA, porque isso significa que tenho ouvido...



PELA PILHA DE ROUPAS PARA LAVAR E PASSAR porque isso significa que tenho família...



PELOS MÚSCULOS DORIDOS E A FADIGA AO FINAL DO DIA, porque isso significa que fui capaz de ter um dia preenchido...


PELO DESPERTADOR QUE DE MANHÃ ME ABORRECE, porque isso significa que continuo vivo...


ESTOU GRATO PELOS "PALERMAS" DOS MEUS COLEGAS DE TRABALHO,
porque tornam o dia mais divertido e interessante...


[e, finalmente, por receber montes de e-mails, pois isso significa que os amigos pensam em mim!!! manda isto para quem gostas, como eu fiz contigo!... ]"

Concordo que há pessoas que se queixam por tudo e por nada e que isso não é saudável, mas... Percebem o que nos é aqui proposto? Querem que nos conformemos com a mediocridade. Nesta optica, se uma miúdo reprovar todos os anos não importa, pelo menos anda na escola; se um norte-coreano vir a sua família toda ser morta não faz mal, pelo menos está vivo, ah, e tem boa visão.

Depois, claro, notem que quase tudo o que está ali escrito é em relação à mulher. É como quem diz: "trabalha e não reclames, anda, não me chateies porque por me teres a mim e à família que eu te dei já é motivo suficiente para estares agradecida".

Mas o que é isto? A natureza humana é exigir sempre mais. e esse é o motor da evolução. Se sentimos que estamos mal e agradecemos pelo lado positivo da coisa para nos, em certa forma, despreocuparmos com o lado negativo não haverá evolução nenhuma.


Por favor, exijam sempre mais! Não se conformem com o que têm.